CAPITÃO AMÉRICA E O SOLDADO INVERNAL
(por Alexandre Kazuo)
(Legenda da imagem: Capitão América (a esquerda) e o soldado invernal em imagem de divulgação do filme “Capitão América 2 – O soldado invernal”.)
(Publicado originalmente em maio de 2014 em www.leiturinhas.com.br)
O personagem Capitão América da Marvel, retornou para a sequência de seu filme, “Capitão América – O Primeiro Vingador” de 2011, nos cinemas no início de abril. O que se imagina, e talvez ainda seja um pouco cedo até para fazê-lo, é qual trama está em construção para que a mesma culmine num segundo filme dos Vingadores. Após o primeiro filme “Os Vingadores” de 2012, a Marvel Studios lançou o terceiro Homem de Ferro e “Thor 2 - O Mundo Sombrio” em 2013. As ligações que com certeza há entre os mesmos, ainda não ficou totalmente clara.
Diferente do primeiro filme do Capitão América, ambientado na época da II Guerra Mundial (primeira metade do século XX), fato histórico em que o personagem tem sua origem; o novo se dá num tempo presente. Os personagens Nick Fury (Samuel L. Jackson) e Viúva Negra (Scarlett Johansson), já vistos, comparecem em “Capitão América 2 – O Soldado Invernal”.
A trama foi declaradamente inspirada em filmes de consipiração política e espionagem, algo expresso pelos diretores irmãos Anthony e Joe Russo. O veterano ator Robert Redford, fora convidado como uma espécie de tributo a este tipo de filme. Redford atuou em “Todos os Homens do Presidente” e “Três Dias do Condor”; clássicos da década de 70. O veterano ator vive o personagem Alexander Pierce, intermediário entre o governo yankee e a agência Shield, comandada por Nick Fury.
O antagonista do Capitão América é de fato o “solado invernal” do título. Na época da II Guerra, o Capitão América (mais uma vez vivido por Chris Evans) tinha um jovem parceiro de combate chamado Bucky Barnes. O mesmo foi dado como morto em missão, mas Barnes fora capturado sem memória pelo exército russo, e induzido a trabalhar para os soviéticos como um letal agente secreto. O resgate do personagem Bucky Barnes é baseado em roteiros recentes das hq’s do Capitão América, publicados pela Marvel em sua linha editorial chamada “Marvel Ultimate”.
Para além deste novo filme do sentinela da liberdade, o que se tem confirmado até o momento, é que o androide Ultron será o vilão no segundo filme dos Vingadores, previsto para ser lançado em 2015. O robô, feito do metal adamantium, o mesmo que recobre os ossos de Wolverine, é protagonista na saga “A Era de Ultron”, das hq’s, atualmente sendo publicada no Brasil pela Panini. Ultron é um inimigo clássico dos Vingadores, mas o novo filme dos Vingadores não necessariamente trará uma transcrição total, da citada saga dos quadrinhos.
Teaser:
- O novo filme do Homem Aranha, “Homem Aranha 2 – A Ameaça de Electro” tem estreia mundial para o próximo dia 01 de maio, o que inclui salas brasileiras. Andrew Garfield retorna para o papel de Peter Parker e o aclamado ator Jamie Foxx será o vilão Electro. O personagem Homem Aranha está com os direitos autorais cedidos pela Marvel à Sony Pictures e, seus filmes não estão sendo produzidos pela Marvel Studios.
LÁ VEM CONTO!
MÃES
(por Deusiane de Andrade)
(Publicado originalmente em maio de 2014 em www.leiturinhas.com.br)
Certa vez, estavam numa rodinha de amigas quatro garotas pensando sobre as comemorações do dia das mães em seu colégio, e sem perceber, começaram a contar sobre a história de cada uma: “Minha mãe faleceu no parto, sou filha única e mora com minha avó. Ela sempre cuidou de mim, e por isso a considero como minha mãe. Quando eu questionei porque minha mãe morreu, eu não entendia ao certo, e comecei a me culpar. E então minha avó disse: Deus precisava de um anjo no céu, e perguntou a sua mãe se ela topava ser esse anjo. Ela ficou muito preocupada, pois você ficaria sozinha, e então Deus disse que deixaria você comigo para que eu pudesse dar todo amor que eu não pude dar a minha filha... ela sempre chorava ao dizer isso". Uma outra garota comentou: “Bom, eu também não darei presente para minha mãe, pois ela deixou eu e meu pai, desde meus dois aninhos... meu pai faz todo o papel de mãe e pai para mim, e ele sempre é presente, mesmo nas horas em que faço perguntas complicadas, sabe, aquelas que a gente geralmente conversa com as mães ou as irmãs, sobre sexualidade? Então, ele me deu todos os conselhos, soube responder minhas perguntas, sabe acolher minhas angústias... e quem diria, pois ele teve muito medo segundo minha avó conta, mas ele tomou coragem e assumiu que iria me criar sem a ajuda de ninguém! Ele é um herói pra mim!” Já outra comentou: bom, acho que vocês já sabem que eu sou adotada, né? Minha família me abandonou desde bebezinha, e por sorte fui encontrada e levada para um lar de crianças abandonadas... eu fiquei bastante tempo lá, até meus cinco aninhos. Tinha mães adoráveis que cuidavam da gente, davam muito carinho, até que enfim encontrei uma mãe que me ama muito e me trata igual a seus filhos. Infelizmente, ela separou-se do esposo antes de eu conhecê-lo, mas mesmo assim ela cuida de mim e dos seus dois filhos. Até hoje eu também visito minhas mães do lar que tão bem cuidaram de mim. Minha mãe é maravilhosa, e se hoje minha família biológica viesse me procurar, não iria destratá-la, mas não abandono minha mãe adotiva, porque mãe de verdade é quem assume o filho!” Algumas delas concordaram com o que foi dito, e por fim perguntaram a garota que ainda não havia contado sua história: “E você?”. Ela ficou, calada, cabisbaixa e começou a chorar. As amigas logo se preocuparam, pois ainda estavam se conhecendo e não sabiam a história dela. Após um tempo tentando se acalmar, ela começou a falar: “Vocês todas me contaram histórias tristes, que com certeza devem ter machucado muito o coração de vocês. Vou contar minha história: eu tenho pai, mãe e um irmão mais velho. Meu pai sempre foi um amigão para mim, me carregava nas suas costas, levava para passear, quase sempre dava os brinquedos e doces que eu pedia, e às vezes não me dava, mas explicava que não tinha condições financeiras de comprar. Eu sempre reclamei, exigi, cobrei, esperneei, fui crescendo e comecei a xingá-lo. Hoje em dia, ele vem me buscar na escola por medo de acontecer algo comigo, e eu desvio o caminho para que os garotos não me vejam indo embora com meu pai. A minha mãe, coitada, é diarista, e isso sempre foi motivo de vergonha para mim, porque algumas amigas mais abastadas que eu tinha achavam ridículo aquilo, e eu concordava. Eu a tratava como minha empregada quando estava perto das minhas amigas e em casa, pedindo que ela fizesse tudo para mim, e eu nunca fazia nada por ela. Minha amigas nunca souberam que ela era minha mãe, que é muito triste, e eu nunca entendi por quê. Meu irmão, com certeza vocês já viram, mas jamais saberiam. Ele é mais velho que eu, sempre me defendeu, me protegeu, e olha que eu sempre me envolvi em confusões que ele entrava no meio e se fosse preciso, apanhava no meu lugar. Ele sempre tentou me ajudar e me orientar, mas eu simplesmente disse que o odiava e pedi para que saísse de perto de mim, que eu não precisava dele. Ele nunca mais falou comigo, apesar de estudarmos no mesmo colégio. Eu me sinto completamente envergonhada de tudo o que fiz, não sei se poderão me perdoar, acredito que com certeza sim, pois são muito amorosos, e nunca perderam a esperança de que eu mudasse, mas eu sei que vai demorar para eu me perdoar... enfim agradeço pela lição que vocês me deram, deste dia em diante me proponho a ser mais atenta a minha família, não ter vergonha de nenhum deles e amá-los de verdade da maneira como eles merecem!”.
LITERATURA E ENSINO
EM BUSCA DE NOVAS LINGUAGENS VII
(Por Leny Fernandes Zulim)
(Publicado originalmente em maio de 2014 em www.leiturinhas.com.br)
1- Novos contos de fadas:
Se há determinadas histórias e determinados personagens que permanecem ao longo do tempo, seduzindo crianças e adultos, são as narrativas primordiais e com elas criaturas como as fadas, dragões, ogros, príncipes, reis e princesas. Natural, portanto, que, na renovação iniciada na década de 70 do século XX, a literatura infantil brasileira tenha estabelecido um estreito diálogo com esse tipo de narrativa, seja através de novos contos ou mesmo de crítica, propondo mudanças em sua estrutura.
Pensadores vários, e em diversos momentos da história, se debruçaram sobre o arsenal de contos de encantamento tentando desvendar-lhes o segredo da eterna sedução sobre as crianças bem como sua simbologia e seu sentido. Um dos primeiros estudiosos a fazer isso foi o formalista russo Wladimir Propp, que tomando como objeto de estudo um corpus de mais de quatro centenas dessas narrativas, analisou-lhes profundamente a estrutura, classificando-as a partir das funções desempenhadas pelas personagens. Nesse estudo, denominado Morfologia do conto, o pesquisador elencou trinta e umas funções desempenhadas pelos personagens que se repetiam nas diversas narrativas. Do modelo estrutural de Propp, Coelho (2000:109/110) extrai cinco invariantes, segundo ela “sempre presentes nos contos em questão.” São elas:
A- Aspiração ou desígnio: o enredo dos contos de encantamento (sejam eles maravilhosos ou de fadas) apresenta sempre como foco nuclear uma aspiração (desejo próprio) ou desígnio (determinação de alguém) que leva o protagonista à ação. Exemplifiquemos tomando por base o conto Chapeuzinho Vermelho. A conhecida menina da capinha vermelha, por desígnio da mãe, desloca-se para a casa da vovó para levar-lhe uma cesta de doces. Já no caso de Cinderela o que a leva a ir ao baile do príncipe é a aspiração de encontrá-lo.
B- Afastamento da casa: para poder realizar esse desígnio (ou aspiração) o herói ou protagonista precisa afastar-se de casa. Para isso, empreende uma viagem ou simplesmente desloca-se para um ambiente que lhe é estranho. A título de exemplo, lembremos mais uma vez Chapeuzinho Vermelho e Cinderela. A primeira segue para a casa da vovó, tomando um caminho que lhe é estranho (na floresta). A segunda precisa deslocar-se para o palácio. Mais um caso? Pensemos no Patinho Feio de Andersen. Para encontrar sua real identidade ele precisa afastar-se de onde está.
C- O herói precisa vencer desafios e obstáculos para cumprir a missão pretendida. Esses obstáculos e desafios, aparentemente, parecem insuperáveis para o herói. Lembremos Cinderela. Como chegar ao Palácio Real para participar do baile se ela sequer tem um vestido e sapatos apropriados? E que carruagem poderia levá-la até lá? Mais um exemplo? Vamos à Pele de Asno. Como a pequena princesa poderia livrar-se do incesto com o pai? Difícil, quase impossível.
D- O auxiliar do herói. Ante a quase impossibilidade de cumprir a missão devido aos sérios desafios e obstáculos, esse herói protagonista vai contar com a ajuda de um auxiliar mágico, seja ele natural ou sobrenatural. Esse auxiliar afasta ou neutraliza os perigos e obstáculos, permitindo que a missão chegue a bom termo. Para ficarmos nos exemplos anteriores, lembremos a fada madrinha no caso de Cinderela, que como um auxiliar sobrenatural lhe oferece tudo o que necessita para ir ao baile. No caso de Pele de Asno, uma fiel empregada da casa (um auxiliar natural, portanto) ajuda a princesinha a esconder-se na floresta disfarçada com a terrível e malcheirosa pele do asno.
E- O herói cumpre sua missão e é recompensado. A estrutura dessas narrativas de caráter maniqueísta segue fielmente o final feliz, com o herói sendo reconhecido e encontrando a felicidade. Felicidade, aliás, que quase sempre termina num casamento com o felizes para sempre. Lembremos Cinderela, A Bela adormecida, etc..
Por sua vez, Bruno Bettelheim (2007), que fez furor com a obra A psicanálise dos contos de fadas, afirma com veemência que o maior contributo dessas narrativas é o fato de que ajudam a criança a dar sentido à vida, compreendendo-a através dos enredos e personagens.
Silva (acesso em 23/04/2014), por sua vez, assim se posiciona sobre tais narrativas:
A verdade é que os contos de fadas conseguem deixar fluir o imaginário e levar a criança a ter curiosidade que prontamente é respondida no transcorrer da leitura. Eles fornecem a possibilidade de descobrir o mundo colossal dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivem e atravessam, de um jeito ou de outro, através dos problemas que vão sendo encarados ou não, resolvidos ou não, pelas personagens de cada história.
O fato é que o conto de encantamento ensina na medida em que fala daquilo que é especificamente humano, primitivo no homem – os sentimentos como amores, as raivas, as invejas e ambições – apontando para um mundo melhor, onde o mais importante são as riquezas abstratas. Quando ouvem um conto desse tipo, o que as crianças fazem é projetar, inconscientemente, parte delas nos personagens, usando-os como repositórios para elementos que são contraditórios ao seu eu (Cashdan, 2000). Dessa forma, o pequeno leitor passa a entender melhor seu entorno e seu mundo, reconhecendo que a vida sempre nos brinda com fases, acontecimentos, fatos bons e maus e temos que aprender a vê-los e encará-los, para vencê-los e, dessa forma, viver melhor.
2-O retorno das fadas
2.1- Dialogando com as narrativas primordiais
A sedução que os contos de fadas causam nos leitores foi motivo suficiente para que autores do pós-70 fizessem deles motivo e tema de suas criações, algumas com grande sucesso. O pontapé inicial foi dado por Ana Maria Machado e Fernanda Lopes de Almeida com obras que dialogam com o mundo das fadas. Ana, com sua conhecida História meio ao contrário estabelece um estreito diálogo com os textos mais tradicionais que, para Lajolo & Zilberman (1985), recupera e ao mesmo tempo discute e inverte situações e valores correntes nesse tipo de narrativa. E a inversão se dá logo no início, assim: ...e então eles se casaram, tiveram uma filha linda como um raio de sol e viveram felizes para sempre. Tem muita história que acaba assim. Mas esse é o começo da nossa. Quer dizer, se a gente tem que começar em algum lugar, pode muito bem ser por aí. (pg. 29-30).
E se é para brincar e inverter, o príncipe rompe o compromisso estabelecido entre o rei seu pai e o rei pai da princesa para se casar com uma pastora e viver feliz com ela no campo; a princesa, ao invés de chorar o casamento desfeito, fica feliz com a liberdade...
Fernanda Lopes de Almeida, por sua vez, com A Fada que tinha idéias, cria uma fadinha que, por sua rebeldia, curiosidade e persistência joga um “balde de água fria” naquelas princesinhas dóceis e obedientes nossa velhas conhecidas. Clara Luz – a fada com ideias – se nega a fazer mágicas pelo livro de receitas das velhas fadas, pois para ela “quando não se cria nada, o mundo para.” Assim ela segue criando novas receitas e novas mágicas, ainda que por vezes as coisas fiquem um tanto atrapalhadas e a fada-mãe tenha que entrar em ação e colocar ordem na confusão. A saborosa desobediência civil de Clara Luz faz o leitor lembrar um pouco a Emília do Lobato.
Muitos outros livros do pós-70 dialogam com as narrativas primordiais. Vamos apenas citar alguns, já comentados em outros artigos nesse site: A história do lobo, de Marco Antonio Carvalho; Onde tem bruxas tem fada, de Bartolomeu C. Queirós; O fantástico mistério de Feiurinha, de Pedro Bandeira; Pintinho Pelado, de Cristina Luna; Eu tropeço e não desisto, de Giselda L. Nicollélis; Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque...
2.2- Os novos contos de fadas
Quando, em 1979, Marina Colasanti lançou Uma idéia toda azul, retornou à literatura infanto o mundo da magia com o séquito de personagens simbólicos como príncipes e princesas, reis, rainhas, dragões e ogros que sempre povoaram os contos tradicionais. O retorno do fantástico realizado por Marina Colasanti estabelece contato com as fontes mais tradicionais desse acervo com uma estupenda qualidade estética (Lajolo & Zilberman: 1985). Com uma linguagem alegórica e artesanal, extremamente melodiosa e lírica, essa literatura de Marina não tem compromisso qualquer com a realidade imediata, mas lidos os contos com mais profundidade, neles encontramos sempre questões humanas permeando-lhes o enredo, tais como a solidão, a morte, o tempo, o amor, a inveja...
Não é raro, porém, a autora afastar-se do final feliz encontrado nos contos de encantamento. Ao contrário, é bastante comum o final de seus contos deixar o autor com um gosto amargo na boca pelo fim trágico, diferente do esperado. Sobre isso assim se expressa Silva (2004: 72):
...em desacordo com o padrão típico dos contos de fadas, os de Marina Colasanti não estão comprometidos com um “final feliz”. Aliás, muitos deles tem desfechos trágicos, ou finais em aberto, o que constitui uma atualização de bastante impacto nessa modalidade de narrativa.
Na linha que ela mesma intitula “contos de fadas” Marina escreveu além do já comentado Uma idéia toda azul, Doze reis e a moça no labirinto do vento, Entre a espada e a rosa, Longe como o meu querer e Do seu coração partido, livros pelos quais recebeu inúmeros prêmios, entre eles o Prêmio Latino-americano Norma Fundalectura 1996; Prêmio Orígenes Lessa Melhor para o jovem, 1992- FNLIJ; e Prêmio Jabuti, 1993. Esses livros suscitaram os mais variados comentários e depoimentos e estão largamente difundidos e traduzidos em outros países. A título de exemplo, vejamos o texto que Eliana Yunes escreve na contracapa de Entre a espada e a rosa, intitulado A dama dos contos:
Marina está no seletíssimo grupo de escritores brasileiros reconhecidos como exponenciais no campo de uma literatura que, dialogando também com crianças, não se apequenou. (...) Os [seus] contos, mais que de fadas, são de fado-legíveis se os olhos virem o de dentro, onde a idade, de novo não conta, onde pérolas e grãos podem ter o mesmo uso, sem induzir ao engano.
Em determinado artigo de Fragatas para terras distantes Marina afirma:
Toda vez que me aproximo do universo dos contos de fadas, quer como autora, quer para reflexões teóricas, minha boca seca, a garganta aperta, o coração acelera o ritmo. Eu sinto medo e sedução. E reluto em avançar, como se os vastos espaços que se estendem à minha frente, e que me convocam, escondessem poços de areia movediça, distâncias verticais sem fim.
Preciso confessar que, depois ter sido apresentada ao primeiro livro dessa autora fantástica, diante do segundo e dos demais que foram sendo publicados, minha emoção e sentimentos foram muito parecidos com os que ela afirmou acima. Quase paralisada, esperando para ver o que encontrar entre as páginas, hesitava em abrir o livro, olhava para a capa, começava a abrir, voltava a fechá-lo, antevendo a maravilha que seria ler esses contos. Hoje tenho todos os títulos desse gênero que ela publicou e fico sempre aguardando o próximo, completamente seduzida por essa maga da palavra que, ressuscitando o conto de fada, deixou a literatura infanto brasileira mais rica e bela. Até o próximo ou, se você quiser, entre em contato pelo e-mail lenyfz@ibest.com.br .
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Fernanda Lopes. A fada que tinha idéias. São Paulo: Ática, 1982
BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. São Paulo: Ed Paz e Terra, 2007.
CASHDAN, Sheldon. Os 7 pecados capitais nos contos de fadas: como os contos de fadas influenciam nossas vidas. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Ed. Moderna, 2000.
COLASANTI, Marina. Uma idéia toda azul. São Paulo: Global, 22 ed. 2003.
___. Doze reis e a moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 11 ed. 2003.
___. Entre a espada e a rosa. São Paulo: Salamandra, 1992.
___. Longe como o meu querer. São Paulo: Ática, 1997.
___. De seu coração partido. São Paulo: Global, 2009.
___. E as fadas foram parar no quarto das crianças. In: Fragatas para terras distantes. Rio de Janeiro: Editora Record, 2004.
MACHADO, Ana Maria. História meio ao contrário. São Paulo: Ática, 1979.
SILVA, Ana Maria da. A importância da leitura dos contos de fadas na educação infantil: portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos (Acesso em 23/04/2014)
SILVA, Vera Maria T. A dupla face dos contos de Marina Colasanti. In: CECCANTINI, João Luís (org.). Leitura e literatura infanto-juvenil: memória de Gramado. Assis: Ed. Cultura Acadêmica, Núcleo Editorial Proleitura, 2004.
KAZUO EM QUADRINHOS
A VELHA NOVA GÊNESE DOS X-MEN
Por Alexandre Kazuo
(legenda da imagem: Capa de X-Men - Gênese Mutante lançada pela Panini Comics)
(Publicado originalmente em maio de 2014 em www.leiturinhas.com.br)
Seguindo com a leva de relançamentos em formatos encadernados, a Panini disponibilizou no Brasil agora em abril “Gênese Mutante”, que traz algumas histórias dos X-Men, vistas na década de 90. “Gênese Mutante” tem como propósito resgatar grandes momentos do ilustrador norte-americano com ascendência coreana Jim Lee, hoje trabalhando na DC Comics. Jim Lee começou na Marvel, tendo ilustrado personagens como Justiceiro. No início dos anos 90, nos EUA, Lee chamou a atenção ilustrando os títulos dos X-Men, no momento em que os personagens se tornaram muito populares.
Este lançamento é tomado como “volume 1” e compila momentos de Lee junto ao aclamado roteirista Chris Claremont, que se tornou reconhecido justamente ao escrever as histórias dos mutantes, entre o fim dos anos 80 e começo dos 90. O primeiro volume de “Gênese Mutante” traz histórias vistas no título regular norte-americano “The Uncanny X-Men”.
As tramas observadas em “Gênese Mutante” apresentam uma redefinição dos integrantes dos X-Men, dando início à formação que se tornaria conhecida nos anos 90. A formação original surgida nos anos 60 nos EUA, tinha Ciclope, Jean Grey, Fera, Homem de Gelo e Anjo. Nos anos 70, após reformulação editorial visando melhorar as vendas do título “The Uncanny X-Men”, os roteiristas fizeram o professor Xavier recrutar outros integrantes ao redor do mundo.
A equipe passou a ter Tempestade, Wolverine, Colossus, Noturno, Banshee, Pássaro Trovejante e Solaris. Os X-Men originais formariam a X-Factor, uma nova equipe que cuidava dos problemas mutantes e devia satisfações ao governo norte-americano, representado pela SHIELD. O período agora relançado se dá após Magneto ter assumido a escola do professor Xavier e por algum tempo ter sido o tutor dos X-Men. Isso se deu em histórias publicadas nos EUA nos anos 80. As histórias deste volume 1 de “Gênese Mutante” trazem uma sequência quebrada, tramas não ilustradas por Jim Lee, não estão inclusas. Há alguma dificuldade de compreensão para os que não acompanharam anteriormente.
A versão definitiva dos X-Men
A aura de “párias da terra” é muito enfatizada no periodo mostrado em “Gênese Mutante”. Oficialmente os X-Men, mal vistos por serem mutantes, estão sendo dados como mortos. Seus integrantes estão espalhados pelo planeta e um motivo para se reagruparem se vê em desenvolvimento. No caso, os integrantes estão sendo atraídos pelo aborígene Teleporter, o qual concebe redefinições aos personagens, através do Portal do Destino, num processo um tanto quanto inverossimil. Observamos uma redefinição de Psylocke, outrora de ascendencia britânica (é irmã gêmea de Brian Braddock, o Capitão Bretanha), no arco “Atos de Vingança” que aparece completo no volume.
Psylocke ressurge oriental, servindo ao clã japonês Tentáculo liderado por Matsuo Tsurayaba. Caberá a telepata uma unificação entre o Tentáculo e o submundo chinês, comandado pelo Mandarim, tradicional inimigo do Homem de Ferro. Em território chinês, Psylocke se deparará com Wolverine, antigo inimigo da Tentáculo, sendo que Logan ressurge acompanhado por Jubileu. O trio protagoniza a fantástica história “Cavaleiros de Madripoor”, em que encontram a atualmente badalada Vingadora, Viúva Negra. Um pretexto para Chris Claremont dar vazão a um encontro entre o Capitão América, Wolverine e Natasha Romanov ainda criança, na ilha fictícia de Madripoor, no período entre guerras da primeira metade do século XX.
A redefinição de Vampira também está contida em “Gênese Mutante” numa trama que culminará na Terra Selvagem, a versão do “elo perdido” do universo Marvel. Ali Vampira se depara com Carol Danvers, a Miss Marvel original, de quem a x-woman roubou as habilidades de vôo e superforça. Vampira acaba resgatada por Magneto que se via escondido na própria Terra Selvagem. Imagina-se que outras histórias ilustradas por Jim Lee, e já editadas no Brasil pela ed. Abril, sejam relançadas pela Panini posteriormente. Estão planejados ainda para 2014, os relançamentos da saga “Programa de Extermínio” e “Atrações Fatais”.
O projeto visual de Jim Lee, concedeu a versão definitiva dos X-Men, após os personagens completarem 30 anos de existência em 1993. O mesmo baseou a configuração dos X-Men no desenho “X-Men Adventures” que se tornou muito popular nos anos 90, além de diversos jogos de videogame. Tratava-se de uma época anterior a expansão dos personagens Marvel no cinema. Uma época em que os X-Men se tornaram muito maiores do que Os Vingadores.
Em tempo:
- Simultaneamente ao relançamento de “Gênese Mutante”, a Panini segue relançando encadernados do Incrível Hulk. “Círculo Vicioso” traz um arco de histórias que culmina na trama homônima conduzida pelo respeitado Peter David. Nesses roteiros também publicados nos anos 90, David resgata aspectos do Hulk clássico de Stan Lee, não verde e sim cinza.
O Hulk de David começa a se utilizar da psiquê do dr. Banner, tornando-se ao mesmo tempo forte, astucioso, arrogante e minimamente inteligente. A trama relançada promove encontros do Hulk com a X-Factor e Wolverine e foi ilustrada pelo então jovem Todd McFarlane.
- O novo filme dos X-Men, “X-Men Dias de um Futuro Esquecido” teve estreia mundial, incluindo-se as salas de cinema do Brasil, marcada no dia 22 de maio.

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