outubro 16, 2011

OTUBRO - ENTREVISTA BILINGUE!

LEITURINHAS DE LÁ PRA CÁ, DE CÁ PRA LÁ...
(Entrevista publicada originalmente em outubro de 2011 em www. leiturinhas.com.br)


Hallo, ich bin Rafaela van Husen. Ich komme aus Deutschland, genauer aus dem Bundesland Nordrhein-Westfahlen. Ich gehe in die 6. Klasse der Marienschule Xanten, auf der  es  nur Mädchen gibt. Meine Hobbys sind: lesen, spielen, basteln und Vieles mehr. Ich hoffe, euch gefällt mein Interview.Olá, eu sou Rafaela Van Husen.
Olá, eu venho da Alemanha, do estado de Nordhein Westfahlen. Estou no sexto ano do Ensino Fundamental em um Colégio Mariano, na cidade de Xanten. Lá só estudam meninas. Meus hobbies são: ler, brincar, fazer trabalhos artísticos e muitas outras coisas. Eu espero que a minha entrevista agrade a vocês.
LEITURINHAS PRA LÁ E PRA CÁ
LEITURINHAS – Was machst du gerne in deiner Freizeit?
TRADUÇÃO – O que você mais gosta de fazer durante seu tempo livre?
RAFAELA    In meiner Freizeit spiele ich gerne. Lesen gehört natürlich auch dazu.
TRADUÇÃO – No meu tempo livre eu brinco muito. É claro que ler também faz parte.

LEITURINHAS – Aus welchem Grund liest du?
TRADUÇÃO – O que te motiva a ler?
RAFAELA – Mein Vater hat mir immer gesagt, dass man beim Lesen viel lernt. Dies hab ich ausprobiert, und es funktioniert.
TRADUÇÃO – Meu pai sempre disse que se pode aprender muito quando se lê, então eu resolvi experimentar e funcionou.

LEITURINHAS – Was würdest du den Kindern,  die noch nicht gern lesen, sagen?
TRADUÇÃO – O que você diria para as crianças que ainda não descobriram o prazer da leitura?
RAFAELA – Lesen ist sehr wichtig. Denn, würde man nicht lesen, hätte man viele Probleme.  Man muss nicht unbedingt mit einem dicken Buch anfangen. Dünnere sind auch gut. Ein kleiner Tipp: Aller Anfang ist schwer.
TRADUÇÃO – Ler é muito importante. Quem não lê pode ter muitos problemas. Não precisa começar com um livro grosso, os finos também são bons. Uma pequena dica: todo começo é difícil.

LEITURINHAS – Schreib  eine Geschichte,  die du selbst erfunden hast.
TRADUÇÃO – Escreva uma história que você mesma tenha criado.
RAFAELA – Es war einmal ein Mädchen, sie konnte nicht lesen. Genauer gesagt, nicht sehen, sie war blind. Die Eltern gaben ihr nicht Bücher mit einer Schrift, sondern mit Zeichen. Es waren Punkte, auf die sie drüber fassen musste, um die Buchstaben zu erkennen. Sie freute sich so sehr, dass sie anfing, jedes Buch mit Blindenschrift zu lesen.
TRADUÇÃO – Era uma vez uma menina que não podia ler porque não podia ver, ela era cega. Por isso seus pais não davam livros com escrita pra ela, mas com pontos em alto relevo, assim ela podia passar a mão em cima deles e entender o que estava escrito.  Então ela ficou tão feliz que começou a ler livros com escrita para cegos.
LEITURINHAS – Welche Bücher würdest du anderen Kindern empfehlen?
TRADUÇÃO – Quais LEITURINHAS você indicaria para outras crianças?
RAFAELA – Für die Deutschen Kindern könnte ich viel empfehlen. Für die Brasilianischen empfehle ich Monika. Das ist sehr, sehr lustig. Viel Spaβ beim Lesen!
TRADUÇÃO – Para as crianças alemãs eu poderia dar várias dicas. Para as crianças brasileiras eu indico a Turma da Mônica. É muito, muito legal! Divirtam-se com as LEITURINHAS!

outubro 01, 2011

SETEMBRO - ARTIGOS E ENTREVISTA

FADAS PARA SEMPRE
Por Carla Kühlewein
(Publicado originalmente em agosto de 2011 em www.leiturinhas.com.br)


“Você vive em um conto de fadas”. Essa é uma expressão comum para se caracterizar alguém como sonhador, lunático ou mesmo um pouco... “fora da casinha”. Em verdade todos nós trazemos um conhecimento pequeno, médio ou grande sobre as figuras clássicas dos contos de fadas. A questão é que tais contos estão muito além de uma forma alienada de leitura, pois fazem parte do imaginário coletivo séculos a fio, de lá pra cá, muitos tecidos de diversos tamanhos foram construídos.
Os contos de fada surgiram na Idade Média com versões bem diferentes das que conhecemos hoje: eram voltados para o público adulto, muitos até tinham certa conotação sexual, a Branca de neve estava longe de ser a bela e pura figura feminina que nossos pais e avós revelaram.
Além disso, o enredo dessas histórias era composto por um tom macabro, que tendia, muitas vezes, para a violência e o obscurantismo. O famoso conto de Cinderela, por exemplo, era narrado com detalhes sádicos: como o fato de uma das irmãs da Borralheira cortar os dedos dos pés para conseguir calçar o sapato de cristal.
Até então esses contos eram passados de geração em geração oralmente. Por isso foram adquirindo, com o tempo, diversas versões, já que a cada narrativa algum elemento novo era acrescentado e outro retirado. Um dos primeiros escritores a registrar por escrito as versões desses textos foi o francês Charles Perrault, que ouvia as histórias e adaptava-as ao gosto da corte francesa, retirando-lhes as conotações sexuais e violentas.
No século XIX foi a vez de Jacob e Wilhelm Grimm, os famosos “irmãos Grimm”, adaptarem os contos de fadas, só que com uma intenção diferente da de Perrault, adaptavam pro escrito as histórias que ouviam para as crianças.
Além dos irmãos Grimm e de Perrault, Hans Cristhian Andersen também ficou conhecido pelas adaptações de contos de fadas para crianças, tentando incutir-lhes, sempre que possível, um tom comportamental, moralizante.
A soma das versões adaptadas desses três escritores resulta nas histórias que temos atualmente, em versões mais amenas, com mais requinte e riqueza de detalhes. Bem, de lá pra cá muita coisa mudou... de fio em fio, teceram e desteceram as roupas das fadas, dos príncipes e das princesas, até chegarem aos anti-heróis e às princesas independentes.
As RELEITUIRINHAS convidam você, leitor, leitora, a navegar por mares muitas vezes navegados, porém modificados a cada mergulho. Afinal, mesmo sabendo que fadas não existem, algo nos impele a continuar acreditando nelas. E é melhor parar por aqui... porque uma fada acaba de morrer por conta disso!




 A DESCONSTRUÇÃO DOS CLÁSSICOS
Por Carla Kühlewein
(Publicado originalmente em setembro de 2011 em www.leiturinhas.com.br)
               
A primeira versão da animação Shrek surpreendeu com a irreverência do enredo e a ousadia das releituras dos contos de fadas. Elevar um ogro ao papel de herói e ridicularizar a figura do príncipe “Encantado” (que nada tem de encanto) são apenas alguns exemplos das sequenciadas DESCONSTRUÇÕES que a Dream Works promove não só nessa como em outras produções cinematográficas.
A DESCONSTRUÇÃO, em termos literários, pode ser compreendida como um recurso estilístico que consiste em atribuir novos significados a personagens, histórias ou conceitos cristalizados como padrões em uma determinada época. Na Literatura Infantil esse fenômeno tem se evidenciado na releitura de histórias clássicas (principalmente das registradas pelos irmãos Grimm, Perrault e Andersen). Afinal, já faz algum tempo que Branca de Neve, Cinderela e toda a trupe andam bem... diferentes.
                Basta lembrar do sucesso do par romântico Fiona e Shrek, enquanto ogros. A trama dos contos de fadas envolvidos é tão DESCONSTRUÍDA que ao final os bons e velhos padrões são rompidos em todas as bases: vitória da feiura e do anti-herói. Surpreendentemente o casal monstruoso cai no gosto popular e passa a ser aclamado como o retrato fiel do relacionamento moderno.
                Não que Shrek seja o inverso absoluto do herói, afinal ele contempla característica positivas, como bondade e bom humor, por exemplo. Mas, há de se concordar que ser: preguiçoso, verde e horrendo definitivamente não é o perfil de herói com o qual uma donzela clássica sonhe.
                Em verdade, o advento do simpático casal de ogros parece ter estimulado o surgimento de outras tantas produções cinematográficas que seguem a mesma linha de construção, como a série de Deu a louca na chapeuzinho (...na cinderela, ...na branca de neve) ou a recente produção da Disney Enrolados, sem mencionar as incontáveis RELEITURINHAS de histórias e personagens clássicas infantis registradas em livros de todo o mundo.
                O mercado editorial infantil tem se mostrado, no Brasil e no mundo, cada vez mais propenso a esse novo formato de história infantil. O número de releituras clássicas preenche a cada dia as prateleiras de bibliotecas e livrarias de todo o planeta, anunciando uma tendência que parece ter chegado para ficar: reformular, readequar, readaptar o antigo. Nada mais propício para uma humanidade que caminha cada vez mais para a reinvenção.    
                Deste momento em diante, o RELEITURINHAS será o espaço para se observar mais de perto as mais variadas desconstruções do universo infantil, principalmente das produções literárias contemporâneas, testemunhas escritas dessa mania tão moderna chamada DESCONSTRUÇÃO.

Em breve as RELEITURINHAS...


Alex Ross: capas de discos e épicos de super-heróis
Por Alexandre Kazuo
(Publicado originalmente em setembro de 2011 em http://www.leiturinhas.com.br/)

Entre o fim do mês de julho e início do mês de agosto, últimos, a imprensa especializada em rock pesado e heavy metal noticiou o fato do guitarrista brasileiro Andréas Kisser do Sepultura ter se juntado à banda norte-americana Anthrax. Kisser iria substituir o guitarrista Scott Ian que teve que se ausentar de alguns shows por problemas familiares. O Anthrax vive um bom momento na cena integrando o festival The Big 4, o qual reúne as quatro maiores bandas do thrash metal dos anos 80, Metallica, Megadeth, Slayer além do próprio Anthrax. Dentre as quatro o Anthrax era a mais irreverente. Scott Ian além de guitarrista é colecionador de histórias em quadrinhos. A canção I Am The Law (inclusa no clássico álbum Among The Living de 1986) se referia ao bordão I Am The Law (traduzindo: ‘eu sou a lei’) vociferado pelo  personagem britânico Juiz Dredd. No Brasil o Juiz Dredd teve poucas publicações e se tornou mais conhecido pela adaptação cinematográfica intitulada simplesmente O Juiz estrelada por Sylvester Stallone, do que pelos quadrinhos em si.

Em setembro o Anthrax estará lançando Worship Music, álbum que em primeiro lugar marca o retorno do vocalista original Joey Belladona após oito anos ausente. Em segundo, marca a terceira colaboração do renomado desenhista Alex Ross numa capa de disco do conjunto. Norte-americano, Ross ganhou reconhecimento mundial durante a década de 90, explodindo no mercado dos quadrinhos com a aclamada e luxuosa série Marvels. Originalmente publicada no Brasil pela Abril, Marvels trazia crônicas do universo Marvel narradas pelo fotografo jornalista Phil Sheldon. Ross apresentava um estilo absurdamente diferenciado dos ilustradores convencionais. Baseava suas criações num estilo vinculado a pintura de retratos e seus desenhos muitas vezes partiam de modelos reais.

Não demorou muito para a DC Comics também contrata-lo e propor a Alex Ross o trabalho que seria a sua resposta a editora rival. No fim dos anos 90, O Reino do Amanhã desenhado por Ross e escrito por Mark Waid obteve repercussão grandiosa e a exemplo de Marvels fora disponibilizada no Brasil pela Editora Abril. A trama de O Reino do Amanhã era um pouco mais ambiciosa e impactante. Em muitos aspectos Mark Waid se deixou influenciar pelo roteiro que Frank Miller concebera a O Cavaleiro das Trevas durante os anos 80. Em O Reino do Amanhã um futuro apocalíptico era vislumbrado. Nele os super-heróis ou ‘meta-humanos’ foram obrigados a se exilarem devido aos perigos que poderiam proporcionar. Os humanos optaram pela decisão após o Coringa ter mudado sua base de operações de Gotham City para Metropolis. O Superman não conseguia contê-lo e muitos anti-heróis surgiam e passaram a perseguir o Coringa que acaba assassinado por Magog. Numa interpretação um pouco mais profunda, Magog representava a onda de anti-heróis violentos que se propagou pelos quadrinhos dos anos 90, tais quais Spawn, Justiceiro e Wolverine. O Reino do Amanhã se dava enquanto um tributo à chamada ‘era de prata’ dos quadrinhos.

Alex Ross posteriormente realizou outros trabalhos para a DC Comics como os luxuosos Superman (Paz Na Terra) e Batman (Guerra contra o Crime), publicados enquanto livros e também disponibilizados no Brasil. Na internet é possível encontrar diversos trabalhos de Ross hoje em dia, inclusive alguns concebidos para o super-herói japonês Ultraman. Atualmente pouca gente se atenta para capas de discos, uma vez que tudo é escutado em arquivos MP3 em ipods ou computadores. O aspecto visual dos quadrinhos sempre manteve uma relação especial com capas de discos de rock.

TRABALHOS DE IMPACTO DESENHADOS POR ALEX ROSS: Marvels (quatro edições, originalmente publicada em 1995 pela editora Abril), O Reino do Amanhã (quatro edições, originalmente publicado em 1997 pela editora Abril).
COLABORAÇÕES DE ALEX ROSS EM CAPAS DE DISCOS DA BANDA ANTHRAX: We’ve Come For All (2003), Music of Mass Destruction (2004), Worship Music (2011).



ENTREVISTA - MARIA THERESA LACERDA
(Publicada originalmente em setembro de 2011 em ww.leiturinhas.com.br)


UMA VIDA ENTRE LIVROS


Meu nome é Maria Thereza Lacerda. Nasci na Lapa, há muuuitos anos e, também, há muuuuitos anos moro em Curitiba. Formação: bibliotecária e professora de francês. Ganhei bolsa para a França na década de 1950. Tive um companheiro francês, por mais de 30 anos. Ele era poeta premiado pela Academia Francesa. Trabalhei na Biblioteca Pública do Paraná e fiz pesquisa histórica na Secretaria Estadual da Cultura. Sou autora de sete livros, mas nenhum para crianças. Utilizo o computador. Tenho como atividade principal a leitura. Gosto de cinema e de trabalhar no computador. Ocasionalmente, faço palestras em centros culturais e sou sócia de academias onde estabeleço contatos culturais.



LEITURINHAS - Qual sua história com as LEITURINHAS dentro da biblioteca?
MARIA THERESA - Como bibliotecária, funcionária da Biblioteca Pública do Paraná fui chefe da secção chamada, na época, INFANTO-JUVENIL nos primeiros anos de criação dessa biblioteca (década de 1950). A censura era rígida, os pequenos leitores não podiam entrar no departamento dos adultos. Havia seleção de títulos, não só para aqueles que seriam acrescentados ao acervo, como também do ponto de vista "moral". Eu tinha um grande entusiasmo em atender essa secção, escolhia os livros, conversava com os leitores. Havia também, aos domingos, um teatro cujos atores eram os leitores. Eu vinha de muita leitura na minha infância e adolescência e gostava, especialmente, de Monteiro Lobato e Mark Twain. Assim, creio, tinha bastante conhecimento para trabalhar nesse setor.

LEITURINHAS - De onde veio seu gosto pelas LEITURINHAS?
MARIA THERESA - Da minha infância, da minha biblioteca particular alimentada pelo Serviço de Reembolso Postal, uma vez que não havia livraria na cidade onde eu morava. Eu morava na Lapa, mas até em Curitiba havia somente uma livraria e nenhuma biblioteca de empréstimo. Meu pai fazia vir muitos livros. Eu e meus irmãos brincávamos, mas líamos muito porque não havia TV. Íamos ao cinema e, no colégio, também fazíamos leituras.

LEITURINHAS - Como você observa a leitura de ontem e a de hoje?
MARIA THERESA - Hoje, sobretudo, não há censura. Vejo também que são os pais, antes de tudo, que criam o hábito de leitura nas crianças. Os interesses também são outros. Contudo, Monteiro Lobato ainda é muito lido.
Há uma espécie de inclinação natural de certas crianças para a leitura e, quando isso acontece, crianças pobres vão às bibliotecas e encontram meios de ler.

LEITURINHAS - Suas LEITURINHAS recomendadas aos pequenos e grandes leitores.
MARIA THERESA - Os livros seriam, basicamente, de ficção, mas também livros científicos adaptados para as crianças. Algumas biografias e livros de História. Para mim, seria, antes de tudo, Monteiro Lobato, Mark Twain, contos de fadas, José Mauro de Vasconcelos. Vejo que há uma grande busca de histórias de vampiros. Confesso-me defasada no conhecimento de novos autores. Há livros eternos, como o Pequeno Príncipe, O Menino do dedo verde e livros de aventuras (no meu tempo, pertenciam à coleção Terramarear).
Acho que, no Brasil, não se ensina poesia e não se faz leitura de poetas. Seria recomendável despertar na criança a noção de versificação, métrica etc.
Existem livros de poesia para crianças, como os de Sidónio Muralha, poeta português que viveu em Curitiba. Enfim, deve-se, sobretudo, conversar e descobrir o interesse do leitor e procurar atendê-lo.