agosto 09, 2012

JULHO - Entrevista e artigos!

ENTREVISTA - NAZARETH AGRA HASSEN
(Publicada originalmente em julho de 2012 em www.leiturinhas.com.br)


Vivo numa pequena casa no Centro Histórico de Porto Alegre. O quintal contém um universo de pequenos insetos, pássaros visitantes, plantas e flores, além de três árvores, uma que dá figos, outra pomelos e a terceira é uma palmeira que dá açaí. Moramos na propriedade de alguns gatos e cães, que adotamos da rua. Além de cuidar deles, somos pedestres, ciclistas, veganos e leitores. Leciono Filosofia em curso de graduação e coordeno a Coleção FILOSOFINHOS, para a qual escrevi os volumes SócratesPlatãoDescartes e Marx.


 
 
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FILOSOFINHOS E SUAS LEITURINHAS


LEITURINHAS – Gostaríamos que você começasse falando sobre sua formação acadêmica, além de comentar quais as suas LEITURINHAS durante a infância/adolescência.
NAZARETH – Na minha infância, não se tinha tanta oferta de Literatura Infantil nem muita facilidade para comprar o que havia, menos ainda no interior do Estado. Então os livros que tínhamos em casa eram relíquias, mesmo os de qualidade literária duvidosa, que na época eu nem conseguia julgar como tal. Em criança e, sobretudo durante a adolescência, li sem parar e li tudo o que me chegava às mãos.  Ajudaram-me imensamente as bibliotecas e as bibliotecárias de escolas. Como fui cliente fiel das bibliotecas, tinha também muita amizade com as bibliotecárias. Elas tiveram importante papel na minha biografia de leitora, porque me sugeriam títulos e me permitiam tirar mais livros do que o máximo permitido, o que era muito importante nas sextas-feiras. Também, como minha mãe é professora, tive muito estímulo para ler. Eu gostava muito de gibis, que comprava com a semanada, juntamente com uma barra de chocolate. Com o HQ e o chocolate, eu me empoleirava em alguma das grandes árvores que havia numa praça em frente a nossa casa. Não me lembro de muitos títulos, além dos livros de Monteiro Lobato e uma edição, que ainda temos em casa, de  "Ou isto ou Aquilo" de Cecília Meireles, hoje com as folhinhas compridas descoladas da capa. Na adolescência, pude me qualificar um pouco mais como leitora e passei a ler muitas obras clássicas, incluídas aquelas que muitos evitam recomendar a jovens. Acho que as pude apreciar por conta de ter feito uma trilha anterior que misturava um pouco de tudo, mas que me preparou para discernir e, assim, apurar o gosto, tomando em conta estilo e forma, não apenas enredo.
Quanto à minha formação, iniciei algumas graduações que abandonei, me tornei comissária de bordo e amadureci um pouco para poder voltar à academia. Assim, graduei-me em Filosofia, fiz Mestrado em Antropologia e Doutorado em Educação. Minha tese de doutorado foi sobre letramento.
LEITURINHAS – Antes de você se envolver com a proposta da coleção FILOSOFINHOS você realizou algum tipo de pesquisa acerca de livros de Filosofia voltados ao público infantil lançados no mercado editorial? Há muitos títulos, no Brasil e no mundo, voltados a esse público?
NAZARETH – Na verdade, não fiz qualquer pesquisa neste sentido. Tinha uma primeira versão da história de Descartes e o que pesquisei foi a reação de crianças para ver se era possível uma compreensão do cógito e do caminho percorrido por Descartes para chegar a ele. Queria, porém, que a história tivesse elementos lúdicos ou alguma forma pela qual a criança se identificasse com o ser filósofo. Como a história por si funcionou, o passo seguinte foi agregar elementos com a ilustração. E a ilustração é fundamental em toda a Coleção porque ela não é meramente ilustrativa, uma vez que Juska, que é um excelente desenhista e criador, produz ilustrações que dialogam com o texto, complementando-o ou dando-lhe uma livre e curiosa interpretação.
LEITURINHAS – O primeiro volume dedicado a René Descartes se mostra em versão bilíngue, trazendo textos tanto no português do Brasil quanto no francês, língua original de Descartes. Gostaríamos que você falasse um pouco acerca do porquê de trazer a língua mãe, algo importante ainda que complexo, sobretudo quando se trata de autores gregos ou alemães.
NAZARETH – A Coleção é sempre bilíngue com o francês, mesmo no caso de filósofos de outras nacionalidades. Gosto da ideia de aproximar o francês do português, e acho que as crianças podem se beneficiar ao conhecerem uma língua tão bonita, rica e que teve importante influência no Brasil. Causa-me estranheza que muitos adultos sequer consigam identificar que língua é aquela! Por outro lado, não vejo muita dificuldade em versões para o alemão, espanhol e mesmo grego, que estão inclusive no horizonte da Coleção.
LEITURINHAS – Sabemos que os círculos acadêmicos de Filosofia são um tanto quanto conservadores no Brasil. Que tipo de repercussão as edições já lançadas da coleção FILOSOFINHOS você já leu ou ouviu?
NAZARETH – Estudei em uma faculdade de Filosofia, em Universidade Federal, na época altamente conservadora, e lembro que o livro O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder), que é de uma inteligência impressionante, era muito negado. Algumas pessoas temem que a Filosofia se liberte dos templos acadêmicos, e não é por não se darem conta de que o mundo só tem a ganhar com isso, desde que se produzam materiais que não sejam simplistas, sejam corretos e ao mesmo tempo facilitem a compreensão para os leigos. Penso que se trata de um raciocínio medíocre de "reserva de mercado de saberes".
Nunca pesquisei muito, mas até hoje não me chegaram apreciações de colegas, falando bem ou falando mal. Por outro lado, concordo que deve haver muito cuidado com falsas apropriações do fazer filosófico que possam levar a equívocos conceituais e por isso defendo que a Filosofia só deva ser ensinada por pessoas com formação ou reconhecido conhecimento de Filosofia. No caso da Coleção FILOSOFINHOS, as obras passam por várias fases, muita discussão, muita reformulação, testes de recepção com crianças e muito cuidado em todas as fases da produção de cada título.
LEITURINHAS – Em seus estudos e formação, qual autor da Filosofia teve o maior impacto?
NAZARETH – Muitos filósofos foram importantes para a minha formação, e embora goste muito de Wittgenstein no Tractatus, não sou "filiada' a nenhuma corrente filosófica. Tenho muitas reservas com pensadores contemporâneos muito incensados, mas que me parecem requentar filósofos anteriores e ainda me parecem sem condições plenas de explicar a contemporaneidade (talvez até por ela ainda estar em curso). Prefiro ler filósofos do século XIX E XX do que os filósofos vivos.
LEITURINHAS – Por último, sempre perguntamos quais LEITURINHAS você recomenda aos nossos leitores?
NAZARETH – Esta pergunta é ao mesmo tempo fácil e difícil de ser respondida. Fácil porque há muito boa literatura para criança. Na facilidade, reside a dificuldade que lhe decorre, isto é, selecionar. Os livros infantis de Mário Quintana são obrigatórios para as crianças. Recomendo dos autores contemporâneos Angela Lago, Leo Cunha, André Neves, Celso Gutfreind, Adriana Falcão, autores que combinam a leveza, o humor, a qualidade do texto e o talento para a narrativa. Dos estrangeiros, Eduardo Agualusa, Daniel Pennac e Saramago nas suas incursões pela Literatura Infantil.


KAZUO EM QUADRINHOS
(Publicado originalmente em julho de 2012 em www.leiturinhas.com.br)

A ESTÉTICA DAS HQ’S E O UNIVERSO DO ROCK PESADO
Por Alexandre Kazuo


Anteriormente mencionamos nesta coluna algumas capas de discos de heavy metal concebidas por ilustradores aclamados das HQ’s. Foi o caso da capa de ‘Worship Music’ álbum que a banda norte-americana Anthrax lançou em 2011, uma das muitas desenhadas por Alex Ross de encomenda para o quinteto novaiorquino de thrash metal. Ross ficou famoso por seus trabalhos como ‘Marvels’ pela Marvel Comics e ‘Reino do Amanhã’ pela DC Comics. Assim como também mencionamos as afinidades entre a banda também yankee Iced Earth junto a Todd McFarlane, o universo do personagem Spawn e seus criadores. A ligação entre o projeto visual do rock pesado e as HQ’s vai longe e vem de muito longe. Em junho foi lançada nos EUA mais uma série envolvendo a banda de hard rock Kiss e uma história em quadrinhos. O projeto será trazido pela editora IDW pouco conhecida no Brasil. Seus autores Chris Ryall e Tom Waltz também não são exatamente superstars do mercado.

Surgido na década de 70 do século XX o Kiss, liderado por Gene Simmons (baixo/voz) e Paul Stanley (guitarra/voz) tornou-se uma banda influente desenvolvendo o que muitos descrevem como hard rock, posteriormente influenciando muitos músicos do heavy metal. O aspecto visual era importante, pois a banda se tornou famosa por ostentar as maquiagens que caracterizavam a face de cada um dos seus quatro integrantes. Inicialmente desprezados pela critica musical séria os álbuns de estúdio da banda ficavam em segundo plano se comparados as suas performances em cima do palco. O apelo junto ao público infantil também era forte tendo sido a banda da infância de muitos músicos do rock pesado posterior. Nos anos70 a editora Marvel Comics publicou histórias envolvendo os personagens que o Kiss oferecia. A máscara de Gene Simmons era tida enquanto ‘Batlizard’ (algo como ‘morcego lagarto’) ou ‘the demon’ (‘o demônio’). A fantasia de palco de Simmons tinha asas de couro como um morcego e a alusão ao lagarto se dá pelo fato do mesmo exibir sua língua descomunal e feia. A estrela no olho direito de Paul Stanley fazia-o se denominar ‘Starchild’ ou o filho da estrela. O guitarrista Ace Frehley era o ‘ás do espaço’ ou ‘Space Ace’ em inglês um trocadilho com seu próprio nome. O baterista Peter Criss era ‘Catman’ ou o ‘homem gato’ pois os traços de sua maquiagem propositadamente lembravam a face de um felino.

O Kiss abandonou as máscaras no inicio dos anos 80 tendo também sofrido alterações na formação ao longo dos muitos anos de carreira. Na metade dos anos90 aformação daquela época se apresentou no MTV Unplugged norte-americano, mais precisamente em 1996. Simmons e Stanley tinha junto a si Bruce Kulick (guitarra) e o aclamado baterista Eric Singer. Ace Frehley e Peter Criss foram convidados para uma participação especial. Consequentemente a formação original se reuniu para shows e em 1999 lançou o álbum ‘Psycho Circus’. A campanha de divulgação do disco incluiu uma nova série em quadrinhos, desta vez encomendada junto a Image Comics que se via extremamente badalada naquele período. ‘Kiss Psycho Circus’ foi entregue a produção executiva de Todd McFarlane então muito bem sucedido com seu personagem Spawn. ‘Kiss Psycho Circus’ foi lançada no Brasil pela editora Abril em três edições. O roteiro é de Brian Holguin e s ilustrações e foram feitos por diferentes profissionais com histórias que davam personalidade a cada um dos integrantes, determinados pelas máscaras e seus significados. Segundo os mais entendidos os roteiros poderiam trazer correlações da HQ com o conceito do pouco lembrado álbum ‘Music From The Elder’ de 1981.

Ainda não há previsão de lançamento aqui no Brasil da série do Kiss lançada pela editora IDW.




VIDEOTECA
(Publicado originalmente em julho de 20212 em www.leiturinhas.com.br)

ENFIM BATMAN RESSURGE!
(por Alexandre Kazuo)

Julho é inverno para o Leiturinhas obviamente porque o site é brasileiro. Nos EUA onde os lançamentos de Hollywood são originalmente produzidos e são lançados primeiro quando a estréia não é mundial, julho é verão momento dos grandes blockbusters surgirem. O filme ‘Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ já foi mencionado de leve, tanto neste espaço quanto na coluna Kazuo em Quadrinhos. Já se tem um numero absurdo de banners e posters vagando pela internet. De imagens oficiais ou não oficiais que vazaram por You Tube, este que vos escreve conferiu aquela que a Mulher Gato/Anne Hathaway destrói câmeras acidentalmente numa motocicleta que desce uma escadaria de um prédio suntuoso. Há um tom mais sombrio do que nunca nos anúncios e um slogan que diz que a saga termina neste filme. Ao menos a saga segundo o diretor Christopher Nolan que ressuscitou Batman após os filmes não tão bons produzidos no fim da década de 90.

Nolan assumiu o personagem no discreto ‘Batman Begins’ (2003) que deu certo exatamente por não ter causado tanto alarde. O roteiro era forte evocando as primeiras aventuras de Bruce Wayne vislumbradas por Frank Miller no aclamadíssimo ‘Ano Um’ das HQ’s. Christian Bale personificou um bom Batman/Bruce Wayne e o treinamento da juventude foi enfocado com a trama apresentando vilões menores como o enigmático Rah’s Al Ghul (vivido pelo ator japonês Ken Watanabe) e o Espantalho (Cillian Murphy). Mafiosos de Gothan City, Henry Ducard (um ‘capanga’ de Rha’s Al Ghul vivido por Liam Nesson) e um surpreendente tenente Gordon muito parecido com o das HQ’s interpretado por Gary Oldman; patrocinaram a volta da credibilidade de Batman junto a Warner. O desfecho de ‘Batman Begins’ ensaiava uma aparição do Coringa que acontece no retumbante ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas’ que estreou três anos depois. Apesar do título não se trata de uma adaptação do ‘Cavaleiro das Trevas’ de Frank Miller, embora ali resida alguns aspectos do conceito da citada HQ como os questionamentos de Bruce Wayne para consigo mesmo acerca do manto do morcego.

A trama e a produção de ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas’ já eram bem mais ambiciosas. O promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart) comparece para se transfigurar no Duas Caras. Heath Ledger personifica um Coringa insano e despudorado fazendo com que o Coringa de Jack Nicholson do clássico ‘Batman’ (1989) de Tim Burton pareça um clown romântico. O Coringa de Nicholson seria indiciado por vandalismo num museu. O Coringa de Ledger explodiu um hospital e fugiu, concedendo a seu interprete um Oscar póstumo, pois Ledger falecera pouco depois da conclusão do filme. ‘Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ tem anunciado dois vilões. A Mulher Gato ganhou uma personificação icônica e imortal graças a Michelle Pfeifer em 1992 no ‘Batman Returns’ também de Tim Burton. Em entrevista para a Rolling Stone Brasil de junho, Pfeifer elogiou a escolha de Anne Hathaway que mais recentemente se destacou em ‘O Diabo Veste Prada’ e no doloroso ‘O Casamento de Rachel’. Resta saber se as relações afetivas tensas que víamos entre Selina Kyle/Pfeiffer e Bruce Wayne/Michael Keaton no filme de Tim Burton serão bem reproduzidas pela dupla Hathaway-Bale.

As já divulgadas cenas de ação e pancadaria se darão entre Batman e o monstruoso Bane. Bane é um vilão um tanto quanto inútil que protagonizou a saga ‘A Queda do Morcego’ vista no Brasil pela Editora Abril na metade dos anos 90. Bane utilizava uma espécie de anabolizante injetado em si mesmo pelos cabos que ligavam seus braceletes a seu capacete, recurso que expandia seu metabolismo e já avantajada capacidade física. Na citada ocasião, Bane causou sérios danos à coluna vertebral de Bruce Wayne que precisou contar com Jean Paul Valley, mais conhecido como Azrael, o anjo vingador da ordem de São Dumas. Valley vestiu o manto do morcego por umas vinte edições até que Wayne se recuperasse após ficar temporariamente paraplégico. Um Bane mais inútil ainda apareceu no patético filme ‘Batman & Robin’ (de Joel Schumacher/1997) fazendo uma ‘ponta’ como guarda costas da Hera Venenosa/Uma Thurman. Em ‘Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ é o ator Tom Hardy quem viverá Bane dando a impressão de que a presença do mesmo será bastante funcional nesta trama.

A trilogia se encerra com este filme. Declaradamente o diretor Christopher Nolan afirmou que não voltará a trabalhar com o personagem. Cogita-se uma nova série num expediente parecido com que a Marvel/Universal está proporcionando ao Homem Aranha. Mais além há indícios de que a DC Comics estaria pensando num filme com a Liga da Justiça para de forma desesperada tentar retalhar o sucesso de ‘Os Vingadores’ obtido pela Marvel. ‘Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ tem estréia marcada para 27 de julho.

Teaser

- Com o encerramento da franquia Batman, a DC/Warner realmente pode estar desesperada no que diz respeito a empreendimentos cinematográficos envolvendo super-heróis. A Marvel/Universal tem conseguido tornar sucesso todas as suas produções. O filme do Lanterna Verde visto ano passado não rendeu a repercussão esperada. Além do rumor acerca de um filme da Liga da Justiça que citamos acima haveria um bizarríssimo projeto envolvendo os obscuros Homens Metálicos. Os Homens Metálicos teriam sido criados a partir dos elementos metálicos da tabela periódica e protagonizaram histórias editadas pela DC em 1962. Os personagens podem ser obscuros, mas numa produção ambiciosa poderia residir aí uma boa resposta ao Homem de Ferro...

- Tentando manter a freguesia de suas bem sucedidas adaptações a Marvel/Universal promove a estreia de ‘O Espetacular Homem Aranha’ no dia 06 de julho.

- Sobre o badalado ‘Branca de Neve e o Caçador’ com certeza haverá algo neste LEITURINHAS, só não sabemos ainda se será aqui na VIDEOTECA ou na coluna RELEITURINHAS...