fevereiro 07, 2012

Artigo - RELEITURINHAS

OS SEGREDOS DAS PRINCESAS
Por Carla Kühlewein
(Artigo exibido originalmente em janeiro de 2012 em www.leiturinhas.com.br)

Quando o assunto é “segredos da realeza”, os escritores literários não economizam na irreverência, principalmente se os tais segredos dizem respeito às mais cobiçadas representantes, perfeitas (ou quase), do universo feminino nos contos de fada: as princesas.  Rapunzel, Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida... basta uma pequena referência a uma dessas personagens e as lembranças logo se assomam e apontam para um mesmo fim: o modelo perfeito do comportamento feminino. “Perfeito pra quem?”, contestam escritores, leitores e simpatizantes de plantão.
A imposição de um padrão de beleza e de comportamento ao universo feminino não é privilégio da contemporaneidade. No entanto, a quebra desses mesmos paradigmas é sem dúvida uma recorrente, basta lembrar de Fiona, protagonista da aclamada animação SHREK. Nessa linha outras tantas obras literárias surgem e ressurgem aos milhares, cada qual com novas RELEITURINHAS, que contestam, rompem estereótipos cristalizados há tempos pela coletividade humana, nem sempre, ou quase nunca, detentora da razão.
Ruth Rocha, dentre uma legião de escritores, vislumbrou há um bom tempo a quebra de paradigmas próprios dos contos de fada no livro PROCURANDO FIRME, RELEITURINHA um tanto quanto irreverente se considerarmos a trajetória de uma princesa que se dá ao luxo de torcer o nariz para o príncipe, usar calça comprida e fazer aulas de esgrima. Uma princesa nada feminina para os padrões clássicos.
Pois bem, a Literatura Infantil está repleta de obras que tentam “masculinizar” princesas e atribuir-lhes dotes nada comuns. Parece que os artífices da palavra estão levando a sério o belo verso de Cecília Meireles: “A vida só e possível reinventada”. E eis que as reinvenções não cessam, ao contrário, multiplicam-se a perder de vista.
A criatividade ilimitada desses criadores de novas histórias dá espaço à aproximação dessas “semi-deusas” da realeza ficarem assim um pouco mais... reais. A ponto de se suscitar questionamentos um tanto quanto humanos como: será que as princesas fazem coisas iguais a nós como soltar pum, por exemplo?. É exatamente esse o questionamento levantado pela menina Laura, personagem central do livro de Ilan Brenman, em ATÉ AS PRINCESAS SOLTAM PUM.  
O título da obra é curioso, como provavelmente o são também seus leitores. Afinal, quem não gostaria de desvendar esse “cabuloso” mistério? Estrategicamente Ilan designa a figura do pai como o revelador desse instigante segredo, já que é ao pai que a curiosa Laura pergunta “As princesas soltam pum?”. Para espanto ou admiração do leitor, o pai confirma “Acho que sim, as princesas soltam pum”. 
A partir daí a curiosidade de Laura, e a do leitor, aguça. O que leva o pai a resgatar da sua imponente biblioteca o “Livro secreto das princesas”. E quem poderia imaginar que haveria algo do tipo? A descoberta não para por aí, folheando as páginas do portentoso livro o pai revela a existência de um capítulo específico sobre o assunto em questão: “Problemas gastrointestinais e flatulências das mais encantadoras princesas do mundo”. Não é preciso fazer muita força para imaginar o teor das explicações contidas em tão sugestivo capítulo...
Parece que as princesas estiveram por séculos a esconder segredos e mais segredos, alguns até comprometedores. Seja como for, imaginar que as princesas, como nós, também sofrem de problemas gastrointestinais é ou não é um motivo e tanto para fazer mais e mais RELEITURINHAS?
              O convite está feito! O Ilan agradece... nós também!
    Boas RELEITURINHAS!

fevereiro 01, 2012

Artigo - Kazuo em Quadrinhos

PREVIEWS
Por Alexandre Kazuo
(Artigo divulgado originalmente em janeiro de 2012 em www.leiturinhas.com.br)


Alguns personagens de HQ’s já bem sucedidos no cinema ganharão novas sequências. Estaremos recordando como foram e vislumbrando como serão estes novos filmes. Batman pertencente à editora DC Comics pode ser tomado enquanto um dos primeiros grandes blockbusters hollywoodeanos oriundos das HQ’s. A geração atual ouve falar do diretor Tim Burton relacionado à Alice no País das Maravilhas, mas a primeira experiência de Burton com um projeto realmente ambicioso foram os Batman, de 1989, e Batman Returns, de 1992. A estética sombria, expressa em Edward Mãos de Tesoura, que evocava elementos góticos teve os mesmos elmentos aplicados de maneira plástica ao universo de Batman, oferecendo um resultado final visualmente funcional. Vale recordar a performance de Jack Nicholson como Coringa no filme de 1989 e a trama psicológica complexa do triângulo Batman (Michael Keaton), Mulher Gato (Michelle Pfeiffer) e Pinguim (Danny De Vitto), no filme de 1992. Michael Keaton um grande ator, aliás bastante contestado e subestimado na época em que foi escolhido para o papel.
Batman teve duas outras incursões pelo cinema conduzidas pelo diretor Joel Schumacher uma razoável em Batman Eternamente (1995) com o destaque para Jim Carrey como Charada, além de Batman & Robin (1997) dotado de elenco estelar, mas que virou motivo de piada. Demorou para a Warner voltar a confiar no personagem retomando a franquia com o bom Batman Begins (2003) formando um time vencedor que trazia Christian Bale (Batman), Gary Oldman (Tenente Gordon) e Michael Cane (Alfred) além do diretor Christopher Nolan. Tomando roteiros dos quadrinhos de maneira respeitosa o mesmo time foi responsável pelo afrontador Batman O Cavaleiro das Trevas (2007) que rendeu Oscar póstumo a Heath Ledger, responsável pela mais despudorada encarnação do Coringa nos cinemas. Estes dois Batman de Christopher Nolan prezaram roteiros aclamados de Frank Miller e há fortes referências a Batman Ano Um e O Cavaleiro das Trevas, que Miller escreveu para os quadrinhos. Na época do Batman Begins Christian Bale chegou a questionar publicamente como nenhum estúdio havia se interessado por realizar uma adaptação cinematográfica para Asilo Arkhan, obra-prima dos quadrinhos do Batman escrito por Neil Gaiman. Banners de divulgação de Dark Knight Rises, além de curtos teasers, já figuram pela internet. Imagens de bastidores dos sets de gravação vazam oficial e extraoficialmente no You Tube há mais de seis meses. A previsão de estreia se dá para 2012 e todo o time de Christopher Nolan se vê confirmado com a adição de Anne Hathaway no papel de Mulher Gato. O monstruoso vilão Bane também figura em um dos teasers.

A última edição da Comic Com, convenção de quadrinhos que aconteceu nos EUA em julho de 2011 mais exatamente em San Diego (Califórnia), trouxe algumas novidades em relação ao personagem Wolverine da Marvel Comics. Alguns sites especializados trouxeram notas vindas da boca do próprio Hugh Jackman. Segundo o ator, o projeto The Wolverine parece ter sido ativado e trata-se da sequência de X-Men Origens – Wolverine (2009). Antes do evento, as noticias davam conta de que The Wolverine havia sido ‘engavetado’. O diretor que originalmente tomou o projeto foi Darrel Aronofski que ganhou os holofotes da mídia com O Lutador (2009), filme que reabilitou a carreira do ator Mickey Rourke. Com a reputação positivamente catapultada Aronofski foi aclamado recentemente com o filme Cisne Negro.  Uma vez que as locações de The Wolverine se darão no Japão, Aronofski infelizmente deixou o projeto pois a logística territorial afetaria sua agenda.

O diretor James Mangold foi colocado a frente de The Wolverine e o vilão Samurai de Prata já foi confirmado na trama que também terá a vilã Lady Lethal. Se de fato as tramas de The Wolverine se derem no Japão haveria um ponto de partida interessante nos roteiros se estes forem baseados nos roteiros dos quadrinhos de Wolverine. Nas HQ’s Logan teve uma aproximação com Mariko Yashida herdeira do clã Yashida, tendo quase se casado com ela. Kenuicho Harada o Samurai de Prata é meio irmão de Mariko. O experimento que possibilitou revestir o esqueleto de Logan com o adamantium fora desenvolvido pelo japonês Lorde Vento Negro, pai de Yuriko Oyama, a Lady Lethal. Uma vez que Logan pode ter mais de cem anos, muitas histórias escritas entre os anos 80 e os anos 90 do século XX abordaram as possibilidades de Logan ter sido treinado por samurais no Japão medieval. Algumas histórias do período em que Frank Miller assumiu o título Wolverine entre os anos 70 e 80 também se passavam na terra do sol nascente. Aguardemos!


Em tempo:

- A Associação de Luta Contra o Câncer de Moçambique lançou mão de uma campanha ao mesmo tempo inusitada e singela. Tempestade (dos X-Men), Mulher Hulk, Mulher Gato e Mulher Maravilha ilustram a campanha onde seus respectivos desenhos focalizam seus bustos onde as mesmas realizam o movimento do autoexame preventivo do câncer de mama.

- O último mês de dezembro marcou algumas despedidas, ambas coincidentemente no último dia 15. Jerry Robinson, ilustrador e criador do Coringa, faleceu de causas ainda não reveladas. Robinson que já havia sofrido um infarto há alguns anos era assistente de Bob Kane, o criador do Batman. Juntamente com Kane, Robinson co-criou o Robin. Quando criou o Coringa, Jerry Robinson com certeza não imaginou que o vilão teria personificações cinematográficas tão enaltecidas como as que citamos pouco acima vividas por Jack Nicholson e Heath Ledger. A outra perda foi Joe Simon, que criou o Capitão América junto a Jack Kirby. Apesar de ter sido derrotado pela editora Marvel em processos judiciais acerca dos direitos autorais do personagem; Simon deve ter descansado em paz após ver a convincente adaptação cinematográfica de seu personagem lançada durante 2011. Anteriormente o Capitão América ‘colecionou’ aparições ruins em filmes e séries televisivas. Joe Simon faleceu aos 98 anos e a causa de sua morte também não foi revelada.

Entrevista com Leny Fernandes Zulim

 O ENSINO DAS LEITURINHAS
(Entrevista divulgada originalmente em janeiro de 2012 no site www.leiturinhas.com.br)

 É mestre em Letras pela UEL, atuou nas redes públicas e privadas de ensino em Apucarana e Arapongas, integrou a Equipe de Ensino do NRE de Apucarana por cerca de uma década. No ensino superior foi professora de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira na UNOPAR (campus de Arapongas) até 2007, quando o Curso de Letras foi extinto. De 1997 a 2011 integrou o Corpo Docente da FAFIJAN desempenhando as seguintes funções: professora de Literatura Brasileira; Literatura Infanto-Juvenil-não só no Curso de Letras, mas também, no Curso de Pedagogia; coordenadora do Departamento de Letras. Atualmente pertence ao Corpo Docente da Pós-Graduação da FAFIJAN e é secretária geral da Academia de Letras, Artes e Ciências Centro-norte do Paraná, da qual é integrante desde a sua fundação.
Além do livro Literatura no Ensino Fundamental: da teoria às práticas em sala de aula, publicou também Leitura Literária: uma proposta concreta de trabalho e Via Poesia, além de inúmeros artigos em revistas científicas. Seu grande sonho é ver jovens e crianças curiosos, buscando o conhecimento, fazendo da leitura - sobretudo a literária - um instrumento para se tornarem melhores, mais reflexivos, analíticos, solidários e generosos. Afinal, é pela educação e pelo conhecimento que nos tornamos mais humanos, acredita ela.
Por seu último livro recebeu Moção de Aplauso pela Câmara municipal de Apucarana.


LEITURINHAS - Qual a história de suas LEITURINHAS?
LENY - Nossa, isso vai longe! Quanta recordação!!! E o interessante: todas ótimas! E haja espaço nessa entrevista para tanto. Passei quase toda minha infância no sítio. E posso garantir que o colorido desse tempo me veio sempre das leituras, cheias de todos os diminutivos que se possam pensar em termos de afeto com esses livros. Os Contos Vespertinos, veiculando valores e bons ensinamentos (lembro ainda em detalhes praticamente de todos, e, importante: permanece em minha biblioteca intacto, ainda que com a capa pedindo socorro!); O Sítio e As caçadas de Pedrinho (esse último ganhei da minha professora do terceiro ano porque tive a melhor nota). Ganhei também um livro de um tio chamado Leituras Seletas, que devorei. E aí, minha história de leitura se solidifica com a figura do meu pai lendo em voz alta para mim, meu irmão e minha mãe. Como afirmo em meu livro, terminada a leitura, quando íamos dormir, para mim a viagem continuava: ora passeando pelas ruas de Paris ou Londres, junto com o Pimpinela Escarlate... (história linda de amor e abnegação de um ser para salvar tantos outros...); pela Londres cheia de fog com O príncipe e o mendigo (como torcia para que aqueles dois pobres meninos parassem de sofrer); ora cavalgava audaz com um d'Os três mosqueteiros (quase sempre D'Artagnan); quanto sofri com Quasímodo, Esmeralda e Jean Valjean (Ah! O dia em que pude entrar e me ajoelhar na Catedral de Notre - Dame de Paris ... adulta que era, voltei a ser a menina que ouvia encantada as LEITURINHAS de meu pai e me flagrei tentando ouvir qualquer indício de Quasímodo vindo das torres...);  O tronco do Ipê do Alencar (que encantamento com a figura de Mário, Alice, Pai Benedito...). Tantos outros personagens vivos em minha memória... Na cidade, no que hoje chamamos "Ensino Fundamental", marcou-me entre outras leituras O meu pé de laranja lima. Era pura emoção do começo ao fim, ora ria, ora chorava com o sofrimento de Zezé. E não pude acreditar, na época, que Deus tivesse permitido a morte do Portuga, deixando o menino órfão de quem lhe deu mais afeto... No hoje chamado "Ensino Médio", cursei o Normal, formando-me professora do então curso primário... Nele, com minha professora de Língua Portuguesa, descobri Camões e Os lusíadas, que tivemos que ler por completo e fazer estudo de um dos cantos para a turma. Em meu Curso de Letras travei conhecimento e me fiz íntima das obras de Jorge Amado (li de "um fôlego só" Capitães da Areia, Subterrâneos da Liberdade, Tenda dos Milagres) e Érico Veríssimo (com que arroubo li Incidente em Antares e O tempo e o Vento). Tem mais, muito mais, o que falta é espaço. Como não acreditar, então, que a literatura forma como a própria vida, como afirma Candido? Eu sou um exemplo disso.  
LEITURINHAS - Quais os principais desafios de um professor de Literatura?
LENY - Que pergunta complicada!!! São tantos e tão diversos os desafios que o professor precisa enfrentar para formar o leitor...  Falemos rapidamente de alguns. O primeiro talvez seja um dos mais importantes, pois se ele estiver presente na prática docente conseguirá minimizar a influência dos novos tempos com a informática, a internet e a TV, apontados, normalmente, como os vilões que emperram o trabalho do professor: antes de qualquer coisa, o professor precisa ser um leitor, viciado em leitura, apaixonado, capaz de se encantar com o enredo de um livro. Dessa forma ele não ficará indiferente a esse desafio e acabará contagiando seus alunos. Mas temos outros. É verdade não mais questionada que um ambiente rico em leitura contribui para a formação do leitor. Mas é verdade também que a absoluta maioria dos nossos alunos não tem um ambiente assim em suas vidas. Essa situação acaba transferindo para a escola (professor no meio do furacão) toda a responsabilidade de formar o leitor, pois ela é, para muitos, a única oportunidade de travar contato com esse mundo. Comento um terceiro desafio. Os demais podemos discutir em outra oportunidade, porque o tema é instigante. Lembro aqui, com tristeza, o espaço mínimo que tem a literatura nos currículos: no Ensino Fundamental o professor precisa se desdobrar para trabalhar todas as frentes (leitura, produção textual e língua portuguesa). E não há definição de tempo para cada uma delas. Assim, fica quase sempre a critério do professor essa divisão, o que significa dizer que enquanto algumas turmas têm garantido o espaço para essa leitura, outras nem tanto. No Ensino Médio a coisa não está melhor. O quase esquecimento da literatura fica provado se tomarmos os últimos exames do ENEM. Ela praticamente inexiste. E no curso de Letras, que forma o professor dessa disciplina, a carga horária minúscula para trabalhá-la acaba por colaborar, diretamente, para com o panorama observado em nosso cotidiano no que diz respeito ao assunto.
LEITURINHAS - No lançamento de seu livro (10.10.2011) LITERATURA NO ENSINO FUNDAMENTAL - DA TEORIA ÀS PRÁTICAS EM SALA DE AULA você afirmou que "O ato de ler e de escrever é um ato solitário que ao término se faz solidário" e em seguida mencionou "A gente nunca escreve para deixar guardado na gaveta. É preciso socializar o que se fez". Comente a relação entre essas duas afirmações.
LENY - Sim, eu afirmei isso e veja que não há contradição. Ler e escrever são atos que, normalmente, ocorrem no silêncio e na solidão, pois exigem concentração absoluta, reflexão. Isso, contudo, não significa que o autor esteja desligado do mundo, isolado em sua Torre de Cristal (crítica que os parnasianos e simbolistas sofreram e sofrem). Não. Apenas são atos que necessitam de certo isolamento. Quando se termina de escrever algo, quando se mira o resultado, sente-se, então, a necessidade de compartilhá-lo, sobretudo porque escrevemos para marcar posição, para expor nossa visão de mundo, nossos valores. Nesse momento ele se faz solidário, pois socializar o que se escreve é, em síntese, assumir um compromisso com a sociedade na qual nos inserimos, marcando nossa postura ante os acontecimentos.
LEITURINHAS - No mesmo dia de lançamento do livro, você afirmou ainda que "A literatura é  um instrumento para a  melhoria do texto". Comente um pouco sobre isso.
LENY - Sim, afirmei e, mais uma vez digo que essa afirmativa não contradiz a ideia de leitura literária como gratuidade e prazer, que prego, tomando as ideias de Candido e tantos outros teóricos. Veja, a literatura, como ensina Candido, forma como a própria vida, trazendo todas as nuanças que ela nos apresenta. Assim, a formação que propicia não se alinha com a da escola, repleta de métodos e disciplina. Contudo, quem lê por mero prazer, acaba assimilando um conhecimento maior sobre o idioma, ampliando o repertório do léxico, o domínio da sintaxe, escrevendo melhor por consequência. Concluo: a leitura gratuita e prazerosa traz, por tabela, maior conhecimento do idioma em todos os seus aspectos, porém de forma livre e prazerosa.
LEITURINHAS - Quais as dicas básicas que você daria para o professor de Literatura que tenta superar a difícil missão de incentivar a leitura?
LENY - No primeiro capítulo do meu livro apresento várias "dicas" que podem auxiliar o professor nessa tarefa. Em função do espaço comento algumas:
Ler com os alunos e para os alunos. Essa postura solicita do professor duas atitudes diferentes, mas que relacionam estreitamente. No primeiro caso, o professor deve, ao oferecer um tempo para leitura aos seus alunos (e falo de forma específica sobre a leitura do texto literário), ler também para dar exemplo. Dessa forma, além de ser exemplo, pode motivar o aluno a querer saber algo sobre o que o professor está lendo... No segundo caso, reservar um tempinho, seja no horário de liberar os alunos para o intervalo ou ao término da aula, para surpreendê-los com a leitura de um belo poema, de um rápido conto ou crônica, mesmo uma obra mais extensa, que pode ser lida em etapas, com os alunos aguardando o final.
Ter sempre uma caixa com livros, revistas, jornais e gibis na sala, fazendo dessas leituras um prêmio para o aluno. Essa caixa precisa ser apresentada à turma como um prêmio. Ao aluno que cumpre o solicitado pelo professor de forma satisfatória e antes de outros colegas, é dado o prêmio de ir até a caixa e escolher o que ler. Óbvio que nessa caixa o professor precisa selecionar materiais interessantes e que chamem a atenção da garotada.
Um professor leitor. Tudo isso, porém não ajudará em nada se o professor não for um leitor apaixonado. Não sendo ele um leitor, não conseguirá motivar os seus alunos, pois faltará o elemento chave que ajudará a formar o leitor: ele não saberá motivar e instigar seus alunos à leitura, falando das mais diversas LEITURINHAS com paixão e encantamento.

LEITURINHAS - Quais as LEITURINHAS que você indicaria para os pequenos e grandes leitores?
LENY - Gostaria de indicar muiiiiitas! Mas vamos a algumas. Aos pequenos não posso deixar de indicar clássicos como os encantadores contos de fadas e outros textos que vieram como consequência, entre eles Pinóquio, Alice no país das maravilhas, Peter Pan. Também livros como As aventuras de Tom Sawyer, A ilha do Tesouro, a coleção Abracadabra inteira, com destaque para A casa sonolenta, A bruxa Salomé e Os meus porquinhos; os livros de nosso Lobato e, contemporaneamente, alguns belos exemplares da sólida literatura infanto-juvenil brasileira: A fada que tinha ideias, Amigos secretos, O canto da praça, O fantástico mistério de Feiurinha, as aventuras com os karas (A droga da obediência, Pântano de Sangue, O anjo da morte, A droga do amor e Droga de Americana). Tem mais: Além da floresta mágica, As batalhas do castelo, Chapeuzinho Amarelo, Pintinho Pelado, A bolsa amarela, Corda Bamba, O menino mais bonito do mundo, o Menino da Lua...
Para os "grandes leitores" sugeriria Trapo (Cristóvão Tezza); O ciclo das águas (M. Sclyar); os novos contos de fadas de Marina Colasanti (Uma ideia toda azul, Entre a espada e a rosa, Doze reis e a moça no labirinto do vento, Longe como o meu querer e De seu coração partido). E faço questão de indicar dois estrangeiros que me encantaram, li num rompante e me apaixonei: O tempo entre costuras da espanhola Maria Dueñas e a trilogia Milennium, do sueco Stieg Lars.

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