maio 10, 2012

ARTIGOS

VIDEOTECA

O ESPETACULAR HOMEM ARANHA
Por Alexandre Kazuo
(Publicado originalmente em abril de 2012 em www.leiturinhas.com.br)

Em 2012 teremos uma nova incursão cinematográfica com o personagem Homem Aranha. Já tivemos três bem sucedidas, nas quais o ator Tobey Maguire personificou muito bem o fotógrafo jornalístico Peter Parker, alter ego do herói. Homem Aranha (Spider Man no original) foi criado por Stan Lee e Jack Kirby, no ano de 1962, sendo publicado pela Marvel Comics. Em muitas oportunidades da existência editorial do personagem, o mesmo se vira dotado de grande popularidade. Peter Parker era jovem e inseguro, foi um dos alter egos mais ‘normais’ já surgidos no universo Marvel, algo que apenas contribuiu para a construção do carisma que sempre acompanhou o Homem Aranha. Os leitores se identificavam facilmente. Parker também tinha namoradas, como a loira Gwen Stacy ou a supermodelo Mary Jane. Nos quadrinhos as coisas eram um pouco diferentes dos roteiros campeões de bilheteria. Parker ganhou poderes após ser picado por uma aranha radioativa. O lançador de teia era uma ‘engenhoca’ construída pelo próprio Parker. Nos filmes os roteiros foram contemporanizados, a aranha era geneticamente alterada e a teia uma função fisiológica adquirida por Parker após ser picado.

Gwen Stacy nos quadrinhos foi assassinada pelo Duende Verde, numa história dramática e ainda hoje cultuada por muitos fãs. Só depois Parker se envolveu com Mary Jane. A galeria de vilões era chamativa, desde os mais antigos como Abutre, Lagarto, o próprio Duende Verde e aqueles que acabaram bem caracterizados nas telas do cinema, Dr. Octopus e Homem Areia. No fim dos anos 80, a Marvel promoveu a série Guerras Secretas (no Brasil publicada pela ed. Abril), em que o Homem Aranha adquiriu um estranho uniforme negro. Constituído de um tecido alienígena, o uniforme negro do Homem Aranha introduziu no universo dos quadrinhos o conceito do tecido ‘simbionte’. Peter Parker não controlava o tecido que tinha vida própria, mas que aos poucos passava a tomar conta de seu próprio metabolismo. Parker se livrou do tecido o qual encontrou o ressentido fotógrafo Eddie Brock, que por sua vez deixou-se sucumbir pelo ‘simbionte’ tornando-se o monstruoso Venom. Esse detalhe foi muito bem assimilado pelo roteiro do filme ‘Homem Aranha 3’ (2006). Por residir em Nova York, o Homem Aranha também ‘trombava’ com outros heróis como Demolidor além de erroneamente cruzar o caminho de anti-heróis em momentos indesejáveis. O Justiceiro reside na Big Apple assim como Wolverine, uma vez que a escola do professor Xavier também está sediada ali. Entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90 do século XX, o Homem Aranha gerou grande impacto junto ao público, quando foi desenhado pelo então iniciante Todd McFarlane ainda trabalhando para a Marvel.

Este é o Homem Aranha clássico, um dos vários com quem os leitores, fãs do personagem, se depararam ao longo dos anos. Quando um personagem é muito vendido, o mesmo passa por mutações editoriais as quais são feitas em nome de maiores vendagens ou manutenção da grande audiência. Além de um problema que a Marvel tem solucionado ao tornar mais atuais as origens dos personagens nos filmes. As origens vão ficando ultrapassadas e as histórias antigas caducas, exatamente por não terem um final. É o caso citado pouco acima, em que a origem do Homem Aranha nas HQ’s nos anos 60 se dava com uma aranha radioativa, no cinema em pleno século XXI, a aranha era geneticamente modificada. As mais esquisitas histórias já foram escritas não apenas tendo o Homem Aranha, mas qualquer herói campeão de vendas. Talvez os que tenham tido mudanças mais acidentadas em seu percurso sejam os X-Men. No decorrer dos anos 90, a Marvel promoveu a ‘Saga do Clone’ (também publicada pela ed. Abril) em que Peter Parker descobre ser um clone de Ben Reily, que seria o ‘verdadeiro’ Homem Aranha. O inusitado mantinha altas vendas por algum momento mas gerava reações não muito agradáveis por parte de alguns fãs. A mais recente ‘mutação’ já foi apresentada nos EUA. O conceito do Homem Aranha foi mantido, mas seu alter ego agora é um garoto afro-descendente.

Atualmente o Homem Aranha tem um apelo muito forte entre as crianças, principalmente entre os meninos. Muito se deve à expansividade da visualização que os três filmes com Tobey Maguire conseguiram obter. Esses garotos, porém cresceram ou estão crescendo e o vindouro ‘O Espetacular Homem Aranha’ terá Andrew Garfield no papel principal e tentará manter a fatia de mercado que a Marvel conseguiu obter com a primeira trilogia. A previsão de estreia se dá para o verão norte-americano deste ano, aqui no Brasil, entre junho e julho.

Teaser:

- Anteriormente mencionado na coluna Kazuo em quadrinhos, a adaptação cinematográfica do mangá/anime ‘Akira’ (de Katsuhiro Otomo) segue em estado de animação suspensa, conforme noticiou o site Omelete. A produção não foi cancelada, apenas passou por um corte orçamentário, em que o absurdo valor inicial de mais de 100 milhões de dólares foi reduzido pelo estúdio para flutuar entre 70 e 90 milhões. Mais precisamente o site Omelete divulgou duas imagens do storyboard feitas antes do diretor Jaume Collet Serra assumir o projeto.

- Um cartaz de divulgação com os dizeres ‘The Wolverine’ estampados sobre uma imagem da bandeira do Japão, cortada de cima abaixo por três garras de adamantium, também circulou na internet nas últimas semanas. Segundo sites especializados a Fox não confirma e nem nega que se trata do cartaz oficial do vindouro novo filme do Wolverine.

 KAZUO EM QUADRINHOS


E MAIS MANGÁS!
Por Alexandre Kazuo
(Publicado originalmente em abril de 2012 em www.leiturinhas.com.br)

Esta coluna Kazuo em quadrinhos já abordou por três vezes o universo dos mangás, os quadrinhos japoneses. Mencionamos o ‘Kamen Rider’ de Shotaro Ishinomori, no Brasil mais conhecido pelas séries tokusatsu televisivas, o ‘Akira’ de Katsuhiro Otomo e mais recentemente ‘Bakuman’ de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, ainda nas bancas pela editora JBC. Como a empreitada editorial de mangás passou a se dar no Brasil de dez anos para cá, apresentaremos aqui alguns títulos já traduzidos.

A Princesa e o Cavaleiro’ de Osamu Tezuka: publicado no Brasil em 2008 pela JBC ‘A Princesa e o Cavaleiro’ tornou-se muito popular no Brasil devido ao seu anime exibido na tv Tupi e tv Record, entre as décadas de 70 e 80 do século XX. Osamu Tezuka atualmente é nome de prêmio concedido a mangá-kas uma vez que o mesmo faleceu em 1991. Para os que cultuam, colecionam ou admiram os mangás, Osamu Tezuka é um nome mítico junto ao do também falecido Shotaro Ishinomori. ‘A Princesa e o Cavaleiro’ tinha um tom leve e absurdamente próximo dos contos de fadas ocidentais. O reino da terra de Prata deveria ser governado por um príncipe, porém a rainha dá luz a uma princesa devido a uma confusão entre anjos celestiais que invertem o sexto da criança. Safiri é uma princesa que a olhos públicos se comporta como um valente príncipe e vive a esconder a verdadeira identidade do desconfiado duque Duralumínio, seu opositor. A obra foi publicada no Brasil muito tempo depois de ter sido editada no Japão. Alguns conceitos do roteiro se mantêm absurdamente contemporâneos e ‘A Princesa e o Cavaleiro’ personifica um dos mangás mais singelos de todos os tempos.

‘Saint Seiya’ (ou ‘Os Cavaleiros do Zodíaco’) de Masami Kuramada: publicado no Brasil pela Conrad e pela JBC. O anime ‘Os Cavaleiros do Zodíaco’ causou histeria entre crianças e adolescentes na metade dos anos 90 quando foi exibido no Brasil. Já no século XXI a Toei Animation japonesa desenvolveu a ‘saga do Hades’ que ainda não havia se tornado anime. Tratava-se da parte final de toda a saga apenas vista no mangá. A repercussão fez com que a Toei criasse uma nova série com a batalha que acontecia 200 anos antes com os cavaleiros que antecederam Seiya e seus amigos, intitulada ‘Lost Canvas’. O ressurgimento da série no oriente coincidiu com a publicação dos mangás no Brasil. ‘Saint Seiya’ teve seu mangá/anime veiculado no Japão entre 1986 e 1989. As histórias em quadrinhos eram publicadas no Shonen Jump. Saori Kido era a encarnação da deusa grega Athena nos tempos modernos. Athena era protegida pelos cavaleiros (‘saints’ ou ‘santos’ no original) do Santuário na Grécia. O mestre do Santuário dá vazão a uma conspiração e tenta assassinar Athena ainda bebê. A criança é salva por Aioros, o cavaleiro de Sagitário, que mortalmente ferido entrega o bebê ao filantropo e milionário japonês Mitsumasa Kido, que visitava a Grécia. Kido cria Saori como neta e de posse da armadura de Sagitário passa a recrutar crianças órfãs que seriam treinadas. A mais qualificada herdaria a armadura de ouro de Sagitário.

Isso é apenas uma breve sinopse. Os jovens são mandados a diferentes partes do mundo para serem treinados. Retornam já quase adultos para a Guerra Galáctica, ocorrendo no Japão quando disputarão a armadura. A Guerra Galáctica se dá numa espécie de Coliseu futurista. Entre eles estão Seiya o cavaleiro de Pegasus, Shiryu de Dragão, Hiyoga de Cisne, Shun de Andrômeda e seu irmão Ikki de Fênix. Mais do que obter a armadura de ouro os cavaleiros são designados para proteger a deusa Athena. Ao descobrir que Athena anda vive sob a identidade de Saori, o mestre do Santuário manda seus emissários à caça dos cavaleiros liderados por Seiya. O mestre Ares (deus da guerra na mitologia grega) também está a manipular os outros onze cavaleiros de ouro, a elite do Santuário. Masami Kuramada fez menções à mitologia grega e criou um dos mais bem sucedidos mangás de batalha que já figuraram na Shonen Jump japonesa. Há algumas diferenças entre o mangá e o anime. A versão em desenho teve a adição de alguns momentos a mais como a ‘fase nórdica’ em que Seiya e seus amigos vão a Asgard enfrentar os guerreiros deuses da mitologia germânica, protetores de Hilda de Polaris a detentora do anel de Nibelungos. A olhos desavisados ‘Saint Seiya’ se passa por anime/mangá vazio voltado estritamente ao público infantil como ‘Dragon Ball’ ou ‘Naruto’.

‘Death Note’ de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata: publicado no Brasil pela JBC. Recentíssimo no Japão, ‘Death Note’ quebrou alguns parâmetros editoriais ao apresentar uma história contemporânea, controversa, entrecortada por suspense e mistério. Redefiniu o conceito de shonen mangá, no Japão algo como ‘mangá de garotos’ pois lá existem linhas editoriais dedicadas a diversos e diferentes públicos. Raito Yagami é um jovem exemplar típico da sociedade japonesa. Exemplo em casa por ser o irmão mais velho, melhor aluno do colégio. Raito encontra um estranho caderno intitulado Death Note (traduzindo, algo como ‘caderno da morte’) no pátio do colégio. O mesmo traz instruções acerca de seu uso. Pode-se manipular a morte daqueles cujo nome for escrito nas páginas do mesmo. Munido de um questionável senso se justiça, Raito passa a escrever nomes de criminosos que instantaneamente morrem. O Death Note que Raito encontrou foi deixado na Terra pelo deus da morte (Shinigami) Ryuk, que entediado no plano mítico passa a contracenar com o jovem no mundo real. A série de mortes de criminosos deixa estarrecida a polícia japonesa que passa a contar com o FBI e os serviços do misterioso detetive L.

‘Death Note’ ganhou seguidores do público adolescente/juvenil, denunciando também o brusco amadurecimento das crianças contemporâneas. A trama coloca em plano questões éticas e demonstra a forte assimilação de características culturais ocidentais por parte dos japoneses. Ícones cristãos são evocados o tempo todo em ‘Death Note’, sendo o Japão um país de raízes budistas xintoístas. Artisticamente Tsugumi Ohba e Takeshi Obata se mostram conhecedores de livros, cinema e quadrinhos ocidentais, a exemplo dos mestres Shotaro Ishinomori e Katsuhiro Otomo. O Shinigami Ryuk não deve nada aos demônios com quem o Morpheus (de Neil Gaiman) esbarra pelas páginas de ‘Sandman’. A astúcia e o sangue frio de Raito deixariam John Constantine com uma pontinha de inveja. ‘Death Note’ catapultou o nome de seus criadores, tidos como os grandes do mangá atual. O desenhista Takeshi Obata é conhecido também por seu trabalho no título ‘Samurai X’ lançado no Brasil pela JBC e cujo anime chegou a ser exibido na tv Globo. A verdadeira identidade de Tsugumi Ohba é mantida em segredo, tratando-se de um nome artístico. O próprio site da editora JBC aponta no release que Ohba pode inclusive ser algum mangá-ka já consagrado aventurando-se numa linha editorial diferente da que obteve sucesso.

Teremos mais títulos de mangás neste espaço em breve!

LITERATURA E ENSINO 

A ESCOLA E O DESAFIO DE FORMAR LEITORES II
Por Leny Fernandes Zulim
(Publicado originalmente em abril de 2012 em www.leiturinhas.com.br)

      Neste encontro vamos continuar refletindo sobre práticas efetivas que auxiliam o docente em sua tarefa – nunca é demais repetir – desafiadora, difícil e cotidiana de contribuir, decisivamente, para a formação do leitor. E estamos falando de modo muito particular, sobre a leitura literária, cujas características, importância e contribuição para a vida já foram aqui discutidas.
      A leitura do texto literário, sobretudo no Ensino Fundamental, precisa ocupar um espaço essencial na escola, pois é, para a maioria dos alunos, a única oportunidade para ingressar nesse mundo e aproveitá-lo, posto que as famílias, o primeiro espaço em que deveriam encontrar esse valor cultural, (por motivos os mais variados) tem delegado toda a educação dos filhos à escola e ao professor (ZULIM: 2011).  
           Délia Lerner, professora argentina, comprova nossa afirmativa dizendo: “Na América Latina, sobretudo nos setores mais pobres, a tarefa de formar leitores fica muito a cargo da escola, o que a torna mais complexa. Isso porque há muitas tensões vinculadas ao tempo disponível para ensinar e também ao entendimento sobre o que é formar leitores” (set. 2006). Vê-se assim quão importante é o trabalho da escola e do professor como mediadores de leitura.
        A literatura precisa, assim, ser apresentada aos alunos como um verdadeiro mundo encantado em que o lúdico e a gratuidade sejam os componentes principais e sempre presentes. Preservar esse espaço de encantamento e prazer destinado ao contato com o texto literário é ponto fundamental no objetivo de formar leitores, que, “fisgados” seguirão pela vida, buscando sempre mais um livro para ler, pois, uma vez provado de tal deleite sempre se quer mais. Desvelando o mundo, ajudando o leitor a melhor se compreender e a melhor compreender seu real imediato, a literatura trilha veredas fascinantes, capazes de seduzir, formando e informando a partir de momentos de puro e genuíno prazer (ZULIM: 1995).
      Sem querer ditar normas ou “passar receitas”, sugiro algumas práticas que, simples mas possíveis, seja qual for a realidade da escola, acredito podem auxiliar os professores em seu trabalho diário:

1-      Ler para os alunos e com os alunos são duas atitudes que colaboram e muito na formação do leitor, mas que implicam em um professor leitor, como aliás deve ocorrer em todas as demais práticas. Proponho que o docente dispense um “tempinho” no início ou final de aula, ou mesmo antes de liberar a turma para o intervalo, para ler aos alunos um conto, uma crônica ou um poema bem selecionado, capazes de encantar os alunos. Para fazer isso, contudo, é preciso que o professor:
  • selecione um texto de que goste, pois assim, sua emoção acabará contagiando os ouvintes;
  • treine a leitura, lembrando que a modulação de voz, o ritmo, o gestual, a expressão facial, tudo colabora para encantar quem ouve, pois esses cuidados prévios imprimem vida ao enredo e aos personagens;
  • convide os alunos a participar e mergulhar na aventura que o texto apresenta, buscando adivinhar o que está por vir;
      De outro lado, o professor deve lembrar que, ao abrir espaço para a leitura literária em suas aulas, deve ele também aproveitar esse momento para ler. Assim mostra, pelo exemplo, o que é ser um leitor, ao mesmo tempo em que instiga a turma a querer saber o que ele, professor, está lendo;

2-      Oferecer um ambiente propício à leitura, pois a sala de aula precisa ser um espaço acolhedor e rico em termos de leitura e escrita. Neste caso, cartazes sobre determinadas obras convidando à leitura, caixas com livros, gibis, jornais e revistas, folhetos, propagandas, em lugares estratégicos, chamando a atenção para eles, acabam por se oferecerem como possibilidades de leitura, e devem estar sempre à altura dos olhos dos alunos;

3-      Variar o cenário da leitura e a postura do leitor. Quem é leitor sabe que, ao tomar nas mãos determinada obra literária, procura por um lugar inusitado, “gostoso mesmo” pra ler, seja deitado confortavelmente em um sofá; de bruços ou “esparramado” em um tapete com uma almofada para apoiar a cabeça e uma suave música ao fundo. E não sentado ereto em uma cadeira, feito um “dois de paus”. A leitura literária tem por meta principal a gratuidade e o prazer, portanto recusa aquela posição tradicional, com as crianças sentadas em fila, umas atrás das outras. É aconselhável que o professor se permita, e permita a seus alunos, a leitura em variados cenários tais como em um círculo na sala, seja em cadeiras ou sentados no chão, sob a sombra acolhedora de uma árvore existente no pátio da escola, nos degraus da escada, quebrando a rotina, em consonância com o tipo de texto que se vai ler: imprevisível, fantasioso e descompromissado. Que tal montar, na escola, um espaço com um grosso e macio tapete, almofadas espalhadas sobre ele, um aparelho de som que permita oferecer uma suave música para embalar a hora da leitura? Convenhamos que não é tão difícil assim...

4-      Instigar a curiosidade por novos títulos é um marketing que costuma dar resultado. Ao levar livros para a sala e comentá-los com os alunos, criando um suspense sobre a trama, o professor desperta a curiosidade que pode motivar uma nova leitura. Experimente mostrar um bom livro à turma, ler um trecho e parar em um momento de suspense com um “E aí...” Isso aguça a vontade de saber o final e, ao menos alguns alunos, vão querer saber como acaba a trama. Tudo é um jogo, mas que criança ou adolescente não gosta de jogar?

5-      Visitar regularmente a biblioteca com os alunos. Biblioteca precisa deixar de ser lugar para onde se encaminham os alunos que recebem uma reprimenda. Longe de ser espaço de punição, ela é (ou deveria ser) um dos lugares mais importantes da escola, onde se acumula conhecimento. Por isso, é preciso agendar e programar visitas regulares a esse espaço com a turma. Incluir o bibliotecário nesse programa, verificando com ele as novas aquisições, livros interessantes do acervo e que ainda não foram descobertos pelos alunos... Professor e bibliotecário podem comentar esses títulos de forma rápida, circulando pelo ambiente, informando e incentivando o empréstimo de livros para ler em casa, o que pode desencadear um processo ininterrupto de novas leituras. Por hoje ficamos aqui. Mas essa conversa continua em nosso próximo encontro. Caso você tenha algum ponto que deseja esclarecer ou comentar, entre em contato pelo e-mail lenyfz@ibest.com.br e conversaremos com mais detalhes.

Textos que sustentam esse artigo:
CARVALHO, Diógenes. A leitura da literatura na escola: o lugar da criança como sujeito sócio-histórico. In: AGUIAR, Vera T.; MARTHA, Alice A. (Orgs.). Territórios da leitura: da literatura aos leitores. Assis, SP: Cultura Acadêmica, 2006.
NOVA Escola Edição Especial. Leitura: descobrir o prazer de ler é o primeiro passo para formar leitores (de qualquer idade). São Paulo: Abril Cultural, abr, 2008.
SILVA, Ezequiel Teodoro da. Leitura & realidade brasileira. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998.
ZULIM, Leny Fernandes. Literatura no ensino Fundamental: da teoria às práticas em sala-de-aula. Londrina: Amplexo, 2011.
_______. Literatura infanto-juvenil: o livro literário: desvelando o mundo e contribuindo para o sucesso escolar. In: Revista Científica e cultural UNOPAR, Londrina, dez. 95.