ENTREVISTA COM CAROLINA NOGUEIRA
A escritora CAROLINA NOGUEIRA, nascida em Goiânia, com apenas 11 anos de idade, estreia na literatura nacional com uma obra de poesia contemporânea e apesar da idade, mostra um talento poético com temáticas variadas, como o tédio, o livro proibido, o sábio, a sombra, a cor escarlate, a borboleta, um coração aguardando, papéis vazios, os idiotas, sangue, etc, Carolina desnorteia a expectativa de uma criança, cujos temas normalmente variam de brinquedos, animais e natureza. Com a obra Rainha do Abismo, Carolina Nogueira, pela densidade dos poemas, técnica narrativa e certa dose crítica na construção dos imagéticos versos, foi convidada a integrar a União Brasileira de Escritores – Seção de Goiás.
Confira no link a seguir palestra de Carolina Nogueira no colégio Marista de Goiânia:
LEITURINHAS DO ABISMO DA NOITE
“Já que eu tenho treze anos de idade agora e escrevi os meus dois com onze e doze anos, seria esperado que a maior parte dos meus leitors fosse do público infantojuvenil, mas isso não acontece, a maior parte são adultos.”
(Carolina Nogueira)
LEITURINHAS – Como é de costume, para iniciar nossa entrevista pedimos que você conte um pouco sobre a história de suas LEITURINHAS, da infância até o presente momento.
CAROLINA - As minhas leiturinhas...? Eu acho que eu sempre vivi em uma família em que as pessoas liam muito, como a minha mãe e o meu tio-avô. Geralmente, tinham hábitos de lerem histórias para eu dormir, como a edição desse avô de "Mil e Uma Noites". Creio que o primeiro livro voltado para um público mais infanto-juvenil tenha sido "Harry Potter e a Pedra Filosofal", quando eu tinha por volta de uns sete anos.
LEITURINHAS – Comente um pouco a respeito do seu processo de criação, de onde parte a inspiração para escrever seus poemas? Você se utiliza de um método específico para isso?
CAROLINA - Acho que chamar isso de "processo de criação" é um pouco exagerado. Eu tiro a inspiração de experiências pessoas, coisas que eu estou vivendo no dia a dia. Não existe bem um método especifico, é uma coisa que eu simplesmente... faço? Eu sei que existem pessoas que vão para cenários diferentes e monumentais para encontrarem ideias e inspiração para escreverem, então o fato que eu crio alguma coisa, de um poema até o começo da ideia de um romance, sentada na minha casa ou na escola me faz sentir um pouco estranha, mas acho que é assim que eu sou.
LEITURINHAS – O livro RAINHA DO ABISMO foi o seu primeiro livro publicado. Você teve oportunidade de ter acesso à recepção desse seu livro mediante seus leitores? Qual o perfil de seus leitores, de um modo geral?
CAROLINA - Bem, acho que a recepção dos leitores foi alguma coisa boa, embora alguns deles tenham ficado seriamente preocupados com o conteúdo devido a minha idade, embora eu não tenha entendido exatamente o motivo. Já que eu tenho treze anos de idade agora e escrevi os meus dois livros com onze e doze anos, seria esperado que a maior parte dos meus leitores seja do público infanto-juvenil, mas isso não acontece; a maior parte deles são adultos.
LEITURINHAS – Você acaba de publicar seu segundo livro DAMA DA NOITE, comente um pouco a respeito da elaboração de mais esta obra. RAINHA DO ABISMO tinha como temas centrais o tédio e o desencanto do mundo, esse mantém essas temáticas?
CAROLINA - Rainha do Abismo foi escrito em um espaço bem curto de tempo, eu acho; levando isso em conta, acho que é natural que os poemas mantenham a mesma temática. Dama da Noite, meu último livro, foi escrito de uma maneira mais lenta, então os temas podem variar. São poemas diferentes dos de Rainha do Abismo, já que eu pensei que meus leitores já estariam entediados de meu tédio, mas esse assunto vai voltar um pouco às vezes.
LEITUIRNHAS – Além desta nova obra, quais os seus projetos, presentes e futuros, na área das LEITURINHAS?
CAROLINA - Projetos...? Bem, eu tenho a incrível capacidade de trabalhar vários projetos simultâneos, mas atualmente o meu principal é um romance chamado "Dias da Cidade Mecânica" e voltado para um público juvenil; eu tenho gostado bastante do rumo que a história está tomando, mas se o meu “eu” de sete anos de idade, que estava encantado com as aventuras de um menino-bruxo e seus amigos lesse "Cidade Mecânica", ele ficaria seriamente assustada. A história segue com dez personagens principais, membros de um grupo de pessoas com poderes especiais chamado "Augen Auf" (alemão para "olhos abertos", um equivalente a expressão "Prontos ou não, aqui vou eu!" usada no esconde-esconde), entre eles um recluso social que se recusava a sair de casa fazia dois anos, até ter o seu computador destruído por um misterioso espírito que o chama de "mestre"!
Eu também estou querendo escrever uma ficção científica distópica, mas eu não sei se irei levar esse projeto em frente e, se eu levar, será apenas depois do fim da saga da Cidade Mecânica.
LEITURINHAS – Quais LEITURINHAS você indicaria aos pequenos e grandes leitores?
CAROLINA - Acho que para as pessoas que estão começando agora, os clássicos da ficção infanto-juvenil seriam os melhores, mas não acho que alguns dos best-sellers do momento seriam adequados; eles não me agradam muito por causa de vários motivos, como personagens mal trabalhados e um campo psicológico e emocional pouco desenvolvido, como por exemplo, "Percy Jackson e os Olimpianos" e alguns outros. Os clássicos de todos os tempos para alguns leitores mais desenvolvidos também seria recomendado. Um dos meus favoritos recentemente tem sido "Os Miseráveis", mas eu posso afirmar que todos que eu tenha lido são muito interessantes.
Agora, uma pequena sugestão para os adolescentes: não fique preso apenas as obras ocidentais. Se você tem algum tempo na internet ou sabe onde encontrar materiais do tipo, eu realmente recomendo obras orientais como as light novels japonesas. Elas podem ser realmente divertidas ou realmente assustadoras, mas são um bom tipo de leitura alternativa.
Quanto a obras de ficção e não-ficção para mais adultos, eu realmente não tenho muito a comentar, já que eu não costumo ler coisas desse tipo. Além dos clássicos, nenhuma outra ideia me vem em mente. Eu provavelmente vou ficar devendo essa resposta dessa vez...
KAZUO EM QUADRINHOS
A MÁSCARA DE "V DE VINGANÇA"
(Por Alexandre Kazuo)
As últimas semanas do mês de junho, foram marcadas pelos protestos que entrecortaram o Brasil, protestos estes em nome de causas diversas onde o povo clamou (e ainda clama) por um país melhor. O roteirista inglês Alan Moore, já apresentado aqui em outras oportunidades, nunca escondeu seu caráter subversivo, não capitalista e, digamos “anti-americanista”. Se ideologicamente ele parece coerente, muitas vezes cai em contradição por ter sido pago e muito bem pago por uma grande editora norte-americana, no passado, a DC Comics. Moore ganhou notoriedade trabalhando na citada editora com o personagem O Monstro do Pântano e criando seus grandes feitos, “Watchmen” e “V de Vingança”, na década de 80 do século XX.
“V de Vingança” (“V For Vendetta”) traz o personagem misterioso chamado de “codinome V” pelas autoridades e que utiliza uma máscara iconográfica, criada pelo ilustrador da série escrita por Moore, David Lloyd. Já há muito tempo, a máscara é utilizada em protestos pelo mundo, assim como relacionada ao grupo “Anonymous” que costuma atuar pela internet, de forma politicamente incorreta. Nos dias posteriores a primeira semana de protestos no Brasil, terceira semana de junho, Alan Moore se pronunciou de maneira favoravel aos atos. O site brasileiro Omelete repercutiu o dito de Moore ao site UOL: "Desejo o melhor para os protestos no Brasil. Acho que o que estão fazendo é maravilhoso e espero que isso progrida para uma vitória".
Na realidade a máscara usada por “V” faz alusão ao herói Guy Fawkes da história inglesa. Fawkes era um soldado inglês católico que participou da chamada “Conspiração da Póvora” em 1606. Os rebeldes pretendiam depor o rei Jaime I da Inglaterra. Guy Fawkes era o guardião dos barris de pólvora num fato histórico que denunciava a insatisfação do povo de seu tempo para com o regime absolutista.
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência?
O contexto de “V de Vingança” remete à transição da monarquia para o parlamentarismo na Inglaterra. Margaret Tatcher tinha assumido o comando do país e o mundo vivia sob o espectro da guerra fria que iria se dissipar no fim dos anos 80. A conservadora Inglaterra via-se em momentos de crise, politicamente liderada por uma mulher, onde um moralismo exacerbado se proliferava. O texto introdutório escrito por Moore e reproduzido junto ao primeiro volume em todos os relançamentos, positivamente, choca.
O roteirista se queixa da falta de profundidade artística/cultural/política das HQ’s britânicas de sua época. Descreve a contenção a manifestações: “Os soldados da tropa de choque usam visores negros, bem como seus cavalos; e sua unidades móveis tem câmeras de vídeo rotativas instaladas no teto.” E denuncia o moralismo exacerbado de sua terra naquele momento quando escreve exatamente: “O governo expressou o desejo de erradicar a homossexualidade até mesmo como conceito abstrato. Só posso especular sobre qual minoria será alvo dos próximos ataques”. Até parece o Brasil atual, mas o primeiro número da primeira edição de “V de Vingança”, saiu em 1988.
Os rascunhos que deram origem à série foram escritos por Alan Moore no início dos anos 1980. O roteiro de “V de Vingança” nos introduz a uma Grã-Bretanha autoritária, a polícia tem permissão para fazer justiça com as próprias mãos. A cidade é vigiada por câmeras e há uma única programação radiofônica que informa a população acerca daquilo que ela deve saber, programa parecido com a “Voz do Brasil”. As autoridades começam a investigar seguidos assassinatos cometidos por um individuo misterioso que assina um “V” na cena dos crimes. Logo no primeiro capítulo, “V” salva uma garota que tentava se prostituir pela primeira vez, mas aborda um policial disfarçado. Ela é levada à morada de seu salvador, que coleciona livros e uma jukebox, denunciando a abolição da cultura. As rádios só executam marchas militares.
A realidade que Alan Moore cria parece um misto dos clássicos “1984” (George Ornwell), “Admiravel Novo Mundo” (Aldous Huxley) e “Farenheit 491” (Ray Bradbury). As críticas de Moore se estendem às varias frentes que vão do poder político às instituições religiosas. Se o leitor possui uma visão conservadora, tudo parece misterioso. Se o leitor possui uma interpretação subversiva, o clima é de paranoia constante. No entanto, os intentos do próprio “V” não nebulosos.
Voltando ao texto introdutório, Alan Moore dá a entender que gostaria que as HQ’s futuristas tão comuns no início dos anos 80, pudessem dar um vislumbre do que poderia acontecer. Moore queria que os artistas de HQ’s fossem “Cassandras” em alusão à Cassandra da mitologia grega, que previu a Guerra de Troia. A máscara de codinome “V” tornou-se ícone da cultura pop e da contra-cultura. No caso do Brasil, talvez Moore tenha vislumbrado algo...
Em tempo:
- “V de Vingança” foi adaptado para o cinema na primeira década dos anos 2000. O filme trazia Natalie Portman no elenco mas foi frontalmente repudiado por Alan Moore, devido a mudanças promovidas no roteiro. Essa adaptação aproveitou o bom trabalho visto em “Do Inferno” estrelado por Johnny Depp. A HQ homônima também foi roteirizada por Moore que mostrava a um detetive (Depp) a caça de Jack, o estripador. Mais recentemente tivemos “Watchmen” no cinema, em grande trabalho do diretor Zack Snyder em parceria com o ilustrador original Dave Gibbons. A adaptação ficou convincente mas soube-se que Moore enviou o dinheiro dos royalties que lhe cabiam, pagos pela DC Comics, ao ilustrador....
QUE TAL POESIA?
POESIA, ESCOLA E ENSINO
Por Márcia Hávila Mocci
Por que motivo as crianças de modo geral são poetas e, com o tempo, deixam de sê-lo?
Carlos Drummond de Andrade
A criança estabelece poucos e esporádicos contatos com a poesia na escola, pois a sala de aula não tem se revelado um espaço adequado ao lúdico, à leitura gratuita e à criatividade. Um dos motivos para esse descaso é que “a poesia e a arte em geral participam dessa área ‘não lucrativa’ onde se inserem as atividades prazerosas e lúdicas, excluídas do programa de vida de uma sociedade voltada para o ganho.” (AVERBUCK (1982, p. 66)
Sendo a escola um dos segmentos da sociedade é, como tal, reprodutora de sua ideologia e acaba, muitas vezes, tolhendo ao invés de incentivar a criatividade dos alunos. Essa postura liga-se, de certa forma, ao preconceito que sempre houve em relação à arte, dita “subversiva” à manutenção da ordem vigente. De acordo com Cervera (1992), a poesia tem sido o gênero mais esquecido da literatura infantil e a escola, apesar de apresentá-la em livros, pouco a tem explorado. Como se pode observar pela epígrafe que inicia esse tópico, o poeta Carlos Drummond (1974) questiona a responsabilidade da escola e a inadequação de sua prática em relação ao texto poético: “Não estará na escola, mais do que em qualquer outra instituição social, o elemento corrosivo do instinto poético da infância que vai fenecendo à proporção que o estudo sistemático se desenvolve? (ANDRADE, 1974, p. 16)
Ao expor os textos literários à criança, a escola racionaliza-os, roubando a espontaneidade da linguagem e domesticando a imaginação infantil. A rigidez favorece a perda da criatividade, a poesia, ao contrário, potencializa a palavra ambígua, possibilitando o recurso à fantasia. O objeto da poesia é a palavra, assim como os sons e imagens que ela evoca; portanto, para iniciar a criança ao universo poético é necessário fazê-la perceber esses elementos e em que medida eles atribuem significação ao texto.
Averbuck, em Leitura em crise na escola: as alternativas do professor (1982), ressalta a importância de os poemas apresentados à criança explorarem recursos como aliterações, assonâncias, sonoridade, ritmo; enfim, elementos que atuam sobre o plano melopeico. Esses recursos despertam sensações e criam uma ligação emocional entre a criança e a poesia, permitindo que seus primeiros contatos com o gênero se deem de forma afetiva e por meio do reconhecimento de lembranças agradáveis.
Observa-se, por meio de pesquisas diversas, que um dos grandes obstáculos em relação ao tratamento da poesia em sala de aula é o despreparo do professor, que, muitas vezes, trabalha o texto literário através da experiência empírica, apresentando à criança poemas que ele próprio não leu. Cervera (1992) argumenta que o educador desconhece a importância do seu papel, qual seja, o de apontar caminhos para a sensibilização ao texto poético e que permitam à criança, no futuro, buscar seus próprios caminhos para chegar até ela. O educador não precisa ser poeta, porém
há de deixar transparecer seu gosto pela poesia e conhecimentos significativos sobre ela. Tampouco há que aspirar que as crianças sejam poetas. Bastará que a influência da poesia alcance a sua sensibilidade mais que o seu pretendido trabalho criativo; bastará que descubram o poder do som das palavras na organização do discurso; bastará, inclusive, que intuam que existem diferenças entre a linguagem da prosa e da poesia. (CERVERA, 1992, p.91)
Nessa ordem de ideias, Cervera (1992) apresenta algumas atividades que podem privilegiar os aspectos lúdicos e sonoros da poesia, como a leitura, a declamação, o canto e a composição de poemas. A leitura individual e silenciosa, para ele, não é interessante, pois, por ser uma linguagem condensada, a poesia oferece dificuldades de compreensão e, consequentemente, de fruição; já a leitura oral, feita pelo professor com expressividade e entusiasmo, é apreciada pela criança.
A declamação como prática escolar está em decadência, porém, pode ser uma alternativa interessante a ser incorporada pelos sistemas educativos, principalmente se à poesia for associada a pintura e a música. Uma forma eficiente de iniciar a criança ao universo poético é possibilitar-lhe o contato com as expressões folclóricas, como os trava-línguas, parlendas e canções, pois, através dessas manifestações populares, a criança torna-se dona de uma realidade polivalente.
Quanto à composição, existem muitas possibilidades criativas, como os exercícios de versificação que, pelo fato de jogarem com as palavras, ajudam o leitor a descobrir aspectos ainda não observados e relacionados à estrutura das estrofes e aos jogos fônicos. Algumas atividades relacionadas à composição poética podem ser propostas, como completar versos e estrofes inacabados seguindo o jogo marcado pelo metro e pela rima, trocar palavras em posições estratégicas, criar poemas parecidos ao apresentado, compor adivinhas, redigir acrósticos, substituir o texto de uma música por outro, entre outras.
O fato de a criança apreender melhor a poesia que o adulto, não significa que esta lhe possa ser apresentada de qualquer forma. Enquanto linguagem literária, a poesia é singular e cheia de especificidades, necessitando de um tratamento adequado para os iniciantes. Ao introduzir o texto poético, há que se priorizar uma abordagem que considere o desenvolvimento psicológico e os reais interesses da criança, sem, contudo, deixar de lado a natureza e especificidades do texto poético.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Carlos Drummond de. A educação do ser poético. Arte e educação. Ano 3, n. 15, out. 1974, p 16.
AVERBUCK, Lígia Morrone. A poesia e a escola. In: ZILBERMAN, Regina. Leitura em crise na escola: as alternativas do professor. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.
CERVERA, Juan. Teoria de la Literatura Infantil. 2 ed. Bilbao: Universidade de Deusto/ Ediciones Mensajero, 1992.
LÁ VEM CONTO!
APRENDENDO COM UMA ALUNA
por Deusiane de Andrade
É engraçado como algumas pessoas surgem em nossa vida para nos dar uma lição de moral. Eu sou professora há uns 20 anos, e desde os últimos anos não tenho conseguido lidar com meus alunos, são muito rebeldes, desobedientes, não têm respeito algum com autoridades, aliás, para eles eu nunca fui considerada autoridade. Na minha época, os alunos deviam respeitar os professores, ficarem quietos e só dar opinião quando fosse solicitado. Os meus pais eram muitos rígidos comigo, sempre vistoriavam se eu fazia os trabalhos e tarefas escolares, e todas as tardes eu tinha que dedicar ao menos cinco horas de estudos ininterruptos. Isso perdurou até que eu terminasse o Ensino Médio, quando meu pai disse que agora não dependia mais dele, que eu devia procurar um emprego e tentar o vestibular. Com meus 17 para 18 anos, eu trabalhava e fazia faculdade, o que era incomum para as garotas de minha idade. Eu reconheço que tudo foi para meu crescimento, mas hoje vejo os alunos e não entendo por que os valores mudaram tanto.
Até o dia em que eu fui dar uma bronca em uma menina que me fez pensar bastante a respeito de minha vida. Todos os alunos da sala bagunçavam no momento, porém, não sei por qual motivo, eu dei a bronca só para uma garota, que conversava com as amigas. Ao que eu terminei de falar, não num tom normal, mas gritando como eu vinha fazendo há algum tempo sem perceber, ela me disse: “Por que você só pega no meu pé? Você nem cuida dos seus filhos direito e vem descontar em mim?”
Naquele momento eu apenas a mandei para suspensão, mas depois fiquei pensando no que ela disse. Ela conhecia meus filhos pelas redes sociais, e numa ocasião de uma feira de ciências ela os conheceu pessoalmente e fez amizade com eles. No dia seguinte a chamei para conversar para saber o que meus filhos diziam a ela. Fiquei surpresa ao saber que meus filhos reclamavam muito minha atenção, que eu não tinha tempo para eles, só sabia esbravejar, não deixava eles brincarem, só cobrava que estudassem a todo custo. E ainda disseram que o pai deles era muito legal, que nos finais de semana levava eles para passear, e que eu nunca ia, pois estava sempre preparando aulas e estudando. A menina disse que eu não dou conta dos alunos porque não sei nem dar conta dos meus filhos. Percebi pela revolta com que ela dizia que ela identificou-se com a dor dos meus filhos, pois os pais dela eram ausentes e rígidos também, não deixavam ela conversar e brincar com as colegas, e por isso ela não prestava atenção nas aulas, já que era o único momento que podia conversar com as amigas. Assim, lembrei que muitas vezes eu não compreendia os exageros dos meus pais, e me dei conta de que eles não precisavam ter exagerado tanto, e que estava repetindo a mesma educação que recebi, e por isso e uma série de outras coisas estava me tornando amarga com meus filhos e consequentemente com meus alunos. Procurei mudar minha rotina, e pedi ajuda para meu marido, que estava conseguindo lidar melhor com as correrias do dia a dia e com nossos filhos do que eu.
Eu passei a fazer atividades que me agradassem, atividades de lazer e cultivar hobbys que há muito tempo não fazia, sempre após o trabalho. Ás vezes, realizava essas atividades sozinha, outras vezes com meu marido, outras vezes com meus filhos, e passei também a participar das atividades de lazer deles. Incentivei meus filhos a me dizerem o que gostavam de fazer e o que tinham vontade de fazer, e eles me falaram de muitas coisas que queriam fazer, mas tinham medo de me pedir e eu não deixar. Passei a brincar com eles, e nos finais de semana separei um horário para cuidar dos meus afazeres e o restante do dia, separei para o passeio com eles. Também comecei a dedicar mais tempo ao meu marido e conversar mais com ele a respeito das decisões sobre nossos filhos e outras decisões do nosso lar. Meu rendimento e desempenho no trabalho melhoraram bastante, e a relação com os alunos está mais aberta, eu consigo brincar com eles, passar os conteúdos, e passei a impor um pouco mais de respeito sem precisar aumentar o tom de voz, pois agora consigo controlar o nível de estresse, conversar apenas com os que estão fazendo bagunça. Enfim, após a lição que essa garota me deu, de que eu precisava ouvir mais meus filhos e relaxar meu estresse, consegui mudar minha rotina e ser mais feliz no meu trabalho, com minha família, comigo mesma.
LITERATURA E ENSINO
LITERATURA INFANTO BRASILEIRA: NAS TRILHAS DA RENOVAÇÃO I
por Leny Fernandes Zulim
1- Contextualizando o tema
Chegamos à última etapa da história da literatura infanto brasileira, aquela que se situa a partir dos anos 70 do século passado e atinge os dias atuais. Para falar dela, é preciso lembrar: ainda que a partir dos anos 70 o Brasil tenha multiplicado instituições e programas voltados para o fomento e a discussão da literatura infanto (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Fundação do Livro Escolar e o Centro de Estudos de Literatura Infantil e Juvenil, para citar alguns), a bibliografia sobre ela não ocorreu em igual escala, o que nos motiva a falar do assunto nesse artigo. Ceccantini (2004: 29) informa:
Como pode observar qualquer pesquisador do setor, é escassa, até o momento, a bibliografia sobre literatura infanto-juvenil brasileira publicada em livro, vindo a ocorrer uma produção teórica e crítica mais sistemática sobre o gênero apenas nas duas últimas ou três décadas. Essa produção ocorreu na esteira da expansão do mercado de livros infanto-juvenis e do esforço nacional para o combate ao analfabetismo e defesa da leitura, num país de tradição iletrada.
Como afirma o autor da citação acima, a partir das últimas décadas, ocorreu grande expansão do gênero, ocasionado, segundo Lajolo & Zilberman (1985), por diversos fatores, entre eles:
a- mobilização do Instituto Nacional do Livro, que inicia um trabalho de co-edição de grande número de obras infanto, através de convênios, o que representa significativo investimento do Estado na produção de textos para a população escolar; os livros vinham acompanhados com instruções didáticas, fichas de leitura e roteiros para auxiliar a compreensão dos textos;
b- expansão de um comércio especializado: editoras, livrarias e autores, incentivados por essa nova situação, viram nesse nicho oportunidade para se profissionalizarem no gênero; muitos autores consagrados na chamada “literatura adulta”, não desprezaram esse público, o que trouxe para ele nomes como Mário Quintana, Cecília Meireles, Clarice Lispector e Vinícius de Moraes, para ficarmos com alguns, o que leva a entender o chamado boom da literatura infanto ocorrido a partir de então;
c- regularidade de lançamentos no mercado: o sistema editorial mais moderno que o país viu surgir, implicou em uma regularidade de lançamentos no mercado e agenciamento de recursos para a criação e manutenção de um público fiel. Para Lajolo & Zilberman (1985) a conseqüência foi o surgimento de autores que passaram a lançar vários livros por ano, perfazendo dezenas e dezenas de títulos que independentemente da qualidade garantem seu consumo graças à obrigatoriedade da leitura e à agressividade das editoras;
d- Investimento em propaganda, por parte das editoras: sobretudo a partir da década de 80 do século passado, as editoras se atiraram agressivamente em um trabalho de propaganda para conquistar essa fatia de público, agora não mais desprezada, pois dava lucro; as editoras visitavam frequentemente escolas e professores, doavam livros tanto à escola como aos professores (livros nos quais se lia na capa: proibida a venda, destinado a análise pelo professor); Além de livros em quantidade doados a professores e estabelecimentos de ensino, as editoras patrocinavam a presença de escritores na escola, conversando com alunos e docentes, falando de sua obra e fazendo-as conhecidas. Foi assim que cidades pequenas ou de médio porte da região, assim como outras tantas pelo Brasil afora, travaram contato com nomes como Marcos Rey, Pedro Bandeira e outros de destaque no gênero;
e- Inversão de conteúdos: seguindo, de certa forma o modelo lobatiano, a literatura infanto das últimas décadas caracteriza-se pela inversão dos conteúdos mais típicos do gênero, com tendências contestadoras;
f- Ilustrações e aspectos gráficos: a produção literária infanto da época traz outro traço de modernidade, ou seja, ilustração e aspectos gráficos não são meros coadjuvantes do texto verbal, mas fazem parte da totalidade da obra, complementando-lhe o sentido. A excelência desses aspectos confere às obras teor estéticos de alto nível. Sobre essa característica assim se pronuncia Turchi (2004: 39):
Na literatura infantil, o estreitamento do diálogo entre texto verbal, ilustração e projeto gráfico atingiu um padrão estético muito elevado. A qualidade artística da literatura para crianças é hoje buscada nesse conjunto que engloba elementos textuais e pictóricos-formato, ilustração, texto, diagramação – facetas que mantêm cada qual a sua função, mas juntas formam a unidade da obra.
Nas últimas décadas, portanto, descobriu-se que o público infanto é um segmento a ser considerado e o país mostrou estar pronto para atender essa demanda, pois a cada dia, nos damos conta disso ante o número expressivo de lançamentos com novos títulos no mercado. Essa realidade, aliada a inúmeras traduções para outros idiomas e às premiações de autores e obras infanto brasileiras, atesta a qualidade dessa produção. Confirmam o dito acima inúmeros prêmios nacionais e internacionais recebidos por autores brasileiros, entre eles: a- dois prêmios Hans C. Andersen, considerado o Nobel da literatura infanto, outorgado pelo governo da Dinamarca a Lygia Bojunga Nunes e Ana Maria Machado; b- Prêmio Latino-americano Norma Fundalectura 1996 a Marina Colasanti, com Longe como o meu querer; c- Plaque BIB’/Bienal Internacional de Ilustrações de Bratislava, Tchecoslováquia/87 a Denise & Fernando, com O fantástico mistério de Feiurinha. Dos inúmeros prêmios nacionais, fiquemos com o Prêmio Jabuti 1986-melhor texto infantil a Pedro Bandeira com O fantástico mistério de Feiurinha.
Vale lembrar, ainda, que nessa fase da literatura infanto, o cenário urbano surge inconteste nas narrativas, deixando para trás o idílico cenário campestre.. Ao contrário dos períodos anteriores, de modo irreversível e progressivo, o universo das cidades introduz-se nos livros para crianças e jovens (Zilberman & Lajolo: 1986). É ainda através das mesmas autoras (1985) que temos listadas as principais tendências da literatura infanto atual. São elas: A narrativa infanto em tom de protesto; a literatura infanto em ritmo de suspense; a ruptura com a poética tradicional e em busca de novas linguagens. A partir de agora passamos, então, a comentar essas tendências e, ao concluir, vamos apresentar análises de obras dessa fase com sugestões para que o professor as trabalhe em sala.
2- As tendências
2.1- A realidade como tema
Como primeira tendência que marca a literatura infanto no pós-70, Lajolo & Zilberman (1985) apresentam A narrativa infantil em tom de protesto, caracterizada pela descrição nua e crua das mazelas vividas pela e/na sociedade brasileira. Essa tendência tem início com Aventuras do escoteiro Bila, de Odette de Barros Mott que faz, ao mesmo tempo, o elogio do escotismo abordando, ao mesmo tempo, as frustrações dos pequenos sitiantes que sonham em migrar para a cidade em busca de vida melhor. Rompe-se, então, aquela idéia anterior de vida no campo como ideal de felicidade. Justino, o retirante, da mesma autora, enfatiza com mais dureza essa crise quando o protagonista, órfão aos doze anos, larga a terra onde vive e chega a Canindé, cidade onde espera fazer o ginásio. O itinerário de Justino e a vida dura na cidade mostram a crueza das relações sociais e as dificuldades encontradas por ele para adaptar-se nessa nova realidade.
Nos dois livros citados e em outros, como A rosa dos ventos, Mott abre espaço para temas que retratam a realidade brasileira nua e crua. Assim, na esteira de suas obras, surgem Lando das ruas, de Carlos Marigny, Pivete, de Henry Correia de Araújo e Cão vivo leão morto, de Ary Quintella, para ficarmos com alguns exemplos. Desemprego, orfandade, criança abandonada, são os temas constantes. A partir da década de 80 ganham espaço nessa tendência, sempre refletindo a realidade, assuntos os mais variados, de que são exemplos: A amarga herança de Leo, e E agora, mãe...? ambos de Isabel Vieira. O primeiro foca o problema da AIDS e o segundo a gravidez na adolescência; Amor inteiro para meio irmão, de Cristina Agostinho, tratando de separação dos pais e novas famílias; Posso te dar meu coração, de Ganimédes José, abordando o tema de transplante de órgãos. Lannoy Dorin é outro nome que escreveu grande número de títulos nessa tendência em que o real é demonstrado de forma dura e sem qualquer alegoria. Seus livros (entre tantos outros citamos As regras do Jogo; Sem olhar para trás, O mundo lá fora é uma loucura) representam o compromisso dessa vertente com a denúncia de situações cruéis encontradas em nossa realidade. A questão é que, conforme lemos em Carvalho (1995: 119-120):
Para que a função social da literatura [entendida como a ponte que vai integrar o ser em formação ao mundo real dos adultos] cumpra o seu papel formador, sem significar a inculcação de valores, a função estética precisa se constituir em elemento fundande da criação literária, pois só assim a obra alcança o status da arte. A literatura, adulta e infantil, implica em liberdade de criação para o autor e em liberdade de interpretação pelo leitor, e isso só se configura na obra através de sua função estética.
Acontece que a tendência sobre a qual agora nos atemos, ao menos em boa parte das obras publicadas, sofreu e sofre ainda duras críticas por parte dos estudiosos do assunto, exatamente porque não conseguiram o nível estético de que nos fala Carvalho. Preocupados em denunciar a situação, a maioria dos autores ao menos, evidenciam um elevado grau de realismo, mas com um discurso em que o estético acaba ficando em segundo plano. A temática não ultrapassa o nível da revelação do problema e a enunciação vem com um discurso apelativo e ingênuo, o que não permite a formação de um leitor crítico (Carvalho: id.ib.).
Por hoje, nossa conversa para por aqui. O próximo encontro vai abordar a segunda tendência da literatura infanto brasileira contemporânea: a literatura infanto em ritmo de suspense. Até lá ou a qualquer momento se você quiser fazer contato pelo e-mail lenyfz@ibest.com.br.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
CECCANTINI, João Luís. Perspectivas de pesquisa em literatura infanto-juvenil. In:
CECCANTINI, João Luís (org.) Leitura e Literatura Infanto-Juvenil: memória de Gramado. Assis: Cultura Acadêmica, 2004
CARVALHO, Neuza Ceciliato. Função estética e social da literatura: O literário pede passagem ao utilitário. In: IV Seminário Nacional sobre Literatura infanto juvenil, livro didático e participação da comunidade na formação de leitores. São Paulo: Instituto Teresa Martin, 1995.
LAJOLO & ZILBERMAN. Literatura infantil brasileira: história e histórias. São Paulo: Ática, 1985.
MOTT, Odette de Barros. Aventuras do escoteiro Bila. São Paulo: Brasiliense, 1964.
___. Justino, o retirante. São Paulo: Brasiliense, 1970.
TURCHI, Maria Zaíra. O estético e o ético na literatura infantil. In: CECCANTINI, João Luís (org.). Leitura e Literatura Infanto-Juvenil: memória de Gramado. Assis: Cultura Acadêmica, 2004
ZILBERMAN & LAJOLO, Um Brasil para crianças: para reconhecer a literatura infantil brasileira: história, autores e textos, 4 ed.. São Paulo: Global Editora, 1986.
RELEITURINHAS
AS MARAVILHAS DE OZ
(Por Carla Kühlewein)
A menina Dorothy, do vestido azul e sapatos vermelhos, passeando pelas estradas douradas do país de Oz certamente não é uma imagem desconhecida para muitos, principalmente os que vivenciaram a década de 40, quando a Warner Bros estreou nos cinemas uma primeira versão de O MÁGICO DE OZ (1939), sob a direção de Peter Fleming. Poucos sabem que esta velha e já tão usada história originou-se de um livro, escrito por L. Frank Baum, O MARAVILHOSO MÁGICO DE OZ (The wonderful wizard of Oz). Baum era, além de escritor, ator e cineasta amador, tanto que escreveu peças de teatro e produziu filmes animados. Escreveu diversos livros (entre novelas, poemas e narrativas fantásticas), mas este sem dúvida ficou marcado como um clássico da literatura infanto-juvenil.
Resumidamente o livro conta a história da menina Dorothy, que morava em Kansas (EUA) e se vê perdida após ter sido arrastada por um ciclone até o país de Oz, onde não há desigualdade social. Mas assim que a menina “aterrissa” em Oz, na terra dos Muchkings, percebe que matara a bruxa má do Leste (a casa caíra-lhe em cima). No mesmo momento é surpreendida pela bruxa boa do Norte que fica muito agradecida pela façanha da menina e como prêmio que dá um par de sapatos prateados (no filme de Fleming são vermelhos) que pertenciam à bruxa má.
Como Dorothy está num país estranho inicia a busca pelo retorno a sua terra natal, para isso descobre que é preciso seguir a estrada de tijolos dourados, que a levará até o Mágico do Oz, o único que poderia que ajudar a voltar para casa. No caminho ela conhece, então, as figuras pitorescas que lhe acompanharão durante a viagem e seguirão rumo ao mágico, cada qual com seu desejo particular: o espantalho que queria ter cérebro, o homem de lata que queria um coração e o leão que deseja ter coragem.
No início deste ano (2013), a Disney World lançou o filme OZ: MÁGICO E PODEROSO, retomando a lendária narrativa de um dos mais imponentes mágicos da literatura infanto-juvenil, dirigido por Sam Raini. Nela Dorothy e os amigos que ela encontra pelo caminho não aprecem, no seu lugar, como que a passar as aventuras no lugar dela está Oscar Diggs (Oz) e os amigos Finley, o macaco de asas e uma menina de porcelana. Oz é, em princípio um ilusionista charlatão que ganha a vida trabalhando num circo itinerante, como vivesse arrumando confusão certa vez foge de lá com um balão de ar, que o leva até a terra de Oz. Lá é recepcionado por Theodora, uma bruxa boa, irmã de Evora, a bruxa má, e Glinda, a bruxa boa.
O país era assolado pela fúria da bruxa má e Oz é tido como o salvador, conforme predizia a lenda: um mágico libertaria Oz do mal de Évora. Movido pela rica recompensa em ouro que lhe havia sido prometida, Oz empenha-se em derrotar a bruxa e consegue, porém, usando de seus truques ilusionistas para eliminar o mal do país. No filme da Disney a façanha de liquidar a bruxa má não acontece por acaso, como no livro original, mas pelo empenho de Oz em assumir o trono do país, ao lado de Glinda.
A versão da Disney, na verdade, resgata personagens do livro de Baum que ainda não haviam aparecido em nenhuma das versões cinematográficas até então, como Glinda, por exemplo. Novamente o filme segue a vertente contemporânea de retomada de clássicos, buscando justificar-lhe as origens, no caso, explicar como Oz se tornou o mágico poderoso e maravilhoso.
Ainda que O MÁGICO DE OZ tenha uma dose extra de fantasia, e se aproxime muito mais dos textos literários de criação, como Alice no país das maravilhas, de Lewis Caroll, foi escrita em um momento de profundas mudanças sócias e políticas nos Estados Unidos, não por acaso as bruxas má e boa são respetivamente denominadas pelas forças políticas opostas na época: leste e norte. Nessa linha, há particularidades maiores que não cabem nessa pequena página virtual, mas já servem para despertar no leitor alguma curiosidade mais séria partindo de uma obra aparentemente tão infantil e inofensiva.
Em tempo: Para o próximo ano (2014) está prevista a estreia da animação Dorothy of oz, eu pretende dar continuidade ao clássico de 1939, mostrando a volta de Dorothy a Oz e seu reencontro com o espantalho, o leão e o home de lata.
Não se pode esquecer ainda do musical O mágico inesquecível, em 1979, estrelado pelos astros pop: Michael Jackson, como o espantalho, e Diana Ross, como Dorothy. Vale a pena conferir!

