setembro 22, 2011

KAZUO EM QUADRINHOS

DESVENDANDO AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS
Por Alexandre Kazuo

(Publicado originalmente em maio de 2011 em www.leiturinhas.com.br)

Histórias em quadrinhos soa longo. Fico a imaginar se as gerações atuais tratam as histórias em quadrinhos enquanto ‘gibi’. No Brasil as histórias em quadrinhos estão bastante restritas a personagens infantis e às tiras de humor publicadas em jornais. Nos Estados Unidos os personagens das histórias em quadrinhos geram milhões de dólares em marcas e licenciamentos de produtos. Na Europa os quadrinhos são tão levados a sério que são tidos enquanto a ‘nona arte’. Você já leu um mangá? Se sim, menos mal, pois tratam-se de histórias em quadrinhos japonesas.

Caso você tenha tido uma sensação de vazio ou estranheza, não é anormal. São poucos os títulos de histórias em quadrinhos que vemos nas bancas de jornais atualmente. A cultura dos quadrinhos no Brasil é algo elitizado, mais voltado para colecionadores. Sinônimo de histórias em quadrinhos em nosso país é Maurício de Souza aquele, que criou a Turma da Mônica, nos idos dos anos 60. Maurício fez a Mônica inspirado em sua própria filha, que também se chama Mônica, isto quando ela ainda era criança. Mas foi por acaso que o criador inventou personagens que se tornaram frequentes no imaginário infantil. Maurício de Souza tentou a sorte na década de 60, com tiras de horror, algo que estava em alta na época. Um dia ele criou um cachorrinho azul e o editor que publicava suas tiras ainda em jornal disse que o cachorrinho azul era mais simpático e muito melhor que as suas tiras de horror, que traziam vampiros e lobisomens. Nascia o Bidu.

As histórias em quadrinhos hoje em dia se vêm publicadas em diversos formatos. Alguns poucos títulos em ‘formatinho’ vemos nas bancas, Turma da Mônica e aqueles voltados aos personagens da Disney entre eles. Livros de bolso apresentando coletâneas dos mais diversos personagens como Garfield, Snoopy & Charlie Brown dentre outros campeões de popularidade que surgiram originalmente publicados em tiras de jornal. Super heróis como X-Man ou Liga da Justiça encontram-se no formato maior, chamado ‘formato americano’. Além das mais diversas edições em formato de livro dedicadas tanto a personagens infantis quando a H.Q.’s voltadas ao público adulto.

Não conseguiu encontrar uma HQ para ler? Nos anos 90 os desenhos japoneses, também chamados de ‘anime’, invadiram o Brasil personificados pelos Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z. No Japão os Cavaleiros do Zodíaco se chamavam ‘Saint Seiya’ que, junto com a turma de Goku (aquele que protagonizava Dragon Ball), figuravam nas páginas do ‘Shonen Jump’, um extenso mangá publicado semanalmente. Eram apenas dois dos mais populares personagens veiculados pelo ‘Shonen Jump’, dentre os muitos que também viraram ‘anime’. Os animes impulsionaram a publicação dos mangás no Brasil e chega-se ao cúmulo de haver lojas especializadas em mangá, geralmente encontradas nas grandes cidades. Apenas traduzindo o título, ‘shonen’ significa ‘garoto’ em japonês e ‘jump’ foi assimilado do inglês que quer dizer ‘pular’, ‘saltar’. Algo como ‘garoto que salta’.

Dizem que o escritor alemão Johan Wolfgang von Goethe (que viveu no século XVIII) já pensava num tipo de linguagem a qual daria vazão a uma espécie de arte sequencial, combinando imagem e texto. Os quadrinhos se popularizaram no século XX a partir de tiras curtas de jornais. Hoje as HQ’s servem de storyboard para que seus personagens sejam adaptados para o cinema. Os próximos personagens nascidos nos quadrinhos que estão estreando nas telonas em 2011 são Thor e muito em breve Capitão América.



HENSHIN: A LENDA DO KAMEN RIDER
Por Alexandre Kazuo

(Publicado originalmente em junho de 2011 em www.leiturinhas.com.br


Na coluna anterior mencionei o ‘Shonen Jump’ famoso mangá publicado semanalmente no Japão. Os personagens mais populares (e consequentemente seus autores) acabam tendo maiores oportunidades caso sejam transformados em animes, ou seja, desenhos animados. Os Cavaleiros do Zodíaco (de Masami Kuramada, originalmente chamado de ‘Saint Seiya’) e Dragon Ball Z (de Akira Toriyama) surgiram das páginas do ‘Shonen Jump’. Mas, além dos animes, os japoneses exploram também seriados de super-heróis, lá chamados de tokusatsus que pode ser traduzido para o termo em inglês live action. Em português poderíamos chamá-los de seriados de ‘ação livre’. No fim dos anos 80 e início dos anos 90, o Brasil foi invadido por séries tokusatsus, tais como Jaspion, Changeman e Jiraiya. Eram muitas vezes exibidas pela extinta TV Manchete. Mas uma delas de
scendia do ‘Shonen Jump’. Tratava-se do Kamen Rider Black no Brasil rebatizado de ‘Black Kamen Rider’.
Na realidade, Black era um de muitos Kamen Riders aos quais as crianças japonesas se habituaram desde os anos 70. Na primeira semana de abril último comemoraram-se os quarenta anos da primeira série do Kamen Rider, também conhecido como ‘The First’ ou em japonês ‘itigô’ (primeiro). A celebração se deu com o especial para cinema chamado Let’s Go Kamen Rider, que estreou no último dia primeiro de abril e obteve grande receptividade no Japão. Um pouco de alegria para as crianças que sobreviveram aos terremotos e ao tsunami que a pouco assolou a terra do sol nascente.
O primeiro Kamen Rider se originou do ‘Shonen Jump’ e foi criado pelo já falecido Shotaro Ishinomori (.../1998). Era uma história em quadrinhos que retratava um homem capturado pela organização Shocker. A organização criminosa transforma-no num cyborg dotado de poderes incalculáveis. Indignado ele se rebela combatendo seus próprios transformadores, passando a utilizar a alcunha de Kamen Rider. ‘Kamen’ em japonês quer dizer ‘mascarado’. A palavra rider foi assimilada do inglês podendo ser traduzida enquanto “vingador, rebelde ou aventureiro”. Os Kamen Riders além da aura de heróis transgressores, quase anti-heróis eram caracterizados por suas motocicletas. Sua máscara lembra a face de um gafanhoto, inseto que possui a capacidade de levantar cem vezes o próprio peso. Um simbolismo que representa a força. Adaptada para tevê a HQ em forma de série tokusatsu inaugurou uma linhagem de Kamen Riders, que se estende até os dias de hoje. No Japão os tokusatsus são programados para serem exibidos por um ano, sendo trocados por outro personagem na sequência. Desde o primeiro Kamen Rider de 1971 sucederam-se mais de trinta Riders e o atual em exibição no Japão se chama Kamen Rider Oozu. Quase todos dizem ‘henshin’ (transformação) no ato em que deixam suas formas humanas para se transfigurarem no herói mascarado.
Oficialmente o Brasil assistiu apenas a dois Kamen Riders. Foram eles o citado Kamen Rider Black de 1988 e sua sequência Kamen Rider Black RX de 1989. Foi um caso raro de haver uma continuação parcialmente linear no ano seguinte. Na ocasião Black ganhava novos poderes transformando-se em Black RX e enfrentava uma nova ameaça. As séries tokusatsus são produzidas no Japão pela famosa Toei Company. Houve em 1982 uma cessação da franquia com Kamen Rider ZX. Shotaro Ishinomori retomava a criação dos Riders em 1988 com Kamen Rider Black. Era uma espécie de ‘ano zero’, adotando-se um contexto atual para aquele momento, mas mantendo-se o conceito do primeiro Kamen Rider. Em ‘Black’ Issamu Minami (Kotaro no original, o ator Tetsuo Kurata) e seu irmão Nobuhiko são entregues à diabólica organização Gorgom. Os Gorgom pretendem dominar a Terra e querem dois poderosos guerreiros, os quais deverão se enfrentar. O vencedor se tornará o Imperador Secular. Issamu e seu irmão são submetidos a uma cirurgia, mas diferentemente do primeiro Kamen Rider, não se transformam em cyborgs. O Kamen Rider Black é um homem mutante que a exemplo do primeiro Rider foge e também se rebela.
Esta nova recriação do conceito lembra muito o livro A Metamorfose, do autor Franz Kafka, e o filme A Mosca, de David Cronemberg. O embate entre Black e seu irmão Nobuhiko tornado o vilão Shadow Moon evoca o mito de Caim e Abel da cultura judaico/cristã. Sabe-se que Shotaro Ishinomori se deixou influenciar por muita literatura ocidental e ‘Frankenstein’ de Mary Shelley era uma de suas obras favoritas. Paralelamente à série, Shotaro Ishinomori explorou versões diferenciadas do ‘Kamen Rider Black’ nas histórias em quadrinhos do ‘Shonen Jump’, todas inéditas no Brasil. O personagem que se apresentava como Kamen Rider Black nas HQ’s ganhava uma tonalidade mais agressiva e visceral, em tramas mais complexas visando a audiência dos antigos fãs dos Riders da década de 70, naquele momento adultos. Muitos aficcionados pelos Kamen Riders apontam semelhanças entre este ‘Kamen Rider Black’ dos quadrinhos e o monstruoso ‘Kamen Rider Shin’ que figurou apenas um especial para cinema em 1991.
Vale lembrar que a série Kamen Rider Dragon Knight exibida anos atrás pela Tv Globo era uma adaptação reeditada por produtores norte-americanos. Foram comprados os direitos autorais pelos americanos que aproveitavam apenas as cenas em que os personagens apareciam transformados. As histórias nada tinham a ver com o contexto original bem como os atores que interpretavam os heróis em suas formas humanas eram americanos. Kamen Rider Dragon Knight reaproveitava cenas do Kamen Rider Ryuki, exibido no Japão em 2002.
Na terra do sol nascente, o Kamen Rider é o único super-herói que rivaliza com o também famoso Ultraman. Henshin!
(Um abraço ao amigo Maurcio Guarche colecionador e pesquisador de itens relacionados a tokusatsus . Dono de uma invejável coleção de bonecos Kamen Rider, Mauricio é o maior fã de Jiraiya do mundo e pesquisou a respeito do mangá do Kamen Rider Black na comunidade Toku Tamashi do Orkut, onde é moderador.)


PROJETO: VINGADORES!
Por Alexandre Kazuo

(Publicado originalmente em junho de 2011 em www.leiturinhas.com.br)

Neste ano de 2011 dois filmes baseados em quadrinhos famosos da editora Marvel Comics estrearão nos cinemas. São ‘Thor’ e ‘Capitão América’. Na realidade ‘Thor’ já teve estreia mundial no mês de maio último. A editora norte-americana Marvel tem seus direitos cinematográficos detidos pela produtora Fox/Universal. Os mais atentos perceberam pequenos ensaios a respeito do tema Vingadores nos filmes ‘Homem de Ferro’ e ‘Homem de Ferro 2’. Nas duas partes de ‘Homem de Ferro’ seu alter ego Tony Stark (o ator Robert Downley Jr) é abordado pelo coronel Nick Fury (o ator Samuel L. Jackson). A serviço do governo norte-americano Fury, está interessado no que a armadura de Stark pode proporcionar.

No universo Marvel o governo norte-americano mantém órgãos dedicados a lidar com as questões envolvendo super heróis e mutantes (caso dos X–Men). Nick Fury é um agente secreto responsável pela SHIELD, cuja sigla quer dizer Supreme Headquarters of International Espionage and Law-Enforcement Division. Traduzindo para o bom português, Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, vale lembrar que a palavra shield significa ‘escudo’ em inglês. Nos quadrinhos a primeira encarnação dos Vingadores se deu nos anos 70, numa história em que Homem Formiga, Vespa e Homem de Ferro se uniram para ajudar o incrível Hulk que estava sendo manipulado por Loki, inimigo de Thor. De lá para cá os Vingadores se tornaram um dos maiores supergrupos de heróis do universo Marvel ao lado de Quarteto Fantástico e X-Men. Nesses mais de quarenta anos de histórias os Vingadores mantiveram varias formações e além dos citados heróis que integraram o supergrupo, nomes como Gavião Arqueiro, Visão, Mercúrio e Feiticeira Escarlate (filhos de Magneto inimigo dos X-Men), Mulher Aranha, Mulher Hulk, Hercules, Agente Americano, etc. também fizeram parte do ‘conglomerado’ de super-heróis. Nos quadrinhos os Vingadores se dividem, um grupo sediado na costa leste dos EUA, outro na costa oeste. Para se ter uma ideia, alguns super-heróis são considerados membros reservas dos Vingadores tais quais Homem Aranha e Fera (dos X-Men). Trata-se do equivalente da Marvel Comics para a Liga da Justiça editada pela DC Comics.

A ideia dos produtores da Fox/Universal é interligar os filmes de Homem de Ferro, Thor e Capitão América para então dar origem a um filme dos Vingadores. Desde o fim do ano passado ‘Thor’ já tinha muitos teasers e trailers divulgados na internet. Inspirado na mitologia nórdica, as histórias de Thor evocam o deus nórdico homônimo que representava o trovão. Nos quadrinhos Thor protagonizava tanto histórias baseadas nos ícones da mitologia nórdica, quanto histórias convencionais em que o herói combate o crime e ameaças à humanidade. Thor se esconde entre os humanos sob a identidade de Donald Blake e seu martelo se chama Mjolnir (pronuncia-se ‘miolnir’). Um dos grandes momentos dos quadrinhos do Thor se deu na ‘saga do Ragnarok’ roteirizada pela célebre dupla Roy Thomas (argumento) e John Buscema (desenhos), publicada no Brasil pela Editora Abril, durante a década de 80. O Ragnarok na mitologia nórdica seria o equivalente ao apocalipse da tradição judaico/cristã. As crenças em divindades nórdicas relacionadas à cultura viking fazem parte do folclore da região do Norte da Europa, em países como Dinamarca, Suécia, Noruega e Holanda. O filme do ‘Thor’ traz grande elenco composto por Natalie Portman (vencedora do último Oscar de melhor atriz) e o inquestionável Anthony Hopkins, no papel de Odin, o pai dos deuses nórdicos.

Atualmente nas bancas a Editora Panini está disponibilizando a saga ‘O Cerco’ a qual interliga tramas envolvendo diversos super-heróis. No mês de abril, no ultimo mês de maio e no mês de junho, as participações de ‘Homem de Ferro e Thor’ foram inclusas em edições que compilam a participação de ambos na saga. Está havendo inclusive uma releitura do Ragnarok pelos atuais roteiristas, a qual vem sendo relacionada à saga ‘O Cerco’ e que também visa amparar a procura pelo titulo mediante a exibição do filme ‘Thor’. Os filmes têm sido utilizados pela Editora Marvel como parâmetro editorial para criação de novas histórias.

Além disso, há um caráter politizado no roteiro das hq’s recentes. O próprio Homem de Ferro tem protagonizado tramas que ocorrem em países isolados do leste europeu, os mesmos ainda sujeitos a mandos e desmandos ditatoriais de líderes locais e/ou do vilão Dr. Destino. Posto enquanto um dispositivo além do bem e do mal, o Homem de Ferro se diz interessado na intervenção em conflitos que não chamam a atenção da mídia. A ideia de Tony Stark é forçar os líderes governamentais a intervirem em conflitos que não lhes proporcionem ganhos políticos ou financeiros. A editora rival, DC Comics recentemente se notabilizou por apresentar o Superman renegando seu título de cidadania norte-americana e se autoproclamando cidadão do mundo. Algo no mínimo curioso em tempos que o conceito de globalização se tornou mais do que trivial.

Neste mês de junho chegou aos cinemas uma nova versão de X-Men intitulada ‘X-Men First Class’. Vale lembrar que os X-Men já tiveram uma incursão cinematográfica em forma de trilogia. Nas próximas colunas algo sobre o Capitão América também será trazido aqui neste espaço!


FATOR X
Por Alexandre Kazuo

(Publicado originalmente em julho de 2011 em www.leiturinhas.com.br)


Há algumas semanas vimos a estreia de um novo filme dos X-Men sem ligação nenhuma com a trilogia anterior que contava com Hugh Jackman no papel de Wolverine e Patrick Stewart no papel de Professor Xavier. Trata-se de ‘X-Men First Class’. Assim como Thor e os Vingadores que vimos na coluna anterior, os X-Men figuram no universo da Editora Marvel, no Brasil publicados pela Panini. Inicialmente os X-Men, criados por Stan Lee e Jack Kirby eram heróis estranhos se comparados ao carismático Quarteto Fantástico ou aos pomposos Vingadores. Os X-Men eram mutantes, um fictício próximo estágio da evolução humana. O homo sapiens segundo a teoria evolucionista darwinista chegaria ao ápice de sua forma, com o nascimento  natural de um super-herói. No fim dos anos 60, os X-Men também surgiam tendo como pano de fundo a segregação racial vigente nos EUA. Nas histórias os mutantes são discriminados pelos humanos normais.

Tratava-se de um caldeirão de influências interessante que ganhou notoriedade quando o roteirista Chris Claremont assumiu o título entre a década de 70 e 80. Enquanto escritor Claremont teria uma formação influenciada pela ficção cientifica. O nome do grupo carrega o ‘X’ do sobrenome de seu mentor o professor Charles Xavier. Ao perceber a histeria mutante, Charles se dedicou a fundação de uma escola para jovens superdotados no intuito de amparar, formar e principalmente compreender os mutantes. Charles também é um homo superior tendo o poder da telepatia e telecinese. Inicialmente amigos, Charles e Eric Magnus Lensher compartilhavam o fato de serem mutantes. Charles defendia a convivência pacífica entre humanos e mutantes. Eric, descendente de ciganos que sofreu os horrores do holocausto nazista, acreditava que era necessário buscar a supremacia mutante. Eric se via dotado da capacidade de controlar o magnetismo e adotou o “pseudonome” de Magneto. Era uma projeção dos líderes negros norte-americanos da época da segregação racial, Martin Luther King e Malcom X.

Os X-Men contaram com as mais diversas formações trazendo um sem número de personagens Ciclope, Tempestade, Gambit, Noturno, Fera e Vampira entre os mais lembrados.  O popular desenho ‘X-Men Adventures’ exibido durante os anos 90 e os três primeiros filmes do X-Men sintetizavam roteiros de quase quarenta anos de histórias nas hq’s. Inicialmente os X-Men eram populares entre o público adolescente, quando muitas histórias levavam a contornos mais adultos. O uso da marca e dos personagens frente ao público infantil se deu posteriormente aos anos 90. O popular Wolverine exibiu suas garras nos anos 70 e 80 enquanto o mais selvagem e feroz anti-herói da Editora Marvel. A caracterização cinematográfica de Wolverine suavizou sensivelmente sua concepção original, a de um assassino frio e mortal criado em laboratório pelo governo do Canadá.

Além de Magneto, os X-Men enfrentavam uma galeria interessante de vilões. Apocalipse além dos seus poderes de expansão corporal era dotado também da imortalidade, tendo vivido durante o Egito antigo sob a alcunha de En Sabbah Nur. O geneticista sr. Sinistro teve sua origem interligada a Apocalipse de maneira genial no fim dos anos 90, na minissérie ‘A Origem de Apocalipse’ publicada pela editora Abril. Vivendo entre os séculos XVIII e XIX, na Inglaterra, Sinistro é caracterizado como um Dr. Victor Frankenstein frustrado que não conseguiu curar o próprio filho vitima fatal de uma doença. Após debater com Darwin em pessoa, Sinistro se vê fascinado pela evolução humana vislumbrando poder viver o suficiente para contemplar o horizonte do homo sapiens. Apocalipse oferece-lhe a vida eterna e como o ‘Fausto’ (de Goethe), Sinistro aceita o pacto, tornando-se, assim, o vilão. Sinistro é um dos primeiros a identificar o ‘fator x’ a mais no DNA dos homo superiores.

A primeira incursão cinematográfica de X-Men, que se deu na primeira década deste século XXI, foi considerada um sucesso pela produtora Fox, algo que alavancou outras adaptações subsequentes como ‘Homem Aranha’, ‘Motoqueiro Fantasma’ dentre outros que se estendem até o recente ‘Thor’. Entre os fãs, a primeira trilogia dos X-Men dividiu opiniões. Talvez tenha sido um dos motivos que levou a Fox/Marvel a propor uma nova incursão com ‘X-Men First Class’.




O PRIMEIRO VINGADOR E O ANEL MAIS PODEROSO DO UNIVERSO
Por Alexandre Kazuo

(Publicado originalmente em agosto de 2011 em www.leiturinhas.com.br)


Iniciando o mês de agosto tivemos nos cinemas a estréia do filme ‘Capitão América – O primeiro vingador’ cujo personagem já teve adaptações cinematográficas não tão boas no passado, bem como séries televisivas. O Capitão América hoje editado nos quadrinhos pela Marvel Comics, foi criado tendo como pano de fundo as conseqüências da Segunda Guerra Mundial, durante os anos 40 do século XX. Steven Rogers o alter ego do Capitão era um combatente norte-americano que serviu as tropas aliadas no confronto. Os aliados secretamente desenvolviam o soro super-soldado, substancia que ampliaria o metabolismo do soldado que o ingerisse. Rogers foi a cobaia bem sucedida. O arqui-inimigo do Capitão América é o Caveira Vermelha, obviamente pertencente ao partido nazista. Após a Segunda Guerra, o Capitão América fora congelado e manteve-se em estado de hibernação até ser despertado pelo governo norte-americano nos anos 60. O filme do Capitão América se dá enquanto um filme de época com o roteiro dando enfoque no período da década de 40. A produção concedida está fazendo jus a importância que o personagem tem nos quadrinhos.

Nas HQ’s o personagem Capitão América remonta a um período inclusive muito anterior a própria editora Marvel. Na edição número 200 da publicação brasileira do Capitão América disponibilizada pela Abril durante os anos 90, houve uma ênfase comemorativa. A edição trazia um texto introdutório sobre as origens do personagem além de compilar quatro histórias clássicas. A gênese criativa do Capitão América está relacionada ao desconhecidissimo personagem Marvel Boy. Joe Simon era o editor do personagem e Jack Kirby o desenhista. Em meio aos anos 40 a dupla que trabalhava para a Timely Comics criou um personagem que aproveitava o apelo patriótico causado pelo envolvimento yankee na II Guerra. Nascia o Capitão América que na capa de sua primeira edição norte-americana dava um soco no rosto do próprio Hitler. A Timely editava personagens como Namor e Tocha Humana que junto com o Capitão América passariam a ser editados pela Marvel muito posteriormente. Entre os jovens roteiristas da Timely havia Stan Lee que junto com Jack Kirby criaria Homem Aranha, Quarteto Fantástico e X-Men já pela Marvel. Como afirmamos há algumas colunas atrás o filme do Capitão América integrará junto aos já lançados filmes de ‘Thor’ e ‘Homem de Ferro’ a deixa para um filme dos Vingadores.

No dia 19 de agosto surgiu nas telas do cinema em estreia nacional mais um personagem dos quadrinhos. O ‘Lanterna Verde’ integra a Liga da Justiça, editada pela DC Comics, num grupo de super-heróis que também inclui Superman, Flash, Batman e Mulher Maravilha. As origens do Lanterna Verde remontam a histórias muito influenciadas pela ficção científica entre os anos 60 e 70 do século XX. Algumas histórias clássicas envolvendo os lanternas verdes foram inclusive escritas pelo cultuado roteirista britânico Alan Moore (‘Monstro do Pântano’, ‘Watchmen’). Não se trata de um lanterna verde apenas mas sim de uma tropa de lanternas verdes que designa um guardião para cada área o universo.

O Lanterna Verde retratado no filme é Hal Jordan. Nas HQ’s o planeta Terra já contou com diversos personagens que foram incubidos de utilizar o anel que dá poder ao herói. O anel do Lanterna Verde personifica a maior arma do universo. Guy Gardner foi um lanterna verde visto no Brasil durante os anos 80. Dotado de uma personalidade geniosa, a editora Abril usava na época o slogan que dizia algo como ‘aquele que os leitores amam odiar’. Agraciado com um visual que lhe concedia um corte de cabelo ‘tigela’, Guy Gardner foi um lanterna verde carismático. Já na metade dos anos 90, Hal Jordan se transforma no vilão Parallax durante o aclamado especial ‘Crepúsculo Esmeralda’ disponibilizado no Brasil pela editora Abril. O universo DC Comics vivia um momento de transição em que Clark Kent acabara de retornar do mundo dos mortos posterior ao especial ‘A Morte do Super Homem’. E Batman por sua vez estava sendo substituído por Jean Paul Valley, outrora Azrael o anjo vingador, durante a ‘Queda do Morcego’ em que o vilão Bane deixou Bruce Wayne temporariamente paraplégico. O anel do Lanterna Verde foi herdado por Kyle Rayner.

Em junho último a editora Panini que disponibiliza em nosso país os títulos da DC (e também da Marvel) dedicou o título ‘DC + Aventura’ ao Lanterna Verde. Entre as histórias curtas temos a enigmática história ‘Tigres’ escrita por Alan Moore e estrelada pelo lanterna verde alienigena Abin Sur. Na mesma edição numa história mais antiga datada de 1959 escrita por John Broome e desenhada por Gil Kane observamos Abin Sur num pouso de emergência no planeta Terra passar adiante o anel energético a Hal Jordan. Talvez Alan Moore estivesse enfatizando uma gênese mítica a Abin Sur em ‘Tigres’ originalmente publicada em 1986.

A conferir os filmes!

 

ENTREVISTAS

(Entrevista publicada originalmente em maio de 2011 em www.leiturinhas.com.br)

Denise Almeida é Pedagoga, escritora de Literatura Infantil e contadora de histórias. Sempre acreditou na importância das histórias no desenvolvimento da criança.  Em 2005 lança seu primeiro livro Quem não presta atenção só se mete em confusão! e com ele começa a visitar escolas com o objetivo de mostrar para as crianças que um autor é uma pessoa comum com a cabeça cheia de ideias. Apaixonada por este tema compartilha a sua paixão com os profissionais da educação através de palestras e oficinas. Dos seus quatro livros lançados como escritora independente, confessa ser A margarida insatisfeita a história que mais lhe dá orgulho, pois nela a música se faz presente resgatando as cantigas de roda e também permite a interatividade da criança enquanto ela é contada. Para fazer uma aproximação significativa com seus leitores, visita escolas fazendo tardes de autógrafos, contando histórias e encantando corações.

O olhar das crianças, repleto de imaginação, no momento da contação de histórias é algo marcante em minha vida. Contar histórias é o caminho mais curto para se chegar ao coração de uma criança”. (Denise Almeida)

LEITURINHAS – De onde vem esta paixão pela Literatura Infantil?

DENISE – Essa paixão começou na minha infância. Minha mãe adorava contar histórias na hora do meu almoço. Contava histórias da tradição oral, contos como o de Cinderela e Os três porquinhos e eu ficava imaginando aqueles porquinhos correndo do lobo...  morria de pena dos pobrezinhos, mas o bem  sempre vencia no final e eu me sentia feliz. O dia que mamãe me contou a história da Coca-recoca eu me apaixonei e queria que ela repetisse esta mesma história mil vezes. A musicalidade presente na história me encantava. Quando eu aprendia as histórias recontava-as para minhas bonecas. Adorava brincar de escolinha e esse era o meu mundo.

LEITURINHAS – Por que contar histórias?
DENISE – Porque as histórias “encantam o contador de histórias”.  Ele vivencia tudo aquilo que ele conta, penetrando em cada floresta, em cada castelo e com toda essa paixão e toda essa verdade ele acaba encantando quem está ao seu redor. É algo muito forte que vem de dentro da gente. Os olhos chegam a brilhar, mas isso vem do coração.
Como professora eu acho que é impossível não contar histórias. Ouvindo as leituras diárias, desde a Educação Infantil, as crianças vão se apropriando da linguagem formal dos livros e, desta forma, começam a “botar para fora as suas histórias” de maneira mais organizada, com maior domínio. As histórias ampliam o vocabulário e a criatividade infantil e fazem com que as crianças se identifiquem com os personagens e superem seus medos. As possibilidades são maravilhosas.

LEITUIRNHAS – Como você começou a escrever?
DENISE – Quando eu era ainda bem jovem comecei a ler muitas poesias. O ritmo, a rima e a sonoridade me conquistaram e achei, não sei porque, que eu iria aprender a escrever  poesias. Escrevi muitas poesias que falavam de amor ou das desigualdades sociais. Participei de vários encontros de poetas e acabei fazendo um misto entre história e poesia. Tanto que minha primeira história – Confusões em um chalé - foi escrita em versos.  Mostrando para as crianças na sala de aula eu recebi muitos elogios e os sorrisos no rostinho de meus alunos foi o indicador que me fez continuar a escrever e, sendo assim, em 2005 publiquei meu primeiro livro através do Consórcio Literário Verso e Prosa. Um livro com poemas infantis e várias histórias. O título agradou a criançada Quem não presta atenção... só se mete em confusão! Os livros seguintes foram: A margarida insatisfeita, Enchendo a pança no supermercado e Essa vida de criança não é mole.

LEITURINHAS – Quais suas Leiturinhas indicadas para os pequenos leitores?
DENISENão confunda... (Eva Furnari), Rita, não grita! (Flavia Muniz), Quem tem medo de que? (Ruth Rocha), A bolsa amarela (Ligya Bojunga).


EXTRA! EXTRA! LUCIANA SAVAGET NO LEITURINHAS!
(Entrevista publicada originalmente em maio de 2011 em ww.leiturinhas.com.br)

 
Jornalista, 30 livros publicados. Cinco traduzidos no exterior. Sou a única autora a ser publicada na Palestina.
Acabo de receber o prêmio da União Brasileira dos Escritores – UBE, com o livro infantil Aranha Dailili, da Editora Zit.
E vou ser com muita alegria a escritora homenageada na feira de Ribeirão Preto.



 

LEITURINHAS – Qual é a história das suas LEITURINHAS?
LUCIANA – Nasci e vivo cercada por fantasias. Desde pequena sou apaixonada por livros. Por "chantagem" infantil eu só dormia quando a minha mãe ou minha avó contavam histórias para mim. E até hoje só pego no sono com a leitura de um belo livro.

LEITURINHAS – O que leva uma jornalista a escrever Literatura Infantil?
LUCIANA – O sonho. O resgate por um mundo melhor. Desde pequena eu queria ser escritora, como viver de livro é impossível, escolhi uma profissão que também pudesse contar histórias. No jornalismo narro a realidade, nos meus livros a ficção. Ultimamente, na minha literatura, estou mesclando as duas coisas: realidade e ficção.

LEITURINHAS – O que você aconselharia a pequenos e grandes leitores que desejam ser jornalistas?
LUCIANA – Ler, ler muito. Através da leitura, vem a curiosidade. Esse é o segredo de um jornalista: curiosidade e leitura.

LEITURINHAS – Quais as LEITURINHAS de um(a) jornalista?
LUCIANA – Tudo que passa na frente. dos clássicos ao autores contemporâneos.

LEITURINHAS – O que mudou e o que permaneceu depois de você receber os prêmios pela publicação de livros?
LUCIANA – Para mim o meu maior prêmio é encontrar uma criança que diz que gostou do meu livro. Esse é o grande reconhecimento.

LEITURINHAS – Quais as LEITURINHAS que você recomenda para os pequenos e grandes leitores?
LUCIANA – São tantos livros... Fernando Sabino, uma bela leitura, Monteiro Lobato a base de tudo. As histórias das Mil e Uma Noites nos ensinam a sonhar, a entender o Oriente Médio e odiar cada vez mais as guerras que estão destruindo o cenário das fantasias.


POESIA SERVE PRA QUÊ?
(Entrevista publicada originalmente em julho de 2011 em www.leiturinhas.com.br)

MARCELE AIRES gosta de poesia desde os nove. Em 2010, a autora lançou Que transpõe o halo – trilogia poética. Jornalista por formação (UEL/1997), foi com a Literatura que encontrou seu caminho: concluiu Especialização em Literatura Brasileira (UEL/2000), Mestrado em Teoria Literária (USP/2003) e Doutorado em Literatura Brasileira (USP/2009). No Mestrado, estudou a obra do poeta modernista pernambucano Ascenso Ferreira e no Doutorado, Água viva, de Clarice Lispector. Atualmente, é professora de Literatura Brasileira e Teoria Literária da UEM. Adora correr, ama o Carnaval, o samba, o maracatu, viagens inusitadas e tem “vício” incurável: tomar café.

LEITURINHAS – Como é a história das tuas LEITURINHAS?
MARCELE – Nunca me esqueço do primeiro poema que li. Meu avô tinha umas enciclopédias daquelas bem antigonas, de capa dura. Eram quatro volumes, em quatro cores. A verde era a cor da enciclopédia de literatura. Eu tinha uns nove anos e como naquela época minhas diversões noturnas se reduziam a assistir à Praça é Nossa ou ver o Gugu imitar uma galinha botando ovo, eu preferia fazer algo como ler. Nunca me esqueço da surpresa, do susto mesmo que eu tive ao abrir a enciclopédia, aleatoriamente, e ler o “Romance sonâmbulo”, do García Lorca. Esse foi o primeiro poema que me tocou. Obviamente, aos nove, eu não entendi nada e morri de rir quando li os versos: “Ela fica na varanda, / verde carne, tranças verdes, / ela sonha na água amarga”. Eu dizia pra mim: esse cara é um doido! E lá existe gente de pele verde? Apesar de achar aquilo estranho, achei bonito. Não sabia por que achava bonito, mas achava. Foi a partir desse poema que passei a frequentar a biblioteca pública de Rolândia e a fuçar nos livros de poesia que havia por lá. Eu só lia poesia. Foi assim até a faculdade, quando comecei a ler meus primeiros romances. Antes, nada tinha espaço na minha vida a não ser a poesia.

LEITURINHAS – Qual sua principal fonte de inspiração para escrever poemas?
MARCELE – Certamente o García Lorca e o João Cabral. O Maiakóvski também teve muita força na minha adolescência.

LEITURINHAS – Poesia serve pra quê, afinal?
MARCELE – Poesia não serve pra nada. A poesia não existe pra servir, nem pra explicar. Poesia não é manual que se explica. Não se entende poesia. Poesia é doação. Quem vem com essa de querer muita explicação sobre determinado poema, pra mim, é porque não gosta de poesia. Quem gosta de poesia simplesmente gosta. A gente não gosta do nosso cachorro só porque ele balança o rabo quando nos vê? Precisa de explicação pro gostar? Não. A poesia nada exige.

LEITURINHAS – Se você pudesse fazer um poema que incentivasse a leitura, como você escreveria?

Ontem eu vi um beija-flor.
Tinha o corpo cinza e a barriga gordinha.
Era miúdo, tão miudinho
que eu nem sei como aquela
massa tão pequenininha ficava suspensa!

Daí eu fiquei pensando:
e não é que passarinho serve pra voar?


LEITURINHAS – Quais suas LEITURINHAS indicadas para os pequenos e grandes leitores?
MARCELECrianças: Alice no país das maravilhas (edição boa!), O menino maluquinho (seeeempre!!!) e aqueles livros ilustrados que continham os musicais do Toquinho, do Chico e do Vinícius. Ah: eu adorava o Almanaque Sadol quando era criança!
Adultos: Guimarães Rosa, João Cabral, Drummond, García Lorca, Lispector, Nélida Piñon, Hilda Hilst, Maria do Carmo Barreto Campello, Gabo, Octavio Paz, Borges, todos os Pessoas, Manoel de Barros, Graciliano, Nejar, Virginia Woolf, Yourcenar, Duras, Whitman e Breton.


Boas LEITURINHAS!
LER E ESCREVER LEITURINHAS
(Entrevista publicada originalmente em agosto de 2011 em www.leiturinhas.com.br)


Amir Piedade é mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP, com a dissertação O Sagrado na Literatura Infantil brasileira 1950-1980. Estudioso sobre livros infantis e juvenis, é autor de vários livros, entre eles O aniversário do Seu Alfabeto; São Paulo de colina a cidade, e O grito do rio Tietê. É formado em Filosofia e Pedagogia, docente do ensino superior da FIG-UNIMESP e professor do magistério oficial do Estado de São Paulo. É editor de Literatura e da Coleção Docência em Formação, da Cortez Editora.

LEITURINHAS – Quais as LEITURINHAS que fizeram e fazem parte da sua vida?
AMIR – Essa é difícil. Desde criança eu sempre gostei de ler, mas como era de família pobre da cidade de Ponta Grossa, Paraná, o acesso aos livros era difícil. Descobri a biblioteca pública e me apaixonei por Monteiro Lobato, coleção Vaga-lume da Ática. Daí não parei mais. Porém, o livro que mais me encantou foi Éramos Seis, de Maria José Dupré. Com ele conheci um pouco de São Paulo do começo do século passado. Ele ficou tão gravado em minha memória que quando vim morar em São Paulo, cada lugar que eu passava, me lembrava o livro.

LEITURINHAS – Qual o perfil do mercado editorial brasileiro hoje no setor da Literatura Infantil? 
AMIR – Hoje em dia a literatura infantil é o grande mercado editorial. Tanto que quase todas as editoras estão publicando. É um mercado gigantesco. Até as estrangeiras estão vindo para  Brasil por causa de livros didáticos e dos livros infantis. A qualidade dos autores e dos ilustradores que ainda ficam devendo ao exterior, mostra que temos uma literatura infantil bem sólida, criativa e comprometida, além da fantasia, com os temas sociais que incomodam a todos nós.

LEITURINHAS – Como é ser escritor de Literatura Infantil?
AMIR – Lembro que eu tinha nove anos e falei para a professora que eu queria escrever livros. Mas na minha cabeça, eu queria escrever livro didático que eu pensava ser o máximo. Escrever livros infantis aconteceu quando eu cuidava de bibliotecas escolares também em PG. E, ser escritor hoje é acreditar em sonhos e manter a esperança. É difícil conseguir publicar por causa da alta demanda de textos e a pouca possibilidade de edição por parte das editoras. Ou seja, há muita gente escrevendo e bem e daí, publicar demora bem mais. Mas ainda vale a pena investir nessa carreira.

LEITURINHAS – Suas LEITURINHAS recomendadas?
AMIR –  Para crianças, os livros do Jonas Ribeiro, André Neves, Ana Maria Machado, Tatiana Belinky, Lenice Gomes (que trabalha maravilhosamente resgate da oralidade); para os adolescentes, Pedro Bandeira, Nelson ALbissú, Edson Gabriel Garcia, Maria da Gloria Cardia de Castro; para os adultos: Morris West é meu preferido.