VIDEOTECA
O ESPETACULAR HOMEM ARANHA
Por Alexandre Kazuo
(Publicado originalmente em abril de 2012 em www.leiturinhas.com.br)
Em
2012 teremos uma nova incursão cinematográfica com o personagem Homem
Aranha. Já tivemos três bem sucedidas, nas quais o ator Tobey Maguire
personificou muito bem o fotógrafo jornalístico Peter Parker, alter ego
do herói. Homem Aranha (Spider Man no original) foi criado por
Stan Lee e Jack Kirby, no ano de 1962, sendo publicado pela Marvel
Comics. Em muitas oportunidades da existência editorial do personagem, o
mesmo se vira dotado de grande popularidade. Peter Parker era jovem e
inseguro, foi um dos alter egos mais ‘normais’ já surgidos no universo
Marvel, algo que apenas contribuiu para a construção do carisma que
sempre acompanhou o Homem Aranha. Os leitores se identificavam
facilmente. Parker também tinha namoradas, como a loira Gwen Stacy ou a
supermodelo Mary Jane. Nos quadrinhos as coisas eram um pouco diferentes
dos roteiros campeões de bilheteria. Parker ganhou poderes após ser
picado por uma aranha radioativa. O lançador de teia era uma ‘engenhoca’
construída pelo próprio Parker. Nos filmes os roteiros foram
contemporanizados, a aranha era geneticamente alterada e a teia uma
função fisiológica adquirida por Parker após ser picado.
Gwen
Stacy nos quadrinhos foi assassinada pelo Duende Verde, numa história
dramática e ainda hoje cultuada por muitos fãs. Só depois Parker se
envolveu com Mary Jane. A galeria de vilões era chamativa, desde os mais
antigos como Abutre, Lagarto, o próprio Duende Verde e aqueles que
acabaram bem caracterizados nas telas do cinema, Dr. Octopus e Homem
Areia. No fim dos anos 80, a Marvel promoveu a série Guerras Secretas
(no Brasil publicada pela ed. Abril), em que o Homem Aranha adquiriu um
estranho uniforme negro. Constituído de um tecido alienígena, o
uniforme negro do Homem Aranha introduziu no universo dos quadrinhos o
conceito do tecido ‘simbionte’. Peter Parker não controlava o tecido que
tinha vida própria, mas que aos poucos passava a tomar conta de seu
próprio metabolismo. Parker se livrou do tecido o qual encontrou o
ressentido fotógrafo Eddie Brock, que por sua vez deixou-se sucumbir
pelo ‘simbionte’ tornando-se o monstruoso Venom. Esse detalhe foi muito
bem assimilado pelo roteiro do filme ‘Homem Aranha 3’ (2006). Por
residir em Nova York, o Homem Aranha também ‘trombava’ com outros heróis
como Demolidor além de erroneamente cruzar o caminho de anti-heróis em
momentos indesejáveis. O Justiceiro reside na Big Apple assim como
Wolverine, uma vez que a escola do professor Xavier também está sediada
ali. Entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90 do século XX, o Homem
Aranha gerou grande impacto junto ao público, quando foi desenhado pelo
então iniciante Todd McFarlane ainda trabalhando para a Marvel.
Este
é o Homem Aranha clássico, um dos vários com quem os leitores, fãs do
personagem, se depararam ao longo dos anos. Quando um personagem é muito
vendido, o mesmo passa por mutações editoriais as quais são feitas em
nome de maiores vendagens ou manutenção da grande audiência. Além de um
problema que a Marvel tem solucionado ao tornar mais atuais as origens
dos personagens nos filmes. As origens vão ficando ultrapassadas e as
histórias antigas caducas, exatamente por não terem um final. É o caso
citado pouco acima, em que a origem do Homem Aranha nas HQ’s nos anos 60
se dava com uma aranha radioativa, no cinema em pleno século XXI, a
aranha era geneticamente modificada. As mais esquisitas histórias já
foram escritas não apenas tendo o Homem Aranha, mas qualquer herói
campeão de vendas. Talvez os que tenham tido mudanças mais acidentadas
em seu percurso sejam os X-Men. No decorrer dos anos 90, a Marvel
promoveu a ‘Saga do Clone’ (também publicada pela ed. Abril) em que
Peter Parker descobre ser um clone de Ben Reily, que seria o
‘verdadeiro’ Homem Aranha. O inusitado mantinha altas vendas por algum
momento mas gerava reações não muito agradáveis por parte de alguns fãs.
A mais recente ‘mutação’ já foi apresentada nos EUA. O conceito do
Homem Aranha foi mantido, mas seu alter ego agora é um garoto
afro-descendente.
Atualmente
o Homem Aranha tem um apelo muito forte entre as crianças,
principalmente entre os meninos. Muito se deve à expansividade da
visualização que os três filmes com Tobey Maguire conseguiram obter.
Esses garotos, porém cresceram ou estão crescendo e o vindouro ‘O
Espetacular Homem Aranha’ terá Andrew Garfield no papel principal e
tentará manter a fatia de mercado que a Marvel conseguiu obter com a
primeira trilogia. A previsão de estreia se dá para o verão
norte-americano deste ano, aqui no Brasil, entre junho e julho.
Teaser:
- Anteriormente mencionado na coluna Kazuo em quadrinhos, a adaptação cinematográfica do mangá/anime ‘Akira’ (de Katsuhiro Otomo) segue em estado de animação suspensa, conforme noticiou o site Omelete.
A produção não foi cancelada, apenas passou por um corte orçamentário,
em que o absurdo valor inicial de mais de 100 milhões de dólares foi
reduzido pelo estúdio para flutuar entre 70 e 90 milhões. Mais
precisamente o site Omelete divulgou duas imagens do storyboard feitas antes do diretor Jaume Collet Serra assumir o projeto.
-
Um cartaz de divulgação com os dizeres ‘The Wolverine’ estampados sobre
uma imagem da bandeira do Japão, cortada de cima abaixo por três garras
de adamantium, também circulou na internet nas últimas
semanas. Segundo sites especializados a Fox não confirma e nem nega que
se trata do cartaz oficial do vindouro novo filme do Wolverine.
KAZUO EM QUADRINHOS
E MAIS MANGÁS!
Por Alexandre Kazuo
(Publicado originalmente em abril de 2012 em www.leiturinhas.com.br)
Esta coluna Kazuo em quadrinhos
já abordou por três vezes o universo dos mangás, os quadrinhos
japoneses. Mencionamos o ‘Kamen Rider’ de Shotaro Ishinomori, no Brasil
mais conhecido pelas séries tokusatsu televisivas, o ‘Akira’ de
Katsuhiro Otomo e mais recentemente ‘Bakuman’ de Tsugumi Ohba e Takeshi
Obata, ainda nas bancas pela editora JBC. Como a empreitada editorial
de mangás passou a se dar no Brasil de dez anos para cá, apresentaremos
aqui alguns títulos já traduzidos.
‘A Princesa e o Cavaleiro’ de Osamu Tezuka:
publicado no Brasil em 2008 pela JBC ‘A Princesa e o Cavaleiro’
tornou-se muito popular no Brasil devido ao seu anime exibido na tv Tupi
e tv Record, entre as décadas de 70 e 80 do século XX. Osamu Tezuka
atualmente é nome de prêmio concedido a mangá-kas uma vez que o
mesmo faleceu em 1991. Para os que cultuam, colecionam ou admiram os
mangás, Osamu Tezuka é um nome mítico junto ao do também falecido
Shotaro Ishinomori. ‘A Princesa e o Cavaleiro’ tinha um tom leve e
absurdamente próximo dos contos de fadas ocidentais. O reino da terra de
Prata deveria ser governado por um príncipe, porém a rainha dá luz a
uma princesa devido a uma confusão entre anjos celestiais que invertem o
sexto da criança. Safiri é uma princesa que a olhos públicos se
comporta como um valente príncipe e vive a esconder a verdadeira
identidade do desconfiado duque Duralumínio, seu opositor. A obra foi
publicada no Brasil muito tempo depois de ter sido editada no Japão.
Alguns conceitos do roteiro se mantêm absurdamente contemporâneos e ‘A
Princesa e o Cavaleiro’ personifica um dos mangás mais singelos de todos
os tempos.
‘Saint Seiya’ (ou ‘Os Cavaleiros do Zodíaco’) de Masami Kuramada:
publicado no Brasil pela Conrad e pela JBC. O anime ‘Os Cavaleiros do
Zodíaco’ causou histeria entre crianças e adolescentes na metade dos
anos 90 quando foi exibido no Brasil. Já no século XXI a Toei Animation
japonesa desenvolveu a ‘saga do Hades’ que ainda não havia se tornado anime.
Tratava-se da parte final de toda a saga apenas vista no mangá. A
repercussão fez com que a Toei criasse uma nova série com a batalha que
acontecia 200 anos antes com os cavaleiros que antecederam Seiya e seus
amigos, intitulada ‘Lost Canvas’. O ressurgimento da série no oriente
coincidiu com a publicação dos mangás no Brasil. ‘Saint Seiya’ teve seu mangá/anime
veiculado no Japão entre 1986 e 1989. As histórias em quadrinhos eram
publicadas no Shonen Jump. Saori Kido era a encarnação da deusa grega
Athena nos tempos modernos. Athena era protegida pelos cavaleiros (‘saints’
ou ‘santos’ no original) do Santuário na Grécia. O mestre do Santuário
dá vazão a uma conspiração e tenta assassinar Athena ainda bebê. A
criança é salva por Aioros, o cavaleiro de Sagitário, que mortalmente
ferido entrega o bebê ao filantropo e milionário japonês Mitsumasa Kido,
que visitava a Grécia. Kido cria Saori como neta e de posse da armadura
de Sagitário passa a recrutar crianças órfãs que seriam treinadas. A
mais qualificada herdaria a armadura de ouro de Sagitário.
Isso
é apenas uma breve sinopse. Os jovens são mandados a diferentes partes
do mundo para serem treinados. Retornam já quase adultos para a Guerra
Galáctica, ocorrendo no Japão quando disputarão a armadura. A Guerra
Galáctica se dá numa espécie de Coliseu futurista. Entre eles estão
Seiya o cavaleiro de Pegasus, Shiryu de Dragão, Hiyoga de Cisne, Shun de
Andrômeda e seu irmão Ikki de Fênix. Mais do que obter a armadura de
ouro os cavaleiros são designados para proteger a deusa Athena. Ao
descobrir que Athena anda vive sob a identidade de Saori, o mestre do
Santuário manda seus emissários à caça dos cavaleiros liderados por
Seiya. O mestre Ares (deus da guerra na mitologia grega) também está a
manipular os outros onze cavaleiros de ouro, a elite do Santuário.
Masami Kuramada fez menções à mitologia grega e criou um dos mais bem
sucedidos mangás de batalha que já figuraram na Shonen Jump japonesa. Há
algumas diferenças entre o mangá e o anime. A versão
em desenho teve a adição de alguns momentos a mais como a ‘fase nórdica’
em que Seiya e seus amigos vão a Asgard enfrentar os guerreiros deuses
da mitologia germânica, protetores de Hilda de Polaris a detentora do
anel de Nibelungos. A olhos desavisados ‘Saint Seiya’ se passa por anime/mangá vazio voltado estritamente ao público infantil como ‘Dragon Ball’ ou ‘Naruto’.
‘Death Note’ de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata:
publicado no Brasil pela JBC. Recentíssimo no Japão, ‘Death Note’
quebrou alguns parâmetros editoriais ao apresentar uma história
contemporânea, controversa, entrecortada por suspense e mistério.
Redefiniu o conceito de shonen mangá, no Japão algo como ‘mangá
de garotos’ pois lá existem linhas editoriais dedicadas a diversos e
diferentes públicos. Raito Yagami é um jovem exemplar típico da
sociedade japonesa. Exemplo em casa por ser o irmão mais velho, melhor
aluno do colégio. Raito encontra um estranho caderno intitulado Death
Note (traduzindo, algo como ‘caderno da morte’) no pátio do colégio. O
mesmo traz instruções acerca de seu uso. Pode-se manipular a morte
daqueles cujo nome for escrito nas páginas do mesmo. Munido de um
questionável senso se justiça, Raito passa a escrever nomes de
criminosos que instantaneamente morrem. O Death Note que Raito encontrou
foi deixado na Terra pelo deus da morte (Shinigami) Ryuk, que entediado
no plano mítico passa a contracenar com o jovem no mundo real. A série
de mortes de criminosos deixa estarrecida a polícia japonesa que passa a
contar com o FBI e os serviços do misterioso detetive L.
‘Death
Note’ ganhou seguidores do público adolescente/juvenil, denunciando
também o brusco amadurecimento das crianças contemporâneas. A trama
coloca em plano questões éticas e demonstra a forte assimilação de
características culturais ocidentais por parte dos japoneses. Ícones
cristãos são evocados o tempo todo em ‘Death Note’, sendo o Japão um
país de raízes budistas xintoístas. Artisticamente Tsugumi Ohba e
Takeshi Obata se mostram conhecedores de livros, cinema e quadrinhos
ocidentais, a exemplo dos mestres Shotaro Ishinomori e Katsuhiro Otomo. O
Shinigami Ryuk não deve nada aos demônios com quem o Morpheus (de Neil
Gaiman) esbarra pelas páginas de ‘Sandman’. A astúcia e o sangue frio de
Raito deixariam John Constantine com uma pontinha de inveja. ‘Death
Note’ catapultou o nome de seus criadores, tidos como os grandes do
mangá atual. O desenhista Takeshi Obata é conhecido também por seu
trabalho no título ‘Samurai X’ lançado no Brasil pela JBC e cujo anime
chegou a ser exibido na tv Globo. A verdadeira identidade de Tsugumi
Ohba é mantida em segredo, tratando-se de um nome artístico. O próprio
site da editora JBC aponta no release que Ohba pode inclusive ser algum mangá-ka já consagrado aventurando-se numa linha editorial diferente da que obteve sucesso.
Teremos mais títulos de mangás neste espaço em breve!
LITERATURA E ENSINO
A ESCOLA E O DESAFIO DE FORMAR LEITORES II
Por Leny Fernandes Zulim
(Publicado originalmente em abril de 2012 em www.leiturinhas.com.br)
Neste encontro vamos continuar refletindo sobre práticas efetivas que
auxiliam o docente em sua tarefa – nunca é demais repetir – desafiadora,
difícil e cotidiana de contribuir, decisivamente, para a formação do
leitor. E estamos falando de modo muito particular, sobre a leitura
literária, cujas características, importância e contribuição para a vida
já foram aqui discutidas.
A leitura do texto literário, sobretudo no Ensino Fundamental, precisa
ocupar um espaço essencial na escola, pois é, para a maioria dos alunos,
a única oportunidade para ingressar nesse mundo e aproveitá-lo, posto
que as famílias, o primeiro espaço em que deveriam encontrar esse valor
cultural, (por motivos os mais variados) tem delegado toda a educação
dos filhos à escola e ao professor (ZULIM: 2011).
Délia Lerner, professora argentina, comprova nossa afirmativa dizendo:
“Na América Latina, sobretudo nos setores mais pobres, a tarefa de
formar leitores fica muito a cargo da escola, o que a torna mais
complexa. Isso porque há muitas tensões vinculadas ao tempo disponível
para ensinar e também ao entendimento sobre o que é formar leitores”
(set. 2006). Vê-se assim quão importante é o trabalho da escola e do
professor como mediadores de leitura.
A literatura precisa, assim, ser apresentada aos alunos como um
verdadeiro mundo encantado em que o lúdico e a gratuidade sejam os
componentes principais e sempre presentes. Preservar esse espaço de
encantamento e prazer destinado ao contato com o texto literário é ponto
fundamental no objetivo de formar leitores, que, “fisgados” seguirão
pela vida, buscando sempre mais um livro para ler, pois, uma vez provado
de tal deleite sempre se quer mais. Desvelando o mundo, ajudando o
leitor a melhor se compreender e a melhor compreender seu real imediato,
a literatura trilha veredas fascinantes, capazes de seduzir, formando e
informando a partir de momentos de puro e genuíno prazer (ZULIM: 1995).
Sem querer ditar normas ou “passar receitas”, sugiro algumas práticas
que, simples mas possíveis, seja qual for a realidade da escola,
acredito podem auxiliar os professores em seu trabalho diário:
1- Ler para os alunos e com os alunos são duas
atitudes que colaboram e muito na formação do leitor, mas que implicam
em um professor leitor, como aliás deve ocorrer em todas as demais
práticas. Proponho que o docente dispense um “tempinho” no início ou
final de aula, ou mesmo antes de liberar a turma para o intervalo, para
ler aos alunos um conto, uma crônica ou um poema bem selecionado,
capazes de encantar os alunos. Para fazer isso, contudo, é preciso que o
professor:
- selecione um texto de que goste, pois assim, sua emoção acabará contagiando os ouvintes;
- treine a leitura, lembrando que a modulação de voz, o ritmo, o gestual, a expressão facial, tudo colabora para encantar quem ouve, pois esses cuidados prévios imprimem vida ao enredo e aos personagens;
- convide os alunos a participar e mergulhar na aventura que o texto apresenta, buscando adivinhar o que está por vir;
De outro lado, o professor deve lembrar que, ao abrir espaço para a
leitura literária em suas aulas, deve ele também aproveitar esse momento
para ler. Assim mostra, pelo exemplo, o que é ser um leitor, ao mesmo
tempo em que instiga a turma a querer saber o que ele, professor, está
lendo;
2- Oferecer um ambiente propício à leitura, pois
a sala de aula precisa ser um espaço acolhedor e rico em termos de
leitura e escrita. Neste caso, cartazes sobre determinadas obras
convidando à leitura, caixas com livros, gibis, jornais e revistas,
folhetos, propagandas, em lugares estratégicos, chamando a atenção para
eles, acabam por se oferecerem como possibilidades de leitura, e devem
estar sempre à altura dos olhos dos alunos;
3- Variar o cenário da leitura e a postura do leitor. Quem
é leitor sabe que, ao tomar nas mãos determinada obra literária,
procura por um lugar inusitado, “gostoso mesmo” pra ler, seja deitado
confortavelmente em um sofá; de bruços ou “esparramado” em um tapete com
uma almofada para apoiar a cabeça e uma suave música ao fundo. E não
sentado ereto em uma cadeira, feito um “dois de paus”. A leitura
literária tem por meta principal a gratuidade e o prazer, portanto
recusa aquela posição tradicional, com as crianças sentadas em fila,
umas atrás das outras. É aconselhável que o professor se permita, e
permita a seus alunos, a leitura em variados cenários tais como em um
círculo na sala, seja em cadeiras ou sentados no chão, sob a sombra
acolhedora de uma árvore existente no pátio da escola, nos degraus da
escada, quebrando a rotina, em consonância com o tipo de texto que se
vai ler: imprevisível, fantasioso e descompromissado. Que tal montar, na
escola, um espaço com um grosso e macio tapete, almofadas espalhadas
sobre ele, um aparelho de som que permita oferecer uma suave música para
embalar a hora da leitura? Convenhamos que não é tão difícil assim...
4- Instigar a curiosidade por novos títulos é um marketing que costuma dar resultado. Ao
levar livros para a sala e comentá-los com os alunos, criando um
suspense sobre a trama, o professor desperta a curiosidade que pode
motivar uma nova leitura. Experimente mostrar um bom livro à turma, ler
um trecho e parar em um momento de suspense com um “E aí...” Isso aguça a
vontade de saber o final e, ao menos alguns alunos, vão querer saber
como acaba a trama. Tudo é um jogo, mas que criança ou adolescente não
gosta de jogar?
5- Visitar regularmente a biblioteca com os alunos. Biblioteca
precisa deixar de ser lugar para onde se encaminham os alunos que
recebem uma reprimenda. Longe de ser espaço de punição, ela é (ou
deveria ser) um dos lugares mais importantes da escola, onde se acumula
conhecimento. Por isso, é preciso agendar e programar visitas regulares a
esse espaço com a turma. Incluir o bibliotecário nesse programa,
verificando com ele as novas aquisições, livros interessantes do acervo e
que ainda não foram descobertos pelos alunos... Professor e
bibliotecário podem comentar esses títulos de forma rápida, circulando
pelo ambiente, informando e incentivando o empréstimo de livros para ler
em casa, o que pode desencadear um processo ininterrupto de novas
leituras. Por hoje ficamos aqui. Mas essa conversa continua em nosso
próximo encontro. Caso você tenha algum ponto que deseja esclarecer ou
comentar, entre em contato pelo e-mail lenyfz@ibest.com.br e conversaremos com mais detalhes.
Textos que sustentam esse artigo:
CARVALHO,
Diógenes. A leitura da literatura na escola: o lugar da criança como
sujeito sócio-histórico. In: AGUIAR, Vera T.; MARTHA, Alice A. (Orgs.). Territórios da leitura: da literatura aos leitores. Assis, SP: Cultura Acadêmica, 2006.
NOVA Escola Edição Especial. Leitura: descobrir o prazer de ler é o primeiro passo para formar leitores (de qualquer idade). São Paulo: Abril Cultural, abr, 2008.
SILVA, Ezequiel Teodoro da. Leitura & realidade brasileira. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998.
ZULIM, Leny Fernandes. Literatura no ensino Fundamental: da teoria às práticas em sala-de-aula. Londrina: Amplexo, 2011.
_______. Literatura infanto-juvenil: o livro literário: desvelando o mundo e contribuindo para o sucesso escolar. In: Revista Científica e cultural UNOPAR, Londrina, dez. 95.

