março 03, 2012

FEVEREIRO - Artigos e Entrevista

ENTREVISTA - RAÍ DE SOUZA VIEIRA DE OLIVEIRA
(Publicada origianalmente em fevereiro de 2012 e www.leiturinhas.com.br)


Raí de Souza Vieira de Oliveira, mundialmente conhecido como Raí, é ex-jogador de futebol. Foi tetracampeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1994, jogou por cinco temporadas no futebol francês atuando pelo Paris Saint German. Raí é um dos maiores ídolos da história do São Paulo Futebol Clube, tendo feito parte do grupo comandado pelo técnico Telê Santana no título do Campeonato Brasileiro de 1991 e nas conquistas da Taça Libertadores de 1992 e 1993 e Mundial Interclubes no ano de 1992. Raí marcou os dois gols na vitória do São Paulo por 2x1 diante do Barcelona na final do Mundial de 1992. Ele já havia escrito um livro chamado Para Ser Jogador de Futebol (Ed. Jaboticaba, 2005) em parceria com a jornalista Milly Lacombe e com a, hoje ex-vereadora da cidade de São Paulo, Soninha Francine. Agora o ex-meio-campo está lançando Turma do Infinito (Ed. Cosac Naify) voltado ao público infantil. Confira o que Raí disse ao LEITURINHAS em entrevista conduzida por Alexandre Kazuo.

DO INFINITO AOS GRAMADOS


LEITURINHAS – Quais as suas leiturinhas? O que você costumava ler na infância/juventude?
RAÍ – Monteiro Lobato, porque meu pai tinha uma coleção inteira, em casa. E, obviamente, alguns Gibis, principalmente Mauricio de Souza.

LEITURINHAS – Você atuou na Ligue 1 francesa por seis temporadas jogando pelo Paris Saint-German. Sabemos que a França tem uma visão educacional diferenciada. O cidadão francês lê muito. O contato com a cultura francesa foi importante para você? Há algum autor ou escritor francês do qual você goste?
RAÍ – A cultura de leitura que existe na França influencia a todos que vivem por lá e estão atentos. Lembro quando li meu primeiro Moliere, "Le Médecin malgré Lui" no original! Recomendo meu segundo livro em francês, "Le Parfum" de Patrick Suskind.

LEITURINHAS – Pouca gente sabe, mas antes de Turma do Infinito você escreveu Para ser jogador de futebol em parceria com a, hoje vereadora de SP, Soninha e a jornalista Mily Lacombe. A meu ver os envolvidos estavam preocupados com a formação do atleta enquanto indivíduo, cidadão. Essa abordagem está em alta, principalmente após a filosofia de formação de atletas do Barcelona ter sido noticiada enquanto o Mundial de Clubes acontecia em dezembro último. Gostaríamos que você comentasse um pouco sobre Para ser jogador de futebol.
     
RAÍ – Um livro voltado para a faixa entre 10 e 14 anos, que pretende tentar ser um atleta profissional. Conta várias histórias, cita exemplos, dá dicas etc. Fala também da importância de uma formação mais ampla.

LEITURINHAS – Qual foi a inspiração para a realização de ‘Turma do Infinito’? Tratava-se de um desafio literário apenas ou algum escritor/criador o influenciou?

RAÍ – A inspiração foi a Filosofia, foi um desafio literário misturado com a vontade de me comunicar com este público, e despertá-lo a reflexões sobre a vida.

LEITURINHAS – No campo da Literatura o Brasil teve craques como Nelson Rodrigues e João Saldanha que escreveram sobre futebol. Há escritores de outros países que também se dedicaram ou se dedicam ao futebol como o italiano Píer Paolo Pasolini e o inglês Nick Hornby. Você já leu textos de algum dos citados? Se sim, o que você pensa sobre eles?

RAÍ – Adoro, leio vez por outra, artigos de Nelson Rodrigues... Os internacionais não conheço muito.

LEITURINHAS Você sabe se há algum outro jogador de futebol que tenha escrito um livro infantil?
RAÍ – Acho que não. Sei que o Gustavo Borges, nadador, publicou um livro sobre natação para um público, entre 0 e 4 anos. Foi até premiado.

LEITURINHAS – Que LEITURINHAS você indicaria tanto aos adultos quanto aos mais jovens, além de Turma do Infinito?
RAÍ – Leiam, leiam, tem pra todos os gostos. A leitura é um momento rico, de interação com as histórias, personagens e consigo mesmo.

Agradecemos a Fundação Gol de Letra, idealizada por Raí, e ao também ex-jogador Leonardo, que possibilitou os contatos com Raí+Velasco nas pessoas de Lia Gurjão e Laura Chiavenato, que prestam assessoria de imprensa ao jogador. Além do meu amigo e antigo colega de Trivela, Andre Lacerda.

 
PARA SER MANGÁ-KA
(publicado originalmente em fevereiro em www.leiturinhas.com.br) 

Por Alexandre Kazuo

Já mencionamos por aqui anteriormente títulos e personagens ligados ao universo dos mangás (e dos animes) que são os representantes japoneses das histórias em quadrinhos ocidentais. Sabemos também que desde a metade dos anos 90 do século XX a explosão mangá aconteceu de vez no mercado editorial brasileiro. Os desenhos japoneses (lá chamados de animes) ou adaptavam histórias de mangas ou tinham seus roteiros escritos e criados por escritores consagrados (lá chamados de manga-ká). Os animes sempre tiveram espaço no Brasil, pois Patrulha do Espaço (Uchu Senkan Yamato), Don Dracula, Honey Honey ou Zillion foram exibidos na televisão brasileira entre o fim dos anos 70 e a década de 80. Entretanto a importação dos mangás em definitivo ocorreu no Brasil como consequência dos animes Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z. Como também dissemos, há pouco tempo atrás nesta coluna, Akira de Katsuhiro Otomo foi publicado no Brasil antes dos citados animes. Porém aproveitava a tradução feita para o mercado editorial norte-americano impulsionado pelo anime em longa metragem que obteve grande repercussão no ocidente.

São comuns e curiosos no Japão manuais que ensinem jovens a escreverem e desenharem mangás. Além de lê-los, crianças e jovens tentam também criá-los. Tsugumi Ohba (roteiros) e Takeshi Obata (desenhos) já possuíam repercussão por causa de Death Note (publicado no Brasil pela JBC). No fim de 2011, chegou às bancas Bakuman, assinado pela dupla Ohba/Obata. Na literatura universal é comum o termo bildung roman, que a grosso modo pode ser traduzido como romance de formação. Bildung vem do alemão e quer dizer ‘formação’ no sentido educacional. Os romances de formação trazem histórias de um personagem que passa por diversas provações e as supera, geralmente no fim da juventude. Os anos de aprendizado de Wilhem Meiser, de Goethe, Robson Crusoé (Daniel Defoe) e O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas) além de Emilio do filósofo francês Jean Jacques Rousseau são exemplos de romance de formação. Pois bem, Bakuman é um mangá de formação para mangá-kás!

Moritaka Mashiro é um menino resignado prestes a entrar ao que no Brasil equivale ao ensino médio. Mashiro desenha e mal sabe o que quer da vida em meio a pressões familiares para que os jovens sejam um exemplo, disciplinados e bem sucedidos. Algo típico da cultura japonesa. Um dia Mashiro esquece seu caderno na escola às vésperas de um dia de prova. Retorna a classe e encontra Akito Takagi com o caderno em mãos. Takagi supostamente é o melhor aluno da sala e se impressiona com os desenhos que Mashiro secretamente faz. Sua musa inspiradora é a tímida e bela Azuki, uma colega de classe. Takagi aparentemente sagaz, se revela um maníaco por mangas. Sonhador, porém ciente de detalhes de bastidores, detentor de idéias mirabolantes para os mais promissores roteiros e procura um desenhista que lhe acompanhe. Tentará persuadir o reservado Mashiro a se juntar a ele. A trama é nerd, juvenil, leve e belíssima. Não são necessários pokemóns aparecendo do nada, nem moleques descabelados que ficam loiros de uma pagina para outra disparando kamehamehas de suas mãos vazias. Se mangás contam uma história, então a vida é um mangá. Mashiro revela a Takagi ser sobrinho de um falecido mangá-ka.

Takagi rapidamente percebe que Mashiro é sobrinho do misterioso Taro Kawaguchi um mangá-ká que criava histórias de humor, mas que obteve apenas um sucesso chamado A Lenda do Super-Herói. O tio de Mashiro sonhava em se casar com uma moça que foi sua colega de classe na infância. Acreditava que apenas conseguiria fazê-lo se fosse rico e o caminho mais rápido para isso seria tornando-se um famoso mangá-ka. A Lenda do Super-Herói versava sobre um aspirante a maior super-herói do universo que pretendia conquistar o coração de uma princesa bonita logo que ele se tornasse o maior. Takagi e Mashiro subentendem isso rapidamente, sobretudo quando descobrem a caixa que continha as cartas que o tio do segundo escrevia e recebia daquela moça. Viver para escrever poderia personificar o Otokô no roman que a própria narrativa de Tsugumi Ohba dá a entender enquanto sonho ou ‘ideal masculino’, algo popular na cultura masculina japonesa. No Japão há linhas editoriais especializadas nesse contexto que aparentemente apresentam personagens ‘durões’.

Há desafio, mistério e emoção na trama de Bakuman. O domínio de diferentes espessuras do grafite ou do nanquim pode ser para Mashiro tão afrontador quanto o desafio de inverter a direção de uma cachoeira para um Cavaleiro do Zodíaco em treinamento. O tio de Mashiro morreu em decorrência do stress ocasionado por trabalhos não aceitos por editores ou se suicidou? O desajeitado Mashiro vai conseguir falar com a tímida Azuki? Percebemos o quanto as histórias em quadrinhos povoam o imaginário das crianças e jovens japoneses, em narrativas universais. Algo muito diferente daquilo que se compreende por histórias em quadrinhos no Brasil, voltados apenas ao humor e ao público infantil. Bakuman faz referência a mangás clássicos, muitos inéditos no Brasil; mostra os desafios pelos quais seus autores também passaram até chegar ao estrelato nas páginas do Shonen Jump da editora Shueisha.

Vale também uma menção a Japan Brazil Communication ou JBC editora paulistana, especializada na tradução e publicação de mangás em nosso país.


AFINAL, PRA QUÊ SERVE A LITERATURA?
(Publicado orignalmente em fevereiro de 2012 em www.leiturinhas.com.br)
Por Leny Fernandes Zulim 


Desde a antiguidade clássica a literatura vem motivando estudos assinados pelos mais diferentes pensadores com vistas a compreender-lhes a importância e o significado. Ainda hoje, em tempos chamados pós-modermos, esse tipo de texto nebuloso, cheio de espaços vazados, com alto grau de subjetividade e plurissignificação, desafia o leitor e exige que ele utilize seu conhecimento de mundo para atribuir-lhe sentido. Ao mesmo tempo, também desde a antiguidade clássica, desafia estudiosos do assunto que tentam responder à indagação que dá título a esse texto: afinal para que serve a literatura?
Já na Grécia antiga, Aristóteles afirma em sua Poética que a literatura apresenta-se como mimese, isto é, imitação. Para ele, o conceito de mimese implicaria em um profundo conhecimento da natureza humana que servia, assim, de modelo para que o artista recriasse a realidade. É ainda Aristóteles que apresenta o hedonismo e a catarse como funções próprias da literatura. Os gregos entendiam a palavra hedon como prazer e é com esse sentido que o filósofo a apresenta como função inicial da literatura. Na atualidade, a grande maioria dos estudiosos do assunto ratifica essa idéia: ler literatura é, acima de tudo, uma ação que implica em gratuidade, descompromisso, prazer, portanto. Tomando a palavra catarse “emprestada” do vocabulário médico (significando purificação, limpeza) Aristóteles aplica-a à literatura para designar o efeito causado no público durante e após a representação de uma tragédia. A catarse era (e é), então, o estado de profunda sensibilidade, de purificação da alma através das emoções suscitadas pela arte.
Contemporaneamente, vale a pena nos voltarmos para o estudo que faz das funções da literatura o ensaísta brasileiro Antonio Candido. Em texto já clássico (A literatura e a formação do homem) ele começa por lembrar que a arte literária vem para preencher nossa necessidade diária de ficção e fantasia, identificada por ele como função psicológica, em virtude de sua ligação estrita com a capacidade e a necessidade que tem o homem de sonhar, de fantasiar. Ler literatura é, portanto, adentrar o universo do imaginário e da fantasia que nutrem o espírito. Ora, se a arte literária se apresenta para o ser humano como uma necessidade diária, posto não viver sem ela seja o analfabeto ou o erudito, Candido conclui que ela vem sendo poderoso instrumento de educação na sociedade. Diz ele ainda que a literatura humaniza o homem, tendo em vista que confirma nele traços essenciais, tais como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, maior capacidade de análise, fraternidade, solidariedade, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, além do cultivo do humor. Conclui o autor que a literatura desenvolve em nós uma quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante, destacando-lhe a forma- o modo como o autor escolhe dizer o que tem a dizer - como essencial para essa humanização. Parece, portanto, que ter acesso à arte literária é direito de cada um como fator de humanização. Se o corpo tem necessidade de alimento, igualmente o tem o espírito e, nesse caso, a arte (literatura no meio) é um dos nutrientes mais completos. Mas, neste mesmo ensaio, o citado autor aponta ainda outra função da literatura: a formativa. Para ele, a literatura também atua na formação do indivíduo como um todo. Essa função é, contudo, mais complexa do que pressupõe a pedagogia tradicional, que via (e vê) essa arte como mera veiculadora da ideologia dominante, de propagação de valores e bom comportamento. A ação da literatura, para ele, é similar à da própria vida, que forma, ensina, com a força e a riqueza de todas as contradições, de todos os opostos, permitindo o contato com todo tipo de realidade, o que possibilita, como conseqüência, maior conhecimento do mundo e do ser. Ao representar uma dada realidade social e humana, a literatura fornece ao leitor maior compreensão de si mesmo, do mundo e da vida, pois ao interagir com a obra literária, com determinado personagem, o leitor acaba por adquirir um novo conhecimento de si próprio e da realidade que o circunda, na experiência vivida com o universo fictício, que recria o mundo e com ele está entrelaçado.
Ora, se aceitarmos que o acesso à ficção é um direito de todos porque todos têm, como afirma Candido, necessidade de uma cota de ficção e fantasia diariamente; se aceitarmos ainda que a literatura é fonte de humanização para o homem, precisamos aceitar, também, que a escola tem o dever de difundir a literatura entre seus alunos sob pena de falhar em um de seus principais objetivos: a formação de leitores para que usufruam desse direito. Mas, esse já é um assunto para o nosso próximo encontro: como encarar o desafio de formar leitores. Até lá.

Textos teóricos que sustentam esse artigo
Aristóteles. Poética In: Os Pensadores (Vol. II). Trad. de Eudoro de Souza, São Paulo, 1991.
CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. In: Ciência e Cultura, São Paulo, 24 (9), 1972.
___. Direitos humanos e literatura. In: FESTER, Antonio Carlos Ribeiro (org.).
Direitos humanos e... Comissão Justiça e Paz de  São  Paulo. São Paulo, Brasiliense, 1989.
COSTA, Lígia Militz da. A poética de Aristóteles – mimese e verossimilhança. São Paulo: Ática, 1992.
MERCHIOR, José Guilherme. A astúcia da Mimese. Rio de Janeiro, José Olympio, 1972.

O FANTÁSTICO MUNDO DE PEDRO BANDEIRA
(Publicado originalmente em fevereiro de 2012 em www.leiturinhas.com.br)

Por Carla Kühlewein

As décadas avançam e os escritores de Literatura Infantil no Brasil se emancipam, traçam percursos, buscam novas linguagens, fazem escola.  Em meio a uma multidão de não-leitores, num país de índices pífios referentes à educação, o mercado editorial infantil caminha a passos largos e conquista gradativamente um público cada vez maior de leitores. Ora, a que se deve tanto sucesso? Difícil explicar, porém, é fácil observar que a constante busca de novas formas de expressão artística têm surtido efeitos um tanto quanto contagiantes, com a Literatura não poderia ser diferente.
Pedro Bandeira é um dos representantes do caráter FANTÁSTICO presente na produção literária infantil. Ainda que este não seja, nem de longe, o único ingrediente de suas obras, de fato é um dos que lhe “saltam aos olhos”.  A bibliografia que tenta explicar ou definir melhor esse fenômeno tão moderno chamado LITERATURA FANTÁSTICA é extensa, porém considere-se aqui, grosso modo, como FANTÁSTICO a mistura de realidade e ficção, com fins a transgredir a ordem vigente. Explico: quanto mais os textos literários infantis se aproximam de fatos, comportamentos, situações da vida cotidiana, mais seu caráter fictício é corrompido, nisso reside a transgressão. De alguma forma o que esteve por anos, séculos, sacralizado, passa a ser contestado, revisto, relido. Os valores antigos ganham roupagem nova ou são completamente substituídos por outros, mais “moderninhos”.
Se a tônica é transgredir, mudar, romper padrões e, a partir disso, promover RELEITURINHAS das histórias clássicas, nada melhor que uma visita rápida ao FANTÁSTICO MISTÉRIO DE FEIURINHA para se ter uma compreensão maior do que isso significa. Essa obra de Pedro Bandeira já soava promissora, mesmo antes de sua versão cinematográfica, por diversos motivos, um deles: o mistério... Num fôlego só, Bandeira conduz a narrativa com dinamismo, garantido pelo suspense latente em toda a obra.
Engana-se quem pensa que suspense é estratégia exclusiva de romances policiais ou afins. A Literatura Infantil está repleta de textos que passeiam pela linha tênue do mistério, da sugestão. A narrativa de Bandeira constrói essa linha a partir do questionamento “Onde está a Feirurinha”. Mas antes que alguém tente responder a essa pergunta, surge outra, ainda mais instigante: mas... quem é a Feiurinha?
Eis, portanto, o mistério mais intrigante da obra de Bandeira: o sumiço de uma personagem desconhecida. Mistério instaurado, as princesas resolvem se unir para tentar desvendá-lo. Porém, a união das impecáveis figuras clássicas logo revela surpresas, como falta de compostura, inveja, irritação, frustração e outros incômodos mais, que descontroem os padrões típicos da realeza (educação, delicadeza, classe, etc.). Aos poucos, descobre-se que Branca de Neve, Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e Cia são mais “reais” do que se poderia imaginar. É a realidade pervertendo a norma clássica, é a transgressão gerando seus frutos: RELEITURINHAS da espécie humana na atualidade.
Tudo é surpreendente em O FANTÁSTICO MISTÉRIO DE FEIURINHA, as postura das personagens, o enredo, a estrutura do livro (capítulo zero, capítulo três e meio, etc.), a temática, a forma de abordagem, enfim, há um desfile de estratégias FANTÁSTICAS que corroboram para a progressiva leitura do livro. Tudo isso misturado a uma dose de humor deliciosamente fluída confere à obra de Pedro Bandeira um caráter surpreendente, revelador, afinal... quem poderia imaginar que a Chapeuzinho é a solteirona das princesas? Ou mesmo que todas elas levam o sobrenome Encantado, já que os príncipes têm a mesma procedência? E por aí afora...
De mistério em mistério o escritor enche seu livro. E, assim, nesse fio condutor encanta leitores, rompe padrões e inaugura uma nova forma de narrar, tão FANTÁSTICA quanto se poderia supor. Bem-vindos ao FANTÁSTICO mundo de Pedro Bandeira!

Até a próxima RELEITURINHA!